Bolsonaro usou inquérito das fake news para pressionar Moro a trocar comando da PF

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação/PR

A investigação da CPI das fake news foi o estopim definitivo na briga entre Jair Bolsonaro e Sergio Moro que culminou com a saída do ministro do governo.

Uma troca de mensagens entre o presidente da República e o agora ex-Ministro da Justiça foi exibida no Jornal Nacional, da Rede Globo, e reproduzida pela Folha de S.Paulo.

A troca com Bolsonaro

Nela, Bolsonaro informa a Sergio Moro sobre uma matéria do site “O Antagonista”, intitulada “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas” e, na sequência, emenda: “Mais um motivo para a troca”.

A troca insinuada por Bolsonaro era referente a Maurício Valeixo, ex-diretor da Polícia Federal e gota d’água no pedido de demissão de Sergio Moro.

Moro ainda tentou argumentar com Bolsonaro, informando que Valeixo não tinha nada a ver com as investigações, e que elas teriam sido comandadas “pelo Ministro Alexandre no STF”, em referência a Alexandre de Moraes, um dos membros do Supremo Tribunal Federal.

“Este inquérito é conduzido pelo ministro Alexandre [de Moraes] no STF. Diligências por ele determinadas; quebras por eles determinadas; buscas por ele determinadas. Conversamos em seguida às 9h”, resumiu Moro, em sua mensagem.

Alexandre de Moraes, além de ser o relator da CPI das fake news, também foi o sorteado para comandar as investigações sobre o ato do qual o presidente Jair Bolsonaro participou em Brasília, pedindo, entre outras coisas, o fechamento do Congresso, do STF e a volta do AI-5.

Troca de favores?

Em uma outra troca de mensagens exibida pelo telejornal global e pela Folha, Sergio Moro prova que realmente não condicionou aceitar a saída de Valeixo da Polícia Federal por uma cadeira no STF em novembro, como alegou Jair Bolsonaro.

Essas mensagens, no entanto, foram trocadas com a deputada Carla Zambelli, do PSL, de São Paulo, e considerada uma das mais ferrenhas defensoras de Bolsonaro.

Nas mensagens, Zambelli praticamente implora a Moro para aceitar Ramagem, ex-diretor da Abin, para o lugar de Valeixo na PF, pois, assim, “iria em setembro para o STF”.

Moro responde, claramente, que não se interessa pela troca de favores, cravando: “Prezada, não estou à venda”.

Troca de farpas

A saída de Sergio Moro do governo movimentou o cenário político na sexta-feira. O agora ex-Ministro fez um pronunciamento pela manhã para informar seu desligamento e acabou disparando várias acusações contra o presidente Jair Bolsonaro.

Entre elas, a de querer trocar o comando e a superintendência da Polícia Federal para poder interferir politicamente na instituição, que não é governamental, mas do Estado.

No período da tarde foi a vez de Bolsonaro ir para as câmeras e acusar Moro de tê-lo traído e de “se preocupar com o próprio ego”, além de dizer que o ex-ministro teria aceitado a troca do comando da PF em troca de uma cadeira no STF.

Moro foi ao Twitter rebater as acusações e, mais tarde, enviou as provas para o Jornal Nacional.

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