Bolsonaro quer rever uso de aviões da FAB após se irritar com voo de auxiliar de Onyx

Sabrina Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jair Bolsonaro deve pedir aos assessores que revejam as regras de uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), depois que o Secretário Executivo da Casa Civil, Vicente Santini, usou uma aeronave oficial para viajar para Nova Délhi, na Índia. A viagem pela FAB do auxiliar de Onyx Lorenzoni foi noticiada pelo site do jornal O Globo. As informações são do Estadão.

O presidente se sentiu desconfortável com o voo privado do número 2 do portfólio comandado por Onyx Lorenzoni, enquanto outros ministros optaram por viajar por empresas comerciais.   Santini, que substitui Onyx durante as férias do ministro, viajou no dia 21 do Brasil para Davos, na Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial, e, de lá, para a capital indiana, onde se juntou à comitiva presidencial. Todos os deslocamentos foram feitos em um jato Legacy, da Aeronáutica.

O governo não informa o custo da viagem, mas, segundo funcionários da FAB ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, uma viagem como essa não sai por menos de R$ 740 mil. Santini viajou com mais dois funcionários. A secretária do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), Martha Seillier e a assessora internacional do PPI, Bertha Gadelha.

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De acordo com fontes, Bolsonaro ficou “muito irritado” com o voo “privado” e com a mensagem negativa que pode passar para a opinião pública, ao contrário do discurso de austeridade nas contas públicas adotado pelo governo federal. O presidente não quis se dirigir a Santini, mas “divulgou a notícia” até chegar ao secretário executivo e ele também disse que quer saber como as regras da solicitação da aeronave da FAB funcionam para modificá-las, a fim de evitar “abusos”, como classificou o episódio com Santini.  O assunto já deve estar na agenda de hoje, quando Bolsonaro chegar em Brasília, entretanto, Santini,  deve chegar mais tarde, pois o voo “especial” leva mais tempo.

Ainda de acordo com as fontes, a indignação do presidente, foi aumentada pelo fato de importantes ministros do governo, como Paulo Guedes (Economia), enfrentarem o horário de voo para Davos em aviões comerciais. Além de Guedes, que pagou um “upgrade” para viagens de classe executiva do próprio bolso, a ministra Tereza Cristina (Agricultura), Bento de Albuquerque (Minas e Energia) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde) fizeram voos regulares.

O desconforto com Santini aumentou nos setores governamentais. Os assistentes do presidente questionam sua presença constante em eventos com Bolsonaro, mesmo aqueles que não têm nada a ver com sua área de atuação. Eles também questionam a “desenvoltura” com a qual circula a secretária executiva da Casa Civil no terceiro andar do Planalto, onde está localizado o escritório presidencial.

Segundo o Diário Oficial da União, a viagem de Santini foi autorizada pelo presidente “com um fardo”. Mas o decreto não fala em autorização para solicitar voos da FAB. Questionada, a Casa Civil informou que “o pedido cumpria todos os requisitos previstos na legislação vigente”. “Por uma questão de cronograma, o secretário Santini participou da reunião do Conselho do Governo na terça-feira (21) e partiu para Davos às 14h, chegando bem a tempo de participar dos compromissos assumidos naquela cidade”, afirmou a pasta em nota.
A FAB informou que o pedido cumpriu os requisitos legais.