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Brasil cai em ranking de investimentos estrangeiros por conta da incerteza política

País caiu da 6ª para a 9ª colocação entre as nações que mais receberam capital estrangeiro. Especialistas apontam as incertezas como “inimigas dos investimentos”.

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Após meses de incertezas políticas no Brasil, investidores estrangeiros acabaram espantados do país. Com base em dados da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o Brasil caiu de 6º para o 9º lugar no ranking dos principais destinos de investimentos, isso no primeiro semestre de 2018. Entre janeiro e junho, o país recebeu cerca de US$ 25,5 bilhões, ou seja, considerando os US$ 32,6 bilhões que foram recebidos no mesmo período do mês passado, houve uma queda de 22% nos investimentos internacionais.

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Um dos autores desse levantamento, Richard Bolwijn, afirma que “a incerteza é a inimiga dos investimentos”. Para ele, as empresas decidem quando investir em um país levando em consideração fundamentos econômicos, contudo, o momento de materializar esses planos perpassa por uma avaliação do cenário de instabilidade política.

O presidente da filial brasileira da Mercedez-Benz, Philipp Scheimer, tem vivenciado essa situação. Segundo o executivo, há uma grande dificuldade em convencer a matriz da empresa, localizada na Alemanha, a trazer novos investimentos para o Brasil por conta das incertezas que envolvem o futuro do país. Nesse sentido, os executivos do mundo inteiro sentem-se mais inclinados a apontar seus investimentos para os mercados asiáticos.

Mesmo com esse cenário, Scheimer garantiu que o plano de investimentos adotado atualmente pela montadora de veículos não está em risco. Esse investimento é estimado em R$ 2,4 bilhões até o ano de 2022. O executivo também revela estar preocupado quando discute os investimentos para os anos de 2023 e 2024.

Scheimer lamenta o fato de o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil ser disputado por dois candidatos que representam “extremos”. Entretanto, ressalta que aceitará o resultado das eleições e que trabalhará com qualquer dos dois que for eleito.

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Luís Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Empresas Transnacionais (Sobeet), mostra que esse recuo de 22%, ocorrido no primeiro semestre desse ano sobre o investimento estrangeiro direto no Brasil, está mais ligado à decepção no ritmo de atividade do país e ao término de projetos que, efetivamente, ao cenário de incerteza eleitoral. Lima também aponta que esse cenário de turbulência apenas influenciará diretamente os resultados do segundo semestre de 2018. Ele diz que a previsão é de queda de 30% se comparado com o segundo semestre de 2017 e prevê que 2018 deve encerrar com uma queda de 25%.

Previsões para 2019

O cenário para o próximo ano não é muito diferente do atual e pode continuar negativo no que diz respeito ao investimento estrangeiro, afirma Lima. Um dos fatores que são responsáveis por esse cenário de retração é o caráter nacionalista, demonstrado pelo candidato Jair Bolsonaro, do PSL, atual líder nas pesquisas eleitorais. O presidente da Sobeet também mostra que o fluxo de investimentos global tem diminuído. Dentre os fatores que contribuem para essa redução na projeção de crescimento global, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), está a decisão tomada pelos Estados Unidos de reduzir a tributação sobre a repatriação de capitais.

De acordo com Livio Ribeiro, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, não é somente a incerteza política que contribui para a questão do investimento estrangeiro, pois existem vários fatores combinados nesse sentido. Um exemplo é a taxa de câmbio, pois, quando é possível conseguir mais reais com o mesmo quantitativo de dólares, isso favorece o investimento. Por outro lado, a frustração no que diz respeito às projeções de crescimento acabam afastando os investimentos.

Outro ponto destacado por Ribeiro é a diminuição nos fluxos comerciais e financeiros, ocorridos nos últimos anos. Uma vez que as economias se tornam mais protecionistas, isso desestimula os investimentos.

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Recuo global

Os investimentos mundo afora acumulam queda de 41%, se considerado primeiro semestre de 2018. Esse é o ponto mais baixo em período superior a uma década. Isso pode ser percebido ao analisar o primeiro semestre de 2017, quando o volume de investimento atingiu US$ 794 bilhões. No mesmo período de 2018, o montante total foi de apenas US$ 470 bilhões.

Comentário do Assessor de Investimentos (por Lucas Linhares)

Investimento é confiança. Desde o ano passado no Brasil, mais especificamente no mês de maio, quando a gente teve a delação premiada da JBS, viemos passando por uma falta de governabilidade muito grande, nada consegue ser aprovado. Além disso, os investidores estavam cautelosos e curiosos para saber quem seriam as “caras” das eleições. Juntando esses dois pontos, começa a sair dinheiro do Brasil. O investidor fica com medo, fica receoso. Claro que 2018 começou com um cenário favorável, as coisas aparentemente melhorariam ao longo do ano, só que veio o mês de maio com a greve dos caminhoneiros, as incertezas voltaram a aumentar e a confiança diminuiu. O próprio Produto Interno Bruto (PIB) foi revisado 1% para baixo e isso afetou muito a captação estrangeira. Agora, olhando para o futuro, a gente tem um segundo turno das eleições muito polarizado, com dois extremos, e isso não é bom para o país. Levando em conta que, Jair Bolsonaro praticamente está eleito, segundo as recentes pesquisas, a gente tem que ficar muito atento a partir de agora para a agenda econômica dele. Por quê? Se ele cumprir a agenda e as promessas econômicas, com o ministro da Fazenda Paulo Guedes, a gente vai retomar os investimentos estrangeiros, com certeza. Então, só nos resta esperar para ver. E claro, acompanhar o passo a passo, tanto do Bolsonaro, quanto do ministro da Fazenda escalado por ele.

*Se quiser conversar com o Assessor de Investimentos Lucas Linhares, preencha o formulário abaixo informando os seus dados pessoais.

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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