Bradesco (BBDC4): Lazari nega empoçamento de dinheiro

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Bradesco (BBDC4): Lazari rebate governo e nega empoçamento de dinheiro

Presidente do Bradesco (BBDC4), Octavio de Lazari rebateu o governo federal ao dizer que o banco não empoçou dinheiro que deveria destinar às empresas por conta do coronavírus.

“Não houve qualquer arremedo de segurar liquidez, muito pelo contrário”, disse o executivo na manhã desta quinta-feira (30) em conferência com jornalistas e analistas financeiros.

Isso porque no início de abril o ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamou publicamente que o recurso destinado ao socorro das empresas não estava chegando na ponta.

Significa dizer que o dinheiro anunciado pelo governo federal, oriundo do Tesouro, do Bndes e do Banco Central (BC), não chegava às mãos dos empresários.

Como os bancos acabam sendo o ente repassador desses recursos, houve inúmeras denúncias, à época, de falha no aplicativo, bem como dificuldades em tomar empréstimos diretamente nas agências.

De acordo com o executivo, o Bradesco atendeu sete mil operações destinadas a folhas de pagamento, abrangendo 100 mil funcionários, com R$ 24,1 bilhões em volume financeiro e aumento na originação de crédito na casa dos R$ 57 bilhões.

“Movimentamos muito mais do que o próprio governo colocou à disposição das empresas”, disse, em referência aos R$ 40 bilhões anunciados por Guedes, à época.

Veja o desempenho na Bolsa:

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Fonte: tradingview.

Parte da solução

Lazari também disse que diferentemente das crises passadas, onde os bancos eram parte do problema, desta vez eles são parte da solução.

Para o executivo, os entes financeiros serão cada vez mais essenciais à retomada econômica no pós-crise da Covid-19.

Por conta do cenário econômico atual, o banco suspendeu o guidance para este ano. Trata-se da projeção que a empresa faz a respeito das perspectivas para suas atividades.

Inclusive, segundo ele, a queda no lucro líquido de quase 44% no primeiro trimestre, em relação a igual período, se dá, especialmente, pelos efeitos do coronavírus na economia.

“Estamos em um cenário largamente alterado, mas nosso balanço continua forte”, frisou, em referência a outros aspectos dos resultados, com exceção do lucro líquido.

O banco também abriu, previamente, conversas com empresas clientes para tratar da questão da liquidez (capacidade de pagamento) evitando, assim, processo de rolagem de dívida.

Para manter as operações em dia, o Bradesco tem R$ 2,4 bilhões em provisão pré-existente, R$ 200 milhões de provisão requerida especificamente para o mês de março e uma nova provisão complementar de 2,5 bilhões, gerando, assim, saldo de provisão de R$ 5,1 bilhões.

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Resultados

O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,753 bilhões no primeiro trimestre de 2020. Os números representam um recuo de 39,8% na comparação com igual período de 2019.

Segundo a companhia, a redução do lucro líquido no período está relacionada, sobretudo, às maiores despesas com PDD (provisão para devedores duvidosos), impactada pelo reforço de provisão, no valor de R$ 2,7 bilhões para fazer frente ao atual cenário econômico adverso. Leia a notícia aqui.

Ações caem até 7%

Por conta do resultado apresentado no primeiro trimestre deste ano, as ações do Bradesco começaram a deteriorar, caindo quase 7% pela manhã.

Outros bancos, como Itaú, Santander e o Banco do Brasil registram queda menos acentuada, entre 3% e 4%, após o balanço.

Com essa queda de quase 45% no lucro líquido, o retorno sobre o patrimônio caiu de 20,5% no primeiro trimestre de 2019 para 11,7% nos primeiros três meses deste ano.