Brasil caminha para período de “outperformance” econômica, diz Bridgewater

Joana Kurtz
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Crédito: Foto: Ilustrativa

O Brasil está pronto para um período de “outperformance” na economia, em que irá destravar finalmente seu potencial secular, diz a Bridgewater, empresa global de investimentos que gerencia cerca de US$ 160 bilhões. No jargão do mercado financeiro, “outperformance” é o desempenho positivo que se destaca, por ser superior à média dos demais comparáveis.

“A ascensão que acreditamos que está apenas começando no Brasil é especialmente interessante à luz da grande queda que está ocorrendo em muitos outros países”, diz relatório de dez páginas da Bridgewater.

A empresa conta com aproximadamente 350 clientes institucionais, incluindo bancos centrais, fundos soberanos, fundos de pensão públicos e privados, fundações de caridade e agências supranacionais.

“À medida que buscamos ao redor do mundo locais com potencial, as economias emergentes similares à do Brasil, que têm desempenho bem abaixo do potencial, destacam-se, olhando à frente”, diz.

Segundo a Bridgewater, o motivo para países como o Brasil terem atualmente resultados abaixo do que poderiam entregar é que, em muitos casos, foram forçados no passado a executar uma política de aperto monetário. Isso, por sua vez, deveu-se à pouca liquidez.

Mas o país pode estar próximo de virar a página. “A inflação tem se mostrado baixa há um período longo e está agora nos níveis moderados que os bancos centrais dos países desenvolvidos desejam”, diz o relatório.

Trabalho de décadas

O relatório sugere que o Brasil deve agora colher os frutos da política monetária das últimas duas décadas, que se seguiram após anos de inflação galopante.

“Depois de anos de inflação alta e volátil, o Brasil tem feito progressos significativos na redução estrutural da inflação para níveis que agora são apenas um pouco mais elevados do que os do mundo desenvolvido”, diz.

“Essa mudança foi liderada por mais de duas décadas de trabalho de um banco central responsável”, acrescenta.

Os especialistas da Bridgewater explicam que, a exemplo do que ocorreu nos últimos cinco anos em muitas economias emergentes, o movimento do câmbio foi um motor significativo da inflação no Brasil. Contudo, é “menos provável” que essa dinâmica persista daqui para frente.

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O declínio das taxas de juros levou recentemente a uma recuperação nos empréstimos privados. “Até o colapso das commodities em 2015, a criação de crédito no Brasil era fortemente apoiada por bancos públicos e empréstimos subsidiados”, citam, lembrando que agora os bancos públicos passam por uma fase de desalavancagem.

Passos fundamentais

A Bridgewater lembra ainda que o Brasil também deu recentemente “alguns passos pequenos, mas fundamentais”, como a reforma da Previdência, que podem começar a desbloquear a recuperação da produtividade.

“Outras reformas importantes, como a Tributária e a Trabalhista, estão em estágios iniciais, mas, se elas se concretizarem, poderão ajudar ainda mais a aumentar a produtividade”, acrescenta.

Por sua vez, o afrouxamento da política monetária tende a gerar uma redução nas dívidas das famílias, dando suporte à expansão do país.

Taxas sustentáveis?

A flexibilização monetária levou as taxas nominais e reais para seus níveis mais baixos em anos e as condições fracas da economia do país provavelmente vão fazer com que essa política permaneça por algum tempo. Nesse contexto, uma dúvida importante que surge é se esses níveis podem ser sustentados sem que o câmbio e a inflação criem obstáculos, dizem os especialistas da Bridgewater.

Eles mesmos respondem, em seguida: “Até agora, parece que a resposta é sim. Daqui para frente, a combinação de condições fracas econômicas, inflação silenciosa e política monetária sólida, juntamente com a melhoria da posição externa do Brasil e os baixos níveis de dívida externa, apoiarão a capacidade do banco central de executar a política monetária de acordo com a condições domésticas.”

País do futuro

Em resumo, a Bridgewater acredita no destravamento do potencial secular do Brasil. “Uma citação atribuída a Charles de Gaulle (estadista francês) – O Brasil é o país do futuro, e sempre será –, ressalta o histórico do Brasil. O país carrega um potencial significativo que luta para desbloquear… Agora pensamos que é provável que o Brasil esteja pronto para um período de ‘outperformance’ econômica.”


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