Bolsonaro critica isolamento e falta de humildade de Mandetta

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/YouTube

O presidente Jair Bolsonaro voltou a tratar com uma visão bastante particular – e polêmica – a pandemia de coronavírus que já vitimou 299 pessoas no Brasil.

Entrevistado pelo programa Os Pingos Nos Is, da Jovem Pan, nesta quinta-feira (2), Bolsonaro foi questionado mais uma vez sobre o cenário atual do País e as medidas de isolamento pregadas diariamente pelo Ministério da Saúde.

A “metralhadora verbal” do presidente começou logo no boa noite aos entrevistadores.

“Quero cumprimentar a vocês por tratarem o assunto com a verdade acima de tudo e por não estarem entrando em uma certa histeria que estamos vendo nos últimos 30, 40 dias. Temos que preservar a vida sim, mas sem deixar que os empregos sejam destruídos no Brasil”.

Segundo Bolsonaro, o Brasil tem dois problemas para pensar durante a pandemia: o vírus e o desemprego. E ambos não podem ser tratados de forma separada.

“Temos dois problemas. O vírus e o desemprego. Não pode ser tratada de forma dissociada isso aí. Apelo aos senhores governadores e aos senhores prefeitos, não todos eles, mas alguns, que revejam suas posições”, comentou, fazendo referência ao isolamento adotado em quase todo o Brasil.

Doria vira alvo

Mesmo sem citar nominalmente João Doria, Bolsonaro deixou claro que tanto o governador de São Paulo quanto Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, estão na sua “lista negra”.

“O governador do Rio lá bradou ‘fiquem em casa’, ‘é uma ordem’. Ele está pensando que é o quê? Não é ditadura isso aqui. Proibir de ir à praia? É ao ar livre. Muito melhor do que fazer churrasco com dez camaradas em casa”, disparou, em direção a Witzel.

“Tem gente que está de olho na minha cadeira. Um governador, que não quero citar o nome dele, faz política o tempo todo. Não é fácil governar um país continental como esse com tantas coisas que te atrapalham”, desabafou, em relação a Doria.

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Bolsonaro também comentou a troca de postagens entre Doria e o ex-presidente Lula nesta quinta, nas quais ambos pregaram união independentemente das convicções políticas.

“Se solidarizou com uma pessoa que acabou com o Brasil. Eu estou com vergonha disso aí. Mas, pelo menos, caiu a máscara”, resumiu.

Isolamento?

O presidente lembrou do seu “passeio” por Brasília no último domingo, um dia depois de o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, reforçar a importância do isolamento social. E defendeu sua atitude.

“Fui ver o povo em Taguatinga. É triste o que a gente vê, especialmente entre os informais, que são 38 milhões de pessoas. Esses levaram uma paulada no meio da testa de alguns governadores. Foi uma medida, ao meu entender, exagerada”, opinou.

“Se eu achar que devo ir novamente no domingo agora, eu vou. A responsabilidade é minha. Não tenho medo do perigo e nem da morte. Já passei por isso daí”, completou.

Segundo Bolsonaro, a taxa de mortalidade do vírus não deve afetar a maior parcela da população.

“Devemos abrir paulatinamente o comércio a partir de segunda-feira. O Brasil não aguenta mais isso aí. Muitos não têm Poupança e clamam pela volta ao serviço”, avisou, para, na sequência, usar um gráfico “informando” que as mortes por coronavírus deverão afetar mais as pessoas que não precisam sair para trabalhar.

“Se pegar as estatísticas, de 0 a 30 anos, tem zero mortes no Brasil. Se pegar os 3,3% (taxa atual de mortalidade no País), é gente que tinha outra doença. Temos que seguir alguns protocolos, mas a grande massa poderia estar trabalhando”, opinou.

“Quando você isola e leva ao desemprego, vem a subnutrição. O organismo fica debilitado e a pessoa fica mais propensa a pegar o coronavírus e ter uma letalidade até maior. Pessoas acima de 60 anos são 90% dos óbitos e quase todas tinham uma ou mais doenças graves. É uma pena, claro, mas alguns vão morrer”.

Mandetta “garantido”

O presidente Jair Bolsonaro também deixou claro que não está muito feliz com os pronunciamentos do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, apontado como “estrela” do governo no combate à pandemia de coronavírus.

Apesar de garantir que não está ameaçando o ministro de demissão, Bolsonaro mandou o recado.

“O Mandetta já sabe que a gente está se bicando há algum tempo. Não pretendo demiti-lo durante a guerra. Tenho falado com ele. Está no meio do combate, não tem problema. Não é uma ameaça ao Mandetta. Se ele se sair bem, sem problemas, mas nenhum ministro meu é indemissível”, disparou.

“Acho que o Mandetta, em alguns momentos, deveria ouvir mais o presidente da República. O Mandetta quer fazer valer muito a vontade dele. Pode ser que esteja certo, mas está faltando um pouco de humildade”, completou.

Conta alta

Jair Bolsonaro revelou na exclusiva para a Jovem Pan que assinou quatro medidas provisórias nesta quinta-feira para dar uma aquecida na economia e ajudar empresas e pessoas durante a crise. E adiantou em quanto está a “conta” do governo só em ajuda aos afetados pelo coronavírus.

“A despesa total está na casa dos R$ 600 bilhões. Não esperava e uma hora terá que ser paga. É caríssima, mas demonstra a preocupação do Governo Federal em lutar pela vida”.

O presidente assinou quatro medidas provisórias nesta quinta-feira. Além do coronavoucher, que dará R$ 600 aos trabalhares informais, também foram assinadas as MPs de subsídio a salários de trabalhadores que tiverem jornada de trabalho reduzida, financiamento de folha salarial a pequenas e médias empresas e liberação de recursos para os estados.

No total, o pacote emergencial liberará R$ 200 bilhões, que são equivalentes a 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Cloroquina

Jair Bolsonaro voltou a falar sobre a utilização da cloroquina, medicamento que serve para tratamento da malária, entre outras doenças, como possível remédio contra o coronavírus. E apostou no sucesso da medicação, ainda que não haja comprovação científica de sua eficácia.

“Eu tenho tido conversa com médicos de todo o Brasil. Todos têm me dito que aplicam a cloroquina. Chegou, não espera complicar muito e aplica. Todos disseram que é 100% de sucesso”, discursou.

“O governo americano trabalha em cima disso, a China, Israel também trabalham. Temos esperança. O pessoal está batalhando, está garimpando e tem resultados promissores. Hospitais de renome não divulgam, claro, porque dependem de pesquisa científica, mas o Eistein, por exemplo, tem licença para utilizar”.

Recado à população

O presidente finalizou a entrevista exclusiva convidando “católicos e evangélicos” a fazerem um dia de jejum conjuntamente como prova de fé. E mandou seu último recado à população.

“Tivemos outras gripes no passado e superamos. Da minha comitiva, 18 pessoas foram infectadas, mas está todo mundo bem. Ninguém precisou ir para o hospital”, lembrou.

“Temos que nos preparar para voltar a trabalhar, mais cedo ou mais tarde. Não precisa de alarmismo. Esse vírus, a gente vai ficar livre dele um dia, mas não podemos lá na frente deixar um país de miseráveis. A vida tem que continuar. Para quem tem fé, Papai do Céu está conosco”, finalizou.

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