Bolsonaro quer reduzir normas que regulam segurança do trabalho

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução (YouTube)

O presidente Jair Bolsonaro disse que é preciso reduzir a quantidade de normas que regulam a segurança do trabalho para “facilitar a vida dos patrões”. Segundo o presidente, esse é o caminho porque, “se você acabar com os patrões, não tem emprego”.

A afirmação foi dada na sua já tradicional live nas redes sociais que ocorre às quintas-feiras.

Para chegar a essa conclusão, Bolsonaro citou o exemplo de uma empresa de corte de folha de carnaúba na região conhecida como Matopiba, que engloba os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Uma das multas, segundo o presidente, seria pela ausência de banheiro químico para os funcionários.

“O pessoal cortando folha de carnaúba, 45ºC de temperatura, chega o pessoal para multar. Deu no coitado 100 mil reais em multa. O cara tá no interior, fundão do Agreste, subindo em árvore para cortar folha de carnaúba para fazer cera. Levou umas dez multas, uma delas porque não tinha banheiro químico. Olha só, o cara desce de uma palmeira daquelas de 10 metros, 45ºC, vai ter que andar 100 metros, vai pegar um banheiro químico que está borbulhando em fezes, fecha a porta? Dá 80 graus. Um microondas pra fazer xixi? Tem cabimento isso daí?”, indagou o presidente.

Recordista de acidentes

O presidente afirmou que, embora o Brasil tenha uma série de normas regulamentadores de segurança do trabalho, o país continua “recordista em acidentes de trabalho”: “aí o pessoal reclamou que eu estou ferrando o trabalhador. Ao longo deste tempo todo, são mais de 3000 itens para serem multados, mas continuamos recordistas em acidentes de trabalho”.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), entretanto, não corrobora com o exagero do presidente. De acordo com dados da entidade, ocorrem anualmente 270 milhões de acidentes relacionados ao trabalho em todo o mundo. Aproximadamente 2,2 milhões deles resultam em mortes. No Brasil, são 1,3 milhão de casos, que têm como principais causas não o excesso de regras, mas o descumprimento de normas básicas de proteção aos trabalhadores e más condições nos ambientes.

Além do mais, o Brasil não é o “recordista em acidentes de trabalho”, embora não ocupe uma posição muito decente no ranking. O país é o quarto colocado em mortes decorrentes de acidentes de trabalho, com 2.503 óbitos, atrás de China (14.924), Estados Unidos (5.764) e Rússia (3.090). China e EUA são notórios países onde há pouca regulamentação trabalhista.