BR Malls (BRML3) e Aliansce (ALSO3) esperam retomada ao longo de 2021

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
1

Crédito: Aliance (ALSO3), JHSF (JHSF3), BR Malls (BRML3) alteram horário de funcionamento de shoppings

BR Malls (BRML3) e Aliansce (ALSO3) esperam retomada de aluguel ao longo de 2021 e pretendem dar ênfase nas operações online.

Em uma live promovida pelo Valor Econômico, as duas empresas donas de shoppings informaram que investirão menos em expansão e mais em canais digitais

Essa medida vai ao encontro da nova realidade do mercado frente à pandemia do novo coronavírus que obstruiu total ou parcialmente o fluxo de consumidores.

Assim, ao invés de priorizarem a construção de novas unidades (“greenfields”) ou a expansão da área dos estabelecimentos já em operação – principais vias de crescimento até então -, será dado cada vez mais peso na integração do comércio físico ao eletrônico.

shopping-loja-magalu

Perfil dos investimentos vai mudar

Presidente da BRMAlls, Ruy Kameyama disse que o perfil dos investimentos futuros vai mudar. “No pós-covid devemos acelerar o ritmo dos investimentos nas soluções digitais”, ressaltou.

E acrescentou que a companhia adotou uma postura “mais cautelosa” em relação a “greenfields” e expansões, que ficarão fora das prioridades no curto prazo.

“Nosso capex será menos no desenvolvimento de ABL (área bruta locável) e mais no sentido de gerar mais soluções e transformações dos shoppings”, explicou.

BRML3: digitalizar estoques

Conforme Kameyama, entre as soluções possíveis está a estratégia de “digitalizar” os estoques dos lojistas.

Significa dizer que vão integrar as mercadorias a vários marketplaces. O objetivo com isso é dar mais visibilidade aos produtos e utilizar os shoppings como centros de distribuição.

A companhia já tem 15 marketplaces integrados e prevê chegar a 20 até o fim do ano.

Os lojistas de oito shoppings já estão cobertos pela iniciativa, e o plano é de chegar a 100% deles até a Black Friday, disse o executivo.

plaza-shopping-niteroi

Os shoppings

De acordo com Kameyama, a BRMAlls deve priorizar os investimentos na transformação dos shoppings, por meio de reformas dos edifícios, renovando o paisagismo e criando mais áreas abertas.

Também continuará sendo dada atenção ao mix de lojistas, com a atração de operações como restaurantes, serviços e entretenimento.

“Os shoppings continuarão sendo locais de encontro e diversão. São espaços que têm a vocação de agregar as pessoas em torno de entretenimento e restaurantes”, avaliou.

BR Malls: Brasil X EUA

Na visão do executivo, estes são os principais diferenciais dos shoppings brasileiros em relação aos de outros países, como Estados Unidos.

Isso porque os shoppings de lá são, tradicionalmente, mais focados nas vendas de mercadorias, e por isso sofreram mais com a concorrência do comércio online.

Já o presidente da Aliansce, Rafael Sales, disse que os investimentos da companhia também darão um peso maior para soluções digitais.

Entretanto, ele ponderou que ainda conserva otimismo para a expansão futura das áreas dos shoppings.

“Neste ano, nós postergamos expansões. Vamos fazer isso no ano que vem ou no próximo, dependendo da retomada da economia”, afirmou.

Ele ressaltou que vê demanda potencial por ampliação das áreas, uma vez que o grupo não tem sofrido com números elevados de pedidos de rescisões de contratos dos lojistas.

Também por esperar uma recuperação gradual das vendas nos próximos meses.

C&A

ALSO3: oito expansões

Ao todo, a companhia tem planos de realizar oito expansões. Já para “greenfields”, a postura também é de cautela.

O executivo concordou com a avaliação de que o futuro dos shoppings passa por uma integração cada vez maior entre o comércio físico e o online.

Para ele, as administradoras dos empreendimentos terão um papel fundamental nessa integração.

Por conta disso, a Aliansce Sonae também tem buscado levar seus lojistas para canais digitais de vendas, como marketplaces.

“Nós temos focado em dar ao lojista satélite capacidade de fazer parte de mundo multicanal”, mencionou.

Lojistas de pequeno porte

Ele explicou que o foco dessa estratégia são os lojistas de pequeno porte, já que as grandes redes têm seus próprios sites de vendas.

“Temos buscado integração dos lojistas com marketplaces, e há forte demanda. Queremos que o lojista nos perceba como parte da solução da vida deles, tanto presencial quanto online”, disse.