Bradesco (BBDC3 BBDC4) lucra 39,8% menos no primeiro trimestre

Regiane Medeiros
Economista formada pela UFSC. Produz conteúdo na área de mercado de capitais, finanças pessoais e atualidades.
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Crédito: Wikimedia

O Bradesco (BBDC3 BBDC4) reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,753 bilhões no primeiro trimestre de 2020. Os números representam um recuo de 39,8% na comparação com igual período de 2019.

Segundo a companhia, a redução do lucro líquido no período está relacionada, sobretudo, às maiores despesas com PDD (provisão para devedores duvidosos), impactada pelo reforço de provisão, no valor de R$ 2,7 bilhões para fazer frente ao atual cenário econômico adverso.

Este valor soma-se à parcela pré-existente de R$ 2,4 bilhões, totalizando uma provisão complementar de R$ 5,1 bilhões.

O aumento no PDD foi estabelecido para lidar com o cenário futuro incerto que poderá resultar no “aumento do nível de inadimplência, como reflexo da falência de empresas, aumento no índice de desemprego, bem como a degradação do valor das garantias”, informou o Bradesco.

A rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio (ROE, em inglês) também foi impactada pela pandemia. O indicador sofreu retração de quase a metade, aos 11,7% no primeiro trimestre contra 21,2% no período anterior.

Já as receitas de prestação de serviços registraram R$ 8,28 bilhões no período, avanço de 2,6% sobre igual período de 2019. As despesas operacionais recuaram 0,4%, aos R$ 11,75 bilhões.

Concessão de crédito

Em decorrência da paralisação nas atividades econômicas no país, o Bradesco registrou um forte aumento na demanda por crédito desde o início da crise do coronavírus.

A carteira de crédito expandida do banco avançou 5,1% no trimestre, para R$ 655,1 bilhões.

O aumento foi mais significativo para pessoas jurídicas, com alta de 6,6%.

 

Fonte: Bradesco

Inadimplência

O índice de inadimplência acima de 90 dias também já mostra sinais de aumento. Ao final do primeiro trimestre de 2020 registrou 3,7%, alta de 0,4% frente ao mesmo período de 2019.

Segundo o Bradesco, a partir da segunda quinzena de março, o agravamento da crise do Covid-19 colocou pressão adicional sobre os índices de inadimplência. “Entendemos que essa situação deverá se agravar para o sistema financeiro em geral nos trimestres subsequentes”, diz o comunicado.

Fonte: Bradesco

Projeções

O banco informou também que retirou as projeções (guidances) a respeito dos resultados de 2020, em razão das incertezas e dos impactos na economia da pandemia da Covid-19. “Tão logo tenhamos um cenário que permita maior previsibilidade, o Bradesco avaliará retomar a divulgação de projeções ao mercado”, diz o documento.