Bonds: entenda o que são e como funcionam

André Arantes
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Crédito: Jannoon028 / Freepik

Você sabia que investir no Brasil é investir em 1% dos investimentos do mundo? Veja abaixo onde encontrar parte relevante do iceberg que você não está vendo

O Brasil é um mercado fechado, e só é possível investir nos ativos emitidos aqui com uma conta local. Embora, no mundo não seja assim. Quando você abre uma conta no exterior e se pluga aos investimentos globais, é possível investir em inúmeros países ao mesmo tempo. Sendo assim, abre-se o leque de inúmeras opções de rentabilidade e risco! Dentro desse contexto, aparecem os famosos bonds.

Afinal, o que são bonds?

Os bonds são muito simples de se entender. Localmente, quando uma empresa precisa de dinheiro, ela pode emitir títulos chamados de debêntures. Assim, como quando o governo precisa de dinheiro, emite títulos públicos. Já lá fora, as dívidas de empresas e governos são denominadas bonds.

Então, no caso das empresas, elas possuem alguns modos de se financiar. Sendo recorrer aos bancos, emitir ações ou vender títulos que prometem o pagamento de juros ao longo do tempo, esses são os bonds. Falando em governos, eles irão emitir para financiar escolas, hospitais, creches, estradas, saneamento, etc.

Características dos bonds

Como você pode ver, a finalidade dos bonds é financiar empresas e governos. Mas quais são as características desses títulos? Pode-se enumerar algumas principais características: prazo do de vencimento, fluxo de pagamento, taxa e grau de risco.

Vencimento

Os bonds tem uma data final para quitar o empréstimo com o credor, que é quem emprestou o recurso. Assim, esse prazo pode ser curto, como 2 anos, ou longo, para mais de 10 anos. Afinal, você não empresta recursos a perder de vista, não é? Na verdade sim, existem bonds chamados de “perpétuos”. Nessa modalidade de bonds o credor só recebe pagamentos ao longo do tempo, o dinheiro investido não é devolvido dentro de um prazo, eles nunca vencem!

Os perpetual bonds chegam a se assemelhar com as ações. Pois neles, você fica com o capital investido e vai receber fluxos de pagamento, semelhantes a dividendos. Embora o investidor não possua direito a voto e não tenha parte do capital social da empresa.

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Fluxo de pagamento

Quando você financia um imóvel, as parcelas são diluídas ao longo do tempo. Quem está recebendo essas parcelas, geralmente o banco ou a construtora, tem um fluxo de recebimento dessa dívida. Por consequência, temos o fluxo de pagamento do emissor dos bonds. Ele pode ser uma amortização lá no final do período, quando ele pagará de uma vez só. No entanto, o mais comum seja ter pagamentos semestrais ou anuais até a data de vencimento.

Taxa

Aqui é o que o investidor está de olho no quanto o bond irá remunerar o capital investido ao longo do tempo. Como os bonds são emitidos lá fora, existem algumas possibilidades de remuneração. Não apenas via taxas pré-fixadas, como exemplo 5% ao ano. Mas também podem ser taxas relativas de índices internacionais como a taxa dos Fed Funds ou a taxa LIBOR.

Grau de risco

Esse é o ponto que deve ser de atenção. Sempre que visualizar uma lista de títulos e taxas, saiba que quem paga mais exige um prazo maior para seu dinheiro ou possui mais risco. Porém, nem tudo que é arriscado é ruim, esse é o único modo de ganhar taxas acima da média. O que precisa ser feito é ponderar e entender o risco que se você está disposto acorrer.

Veja que curioso, existem várias empresas brasileiras que emitem bonds no exterior. Quando o estrangeiro olha nossos bonds, eles atribuem um certo risco. Mas, nós sabemos que investir em bonds de bancos como Itaú, Banco do Brasil, são investimentos em que dormimos tranquilos. No entanto, para eles não. Então esses bonds remuneram a taxas bem competitivas lá fora em dólar!

Um dos meios mais fáceis de se analisar o risco de uma dívida é através da classificação de risco. Dessa maneira, quem está emitindo o bond paga uma agência de classificação de risco como S&P, Fitch ou Moodys para dar uma nota de crédito ao título. Posteriormente, de acordo com os movimentos da economia, as agências podem reclassificar os títulos e suas notas irem piorando ou melhorando ao longo do tempo.

