Garimpo para índios e troca de farpas com a OAB: O resumo político do dia

Em conversa com jornalistas nesta manhã (29) no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro defendeu que não há indícios fortes de que o  índio Emyra Waiãpi tenha sido assassinado por garimpeiros que invadiram área indígena no Amapá.

Filipe Teixeira
Filipe Teixeira é redator do Portal EuQueroInvestir. Gremista, filho dos anos 80, apaixonado por filmes, música, política e economia.É também Coordenador da área de Marketing do EuQueroInvestir.com e do EuQueroInvestir A.A.I assessores de investimentos.Me envie um e-mail: filipe.teixeira@euqueroinvestir.com Ou então uma mensagem por WhatsApp: (51) 98128-5585 Instagram: filipe_st

Crédito: Crédito da imagem: Antonio Milena/Revista Veja

O presidente foi adiante e afirmou que reservas inviabilizam negócios, pois o Brasil vive de commodities e finalizou dizendo que pretende regulamentar garimpo “até para o índio”. Para Bolsonaro, ONGs e outros países (sem citar exemplos) seriam contrários, já que defendem a ideia de que os indígenas fiquem presos em um “zoológico”, como se fosse um “animal pré-histórico”.

“É intenção minha regulamentar o garimpo, legalizar o garimpo, é intenção minha, inclusive para índio. Tem que ter o direito de explorar o garimpo na tua propriedade. A terra indígena é como se você propriedade dele”, afirmou o presidente.

Entenda o caso

Neste domingo (28) a polícia militar afirmou que o corpo do indígena Emyra Waiãpi, morto em uma área indígena no Amapá, apresentava perfurações e cortes na região pélvica.

Emyra era um dos líderes dos Waiãpi, que denunciaram no sábado (27) a invasão de suas terras por garimpeiros.

conflito indígena amapá

Ocorrida em 23 de julho, a morte do líder indígena foi reportada apenas quatro dias depois.

Em coletiva de imprensa realizada na manhã deste domingo, o ministério público afirmou que segue acompanhando o caso mas não confirmou a origem do conflito.

“De fato ocorreu um homicídio, de circunstâncias não identificadas, de segunda (22) para terça (23), de uma liderança indígena. Ainda não sabemos como se deu a autoria dessa morte, se foram garimpeiros, caçadores, “não-índios” ou mesmo, se a disputa ocorreu entre os indígenas. As circunstâncias não estão muito claras sobre o que acontece então. Não se sabe exatamente que grupo é esse, mas precisamos apurar melhor”, informou o procurador do Ministério Público federal Rodolfo Lopes.

Já a Funai, por meio de nota, confirmou a invasão e o clima de tensão na reserva Waiãpi.

“Com base nas informações coletadas pela equipe em campo, podemos concluir que a presença de invasores é real e que o clima de tensão e exaltação na região é alto”, reportou o órgão.

Troca de farpas e live no cabeleireiro

A grande polêmica do dia ficou mesmo por conta da troca de farpas entre Jair Bolsonaro e o presidente da OAB Felipe Santa Cruz.

Em uma coletiva de imprensa, Bolsonaro atacou a OAB ao falar sobre as investigações contra Adélio Bispo, responsável pelo atentado ao presidente, durante a campanha eleitoral.  A conclusão da Polícia Federal concluiu que Adélio agiu sozinho, sendo considerado inimputável pela Justiça por transtornos mentais. Cabe lembrar que o presidente não recorreu da decisão.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

O presidente questionou o papel da Ordem dos Advogados do Brasil ao indagar “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados (de Adélio)? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”,  mas o “chumbo grosso” estava mesmo direcionado à Felipe Santa Cruz:

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade”

Crédito imagem: Cristovão Bernardo OAB SP

Sem papas na língua, como de praxe, o presidente Bolsonaro foi além:

“Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”

Em nota pessoal, encaminhada a amigos através do WhatsApp, Felipe Santa Cruz afirmou que  Bolsonaro desconhece a diferença entre público e privado, demonstrando em mais uma oportunidade, “crueldade” e  “falta de empatia”.

“É de se estranhar tal comportamento em um homem que se diz cristão. Lamentavelmente, temos um presidente que trata a perda de um pai como se fosse assunto corriqueiro – e debocha do assassinato de um jovem aos 26 anos”, escreveu.

Tréplica entre uma tesourada e outra

Mais tarde, em sua conta oficial no Facebook, o presidente Bolsonaro realizou uma live enquanto cortava o cabelo, onde falou mais um pouco sobre o o pai do presidente da OAB, confirmando que ele “integrava o grupo mais sanguinário” no período militar.

O Presidente disse também que a “Ação Popular resolveu sumir com o pai do presidente da OAB”, afirmando que “não foram os militares que mataram o pai de Felipe Santa Cruz”. “A esquerda quando desconfiava de alguém naquela época, executava”.