Bolsonaro: pauta-bomba de ajuda a Estados não deve ser votada nesta semana

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil/Divulgação

O projeto de ajuda financeira aos Estados e municípios durante a pandemia de coronavírus, aprovado na Câmara segunda-feira, não deve ser votado nesta semana no Senado, segundo o presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com informações da CNN Brasil, Bolsonaro avisou a Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que a proposta será votada, mas não nesses próximos dias.

“Conversei com ele [Alcolumbre] hoje de manhã. Não deve votar. Vai votar, mas não deve ser esta semana”, resumiu Bolsonaro, após tomar café da manhã com o chefe do Senado.

Considerada uma “pauta bomba” pelo Governo, a ajuda financeira aprovada pela Câmara obriga a União a cobrir, durante os meses de maio a outubro, a queda da arrecadação de ICMS e de ISS, principais impostos e fontes de renda dos entes federativos.

Governo propõe medida alternativa

A equipe econômica do governo federal, capitaneada pelo Ministro Paulo Guedes, apresentou nesta terça-feira (14) uma proposta alternativa ao socorro emergencial aprovado pela Câmara.

O auxílio proposto pelo Governo chegaria a um total de R$ 127,3 bilhões quando somadas todas as medidas anunciadas. A mais recente é um aumento de R$ 77 bilhões na ajuda da União aos Estados e municípios.

Waldery Rodrigues, secretário especial da Fazenda, afirmou que a sugestão do governo é mais vantajosa “em vários graus” ao texto-base aprovado pela Câmara na segunda-feira.

“A nossa proposta traz diversos graus de superioridade em relação ao que foi aprovado ontem pela Câmara dos Deputados”, sintetizou, em coletiva no Palácio do Planalto.

Rodrigo Maia lamenta uso de “fatos distorcidos”

Pouco depois de o governo federal divulgar um plano paralelo ao aprovado pela Câmara, Rodrigo Maia, presidente da Casa, concedeu entrevista coletiva para dar sua opinião sobre o assunto.

Ao mesmo tempo em que lamentou o fato de “dados distorcidos” terem sido usados para criticar a proposta feita e aprovada na Câmara dos Deputados, Mais ressaltou qual a prioridade neste momento.

“Queremos que todos os Estados e municípios tenham capacidade de enfrentar a crise, e o único ente que tem o poder de garantir isso é a União, que tem o poder de emitir moeda”, pontuou.

Na visão de Rodrigo Maia, o prazo de auxílio aos Estados e municípios terá que ser bem maior do que o de três meses projetado pela equipe de Jair Bolsonaro na proposta anunciada nesta terça-feira.

“O governo acha que garantirá apoio por dois ou três meses, na minha opinião vai ter que ampliar o prazo”, disparou.

“Essa crise ainda está começando. Os Estados vão precisar de um apoio maior do que o proposto por nós e pelo governo e também para garantia dos empregos. O que precisamos fazer é garantir condições mínimas para Estados e municípios continuarem funcionando”, comentou o deputado.

Mandetta “garantido”

O presidente da República usou de ironia quando questionado por um repórter se o Ministro Henrique Mandetta seguiria no comando da Saúde.

“Beijo para você. Hétero, lógico”.

O presidente também foi um pouco sarcástico quando ouviu um apoiador reclamar da falta de máscaras no País.

“Pergunta para o pessoal da imprensa ali se tem alguma coisa errada na Saúde, se está tudo bem na Saúde”, disparou.

Bolsonaro e Mandetta vêm se desentendendo há algum tempo e a situação piorou depois que o ministro deu entrevista ao Fantástico criticando o presidente nas entrelinhas.

Nesta terça, Mandetta foi questionado a respeito do assunto em sua primeira aparição pública após o mal-estar, mas preferiu minimizar.

“Não vejo nesse sentido (de forçar demissão). Foi mais uma questão relacionada à comunicação. Nada além disso daí”, minimizou.

Câmara aprova texto-base de ajuda a Estados e municípios

Governo propõe R$ 127,3 bi a Estados como alternativa a projeto da Câmara

Maia: governo usa dados distorcidos para criticar proposta da Câmara