Tipos de bonds

Até aqui falamos sobre todas as nuances de um bond, agora vou mostrar mais a fundo os tipos de bonds existentes. Por curiosidade, você sabia que o Tesouro Direto é como se fosse um bond? Apesar da palavra sofisticada, quando olha-se a dívida brasileira emitida lá fora, a denominação dada é de “Brazilian Government Bonds”.

Government Bonds

Essa modalidade é a mais utilizada ao redor do mundo. Tanto nas esferas Federais, como nas Estaduais e Municipais. Esses títulos financiam a dívida pública e movem a economia. Normalmente os títulos Federais são os mais seguros, pois o próprio governo é o emissor da sua moeda. No entanto, observam-se crises ao redor do mundo, como a recente da Argentina, em que a capacidade de pagamento da sua dívida é posta à prova. Atente-se que a taxa de juros argentina é mais de 50% ao ano, então o risco deve ser alto!

O principal título global nessa categoria são os bonds da dívida americana. Aqui mora a solidez e confiança do mercado mundial. Inegavelmente, nos momentos de crise do capitalismo, esse é um dos lugares preferidos para resguardar o capital dos investidores. De acordo com seu vencimento eles recebem diferentes nomes. Os mais longos, Treasury Bonds, com duração de 10 a 30 anos. No vencimento intermediário de 2 a 10 anos existem os Treasury Notes e para finalizar, os títulos de curta duração são os Treasury Bills.

Corporate Bonds

Nessa categoria enquadram-se o maior número de emissores de bonds do mundo, as empresas. Para entender melhor a importância desse tipo de dívida no mercado financeiro, estima-se que o estoque de recursos que os bancos possam captar até ano que vem seja na ordem de mais R$ 200 a R$ 300 bilhões de reais. Porém o mercado financeiro dispõe de mais recursos, então uma importante parcela da alocação será destinada ao mercado de bonds.

Um forte exemplo de capacidade de emissão de dívida é a Petrobrás. Agora que ela começou a vender seus negócios complementares irá focar bastante na exploração de águas profundos, o pré sal. Devido a isso, a sua capacidade de emissão de dívida é de mais de R$ 150 bilhões de reais. Portanto, é um mar de títulos que serão emitidos no mercado tanto local como internacional.

Em suma, as empresas fazem um cálculo da forma mais barata de captar recursos para seus projetos. Diante do resultado, optam por pegar empréstimo dos bancos ou emitir seus bonds.

Agency Bonds

Esses bonds são emitidos por agências governamentais americanas atreladas ao financiamento imobiliário. Assim também são garantidas pela fé e crédito do governo americano, desde que sejam emitidas pelas agências: Federal Housing Administration, Small Business Administration e Government National Mortgage Association.

Existem também os bonds emitidos por empresas patrocinadas pelo governo. Essas empresas são famosas pela crise de 2008, como a Federal National Mortgage Association (Fannie Mae) e Federal Home Loan Mortgage (Freedie Mac). Apesar de serem patrocinadas, não possuem a mesma garantia das anteriores, possuindo taxas maiores aos credores mas também risco de crédito.

Asset-Backed Securities (ABS)

Consistem em bonds com lastro em ativos financeiros. No entanto, nos bonds ABS geralmente não se enquadram dívidas como hipotecas. Sendo assim, estamos falando de dívidas de cartão de crédito, financiamento de automóveis, casas de pré moldado e segunda hipoteca. Por consequência, esse tipo de bond difere da qualidade de crédito de ativos bancários e é destinado a um público qualificado.

Por que comprar bonds?

Em primeiro lugar, ao se investir em bonds aumenta-se a diversificação da carteira. Como estamos falando na terminologia em inglês então vamos considerar que compraremos os bonds, seja de empresas brasileiras ou americanas, no exterior. Com efeito, resolverá a questão de diversificação de duas maneiras, primeiro o risco de crédito dividindo em diversos emissores e segundo o risco cambial, pois estará em dólares ou euros.

Certamente se você tem interesse em seguir nessa direção deverá procurar uma corretora de valores apta a oferecer esse tipo de serviço e que possua também um serviço de assessoria qualificado para te ajudar nessa jornada.

Me chamo André Arantes, sou assessor de investimentos na EQI Investimentos, escritório dedicado a assessoria de investimentos. Indicamos que você sempre observe os riscos e estabeleça uma estratégia de investimentos alinhada ao seus objetivos e perfil de investidor. Estou à disposição para dúvidas.

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