BR Malls (BRML3) tem recomendação de compra pela Capitalizo Consultoria

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Norte Shopping / BrMalls

A Capitalizo Consultoria Financeira distribuiu relatório de análise sobre a BR Malls (BRML3), uma das grandes empresas no setor de shoppings centers no Brasil e na América Latina, com recomendação de compra.

“Consideramos esta a melhor oportunidade dentro do setor e por isso estamos recomendando compra”, afirma.

“Devido às incertezas causadas pela pandemia, as ações estão bem descontas e oferecem oportunidade para o longo prazo”, segue o relatório.

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Na análise, os indicadores de mercado normalmente indicados “não servem como base para avaliação, uma vez que os resultados foram impactados por itens não recorrentes”.

A pandemia foi especialmente cruel com o setor, já que shopping centers tiveram que fechar por todo o Brasil.

“De acordo com nosso modelo de fluxo de caixa descontado, o valor justo é de R$ 16,00”, diz a Capitalizo.

Vale ressaltar que a BR Malls informou ontem que realizou em conjunto com a Ancar Ivanhoe estudos preliminares sobre a viabilidade da combinação parcial de seus portfólios.

Preço das ações

Após o pregão de segunda-feira (19), uma ação BRML3 passou a valer R$ 9,47, bem distante dos R$ 16,00 previstos na análise.

Mas não é uma marca impossível.

Em 31 de dezembro do ano passado, o ativo valia R$ 18,06, o que demonstra o impacto da pandemia.

Apesar disso, não foi exatamente a decretação de quarentena que jogou os preços lá embaixo.

De 17 de março para cá, período em que ocorreram os bloqueios sociais e de circulação, a aç~]ao recuou 4,82%.

A média dos últimos três anos está na faixa idealizada pela Capitalizo.

BR Malls em meio à recuperação

A estratégia de investimento nas ações da companhia está centrada na recuperação do ambiente de negócios, diz o relatório.

É sabido que o processo de retomada ainda será lento, gradual e inconstante.

A Capitalizo indica que haverá uma fase pós-pandemia, como se, em algum momento, existisse a linha corte.

Nada indica que isso de fato vá acontecer e é possível que a humanidade ainda viva em torno do risco por muito tempo.

Entretanto, “vale ressaltar que antes das medidas de isolamento e da suspensão temporária das operações, a empresa melhorou substancialmente sua estrutura de capital, reduzindo a alavancagem financeira a partir da reestruturação do portfólio e melhora na qualidade da carteira de lojistas”.

Mais mérito da BR Malls

O que o relatório argumenta está embasado mais em um mérito gestor da empresa do que em um ambiente macroeconômico.

Recentemente, a BR Malls passou por um processo de reciclagem do seu portfólio.

Ou seja, passou a focar em empreendimentos de porte mais elevado e aumentando a presença nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba.

“Antes da reestruturação”, dizem os analistas, “aproximadamente 80% do resultado operacional era auferido com empreendimentos localizados em praças de alta densidade populacional e com alto potencial de consumo, passando para mais de 90% atualmente”.

Empresa se antecipa e compra a Delivery Center

Uma das virtudes da BR Malls está em perceber a mudança de comportamento dos consumidores – o que representa um risco direto.

Ela considera transformar os empreendimentos atuais em hubs logísticos com a expansão da Delivery Center.

Em 5 de outubro, a empresa informou que realizou um novo investimento na Delivery Center, junto com a concorrente Multiplan (MULT3).

As duas empresas fizeram aporte de R$ 30 milhões na startup, uma plataforma de integração de varejos online e físico.

Desse valor, R$ 18,6 milhões serão investidos pela Multiplan, cuja participação será elevada para 26,5% do capital social da Delivery.

Além disso, do montante total do aporte, R$ 9 milhões serão financiados pela BR Malls.

A Cyrela Commercial Properties (CCPR3) também é uma das sócias da Delivery junto o grupo Trigo e a Bloomin’ Brands.

Atualmente, a Delivery Center conta com 40 centrais de entregas distribuídas por 17 cidades e 8 estados e contabiliza 3 mil lojistas integrados ao serviço.

“Com novos investimentos na subsidiária, será possível aprimorar tecnologias de conexão com marketplaces, possibilitando maior
penetração nos centros urbanos atendidos e a entrada em cidades sem lojas físicas”, diz o relatório.

“Mesmo demonstrando resiliência em momentos de crise, ressaltamos a sensibilidade dos resultados a variações na confiança dos consumidores e na inadimplência”, segue.

Riscos

O crescimento do ecommerce é realmente um dos riscos. É uma tendência mundial e foi acentuada na pandemia.

As empresas de comércio eletrônico estão investindo em logística e focando no desenvolvimento de marketplace.

Isso tudo ameaça o fluxo de consumidores em empreendimentos comerciais, reduzindo atratividade para lojistas.

Por isso, o investimento conjunto na startup é tão importante.

Contudo, há outro ensinamento da pandemia: a dependência do consumo.

O segmento de shopping centers está altamente correlacionado a questões macroeconômicas.

Os aluguéis dos lojistas e a taxa de ocupação dos espaços dependem do consumo.

Em caso de desaceleração da atividade econômica, ainda mais tão brusca como vimos em 2020, pode ocorrer aumento da inadimplência e dificuldade de mantê-los ativos.

Além disso, há os aplicativos de transporte.

A tarifa de estacionamento é uma importante fonte de recursos para a BR Malls.

A é a segunda receita mais representativa dentro da receita bruta, com contribuição de aproximadamente 20%.

“Com o crescimento de aplicativos de transporte, os consumidores utilizam novas modalidades de locomoção, reduzindo o fluxo de pagantes e impactando o resultado de estacionamentos”, lembra o relatório.

A BR Malls em números

A empresa tem um portfólio diversificado.

Atualmente, é uma das maiores companhias de shopping centers da América Latina, com participação em 29 shopping centers.

Tem mais de 1,274 milhão de metros quadrados de área bruta locável total, sendo 832,1 mil m² de área bruta locável própria e percentual médio de participação de 65,3% nos shoppings do portfólio.

Está em todas as regiões do Brasil, atendendo a todas classes sociais, especialmente a classe média.

Embora, o segundo trimestre de 2020 tenha dado prejuízo, o que é compreensível, a empresa vinha com bons números.

Em 2019, registrou receita líquida de R$ 1,323 bilhão, 4,5% acima do ano anterior.

O relatório ainda lembra que foram vendidos oito shoppings no ano, fazendo a área bruta locável cair 12,6%.

Os custos com aluguel totalizaram R$ 149,5 milhões, representando um crescimento de 4,7% em bases comparáveis.

Em 2019, foram declarados R$ 751,4 milhões em proventos, bem acima dos R$ 80,0 milhões do ano anterior.

Isso equivalente a R$ 0,89 por ação.