Bottom-up: entenda esse conceito da análise fundamentalista

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: EQI

Dentro da análise fundamentalista existem dois tipos de métodos para avaliar um ativo: top-down e bottom-up. Este último conceito prioriza uma análise profunda da empresa, detalhando minuciosamente os múltiplos da companhia para que o investidor possa tomar uma decisão.

Já o top-down é uma abordagem de análise de ações que leva em conta primeiro os fatores macroeconômicos.  Já explicamos tudo sobre ela neste outro post.

  • Para entender como funciona o bottom-up, quando usá-lo e quais são as vantagens e desvantagens desse método, é só ler este texto até o fim. 

O conceito de bottom-up

A estratégia de análise de ações bottom-up é o oposto da análise top-down. Enquanto a última faz uma análise “de cima para baixo”, a bottom-up analisa um ativo “de baixo para cima”.

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Vamos explicar melhor! De forma prática, na análise fundamentalista bottom-up o investidor começa a analisar a empresa em primeiro plano. Na top-down a prioridade é entender antes a macroeconomia, depois analisar o setor e, por último, focar na análise da empresa em si.

Assim é comum dizer que a estratégia bottom-up começa a analisar o “micro” (a empresa) para depois analisar o “macro” (a economia de forma ampla). Desta forma, são levados em conta primeiro os aspectos financeiros de uma empresa específica. Ou, no jargão do mercado, os “fundamentos” do negócio.

Para analisar uma empresa seguindo o conceito bottom-up o investidor deverá se atentar a diversos indicadores inerentes à empresa. Ou seja, são levados em conta os demonstrativos financeiros e os balanços da companhia, os concorrentes, o histórico, a qualidade da administração e a perspectiva de crescimento. Após uma boa análise da empresa o investidor passará a se atentar para os conceitos macroeconômicos.

Os três tipos

São basicamente três os tipos de setores que estão inseridos na abordagem bottom-up:

Indústrias defensivas: também chamadas de anti-cíclicas, são empresas menos reativas aos ciclos econômicos. Este tipo de empresa produz bens de consumo não duráveis, como alimentos e medicamentos. Por isso, são negócios que costumam manter receitas e estruturas já que mesmo em tempos ruins da economia, as pessoas continuam a consumir bens básicos de sobrevivência. Assim, essas também são empresas que não costumam ter grandes saltos de expansão de forma contínua;

Indústrias cíclicas: são empresas altamente suscetíveis aos ciclos econômicos e à alta/baixa da inflação. Entram aqui os bens duráveis, automóveis e setor da construção civil. São empresas que são afetadas pelo grau de expansão da atividade e, assim, são valorizadas quando o PIB está crescendo, mas perdem valor quando a economia perde ritmo.

Indústrias em crescimento: empresas que aproveitam novas oportunidades e crescem sem levar em conta as fases do ciclo econômico. Crescem geralmente mais rápido do que a economia e geralmente são empresas que investem em tecnologia, desenvolvimento e pesquisa. Podem até operar com caixa negativo e pagar pouco ou nenhum dividendo, mas o potencial de valorização a longo prazo pode ser um atrativo. Estão neste patamar empresas de biotecnologia, tecnologia, entre outros.

Quando usar a análise bottom-up?

De forma geral a análise fundamentalista já é muito utilizada por aqueles investidores que fazem buy and hold. Ou seja, que focam no longo prazo e preferem manter suas ações em carteira pelo maior tempo possível.

A análise bottom up, que é um viés da análise fundamentalista, é muito usada pelos holders. Isso porque fornece ao investidor um entendimento profundo de uma empresa e seu negócio.

Levar em conta o cenário econômico é sempre necessário, mas cada empresa tem suas diversas peculiaridades, assim como cada setor. Isso exige que o investidor esteja muito atento e dedique bastante tempo de estudo e análise. É sempre bom lembrar que, quando você compra uma ação, passa a ser sócio daquele negócio. Então seu foco deve ser entender o máximo sobre aquela empresa, o setor e os fatores que impactam aquela companhia.

Pontos a serem analisados

Na análise bottom-up o investidor deve fazer um verdadeiro raio-x da empresa. Indicadores fornecidos pela própria companhia, análises do mercado, fatores que mexem com aquele setor e projeções futuras sobre o negócio devem ser levados em conta.

De forma geral, o futuro acionista deve levar em conta aspectos como: perspectiva de crescimento da empresa, a saúde financeira do negócio e o preço e valor daquela companhia.

Separamos alguns pontos-chave a que o investidor deve ficar atento ao realizar a análise bottom-up:

  • Analise os balanços e demonstrativos financeiros da empresa;
  • Foque em analisar não apenas os números dos últimos meses, mas os últimos anos de atuação da companhia;
  • Levante métricas como P/L, P/VPA, EV/Ebitda, fluxo de caixa, endividamento, distribuição de dividendos, entre outros;
  • Após a análise da empresa compare-a com outras do mesmo setor para ver qual tem mais vantagens competitivas e possibilidades de crescimento;
  • Analise também o setor em que a empresa está inserida. É um setor que tende a se beneficiar no futuro? Que riscos a empresa pode correr?

Vantagens e desvantagens

A principal vantagem da análise bottom-up é que ela geralmente é mais assertiva já que parte de dados específicos de uma empresa.

Por esse motivo ela tende a ser relativamente mais fácil e rápida de aplicar, já que começa em uma visão micro (de analisar uma empresa), do que a top-down (que leva em consideração diversos fatores macroeconômicos para só depois chegar à empresa).

Assim, para a maioria dos investidores buy and hold, essa estratégia tende a ser mais eficiente e direta.

Em geral, na análise top-down é preciso um conhecimento amplo e mais sofisticado de toda conjuntura nacional e externa para então partir para a análise da empresa. Já na bottom-up, como os principais direcionamentos são os números de uma empresa específica, a análise é menos complexa.