Bolsonaro: isolamento social para achatar a curva se mostrou inútil

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação/Palácio do Planalto

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar, em live transmitida nesta quinta (3o), o isolamento social como estratégia para conter a curva exponencial da pandemia do novo coronavírus.

A medida, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotada pela maior parte dos países, vem sendo alvo de ataques de Bolsonaro desde os primeiros casos registrados no Brasil.

Segundo boletim divulgado nesta quinta pelo ministério da saúde, o país tem 85.380 infectados. O número é maior  do que o da China, onde o surto começou no final de 2019.

A doença no país causou a morte de 5.901 pessoas, 435 óbitos em 24 horas. Autoridades sanitárias vêm reforçando que esse número poderia ser maior se muitos governadores e prefeitos não determinassem a quarentena — embora o número de adesão esteja caindo.

Bolsonoro, no entanto, lamentou que “grande parte da população” esteja proibida de trabalhar, por causa do distanciamento social e do fechamento do comércio.

Desemprego

O presidente atacou o decreto dessas medidas. Acredita que elas não fizeram efeito na contenção da curva de contaminação.

“Eu já disse, 70% da população vai ser infectada [pelo novo coronavírus]. Pelo que estamos vendo, todo o empenho para achatar a curva praticamente foi inútil”, afirmou.

E sustentou: “O efeito colateral disso é o desemprego. O povo quer voltar a trabalhar. Todo mundo sabe que, quanto mais jovem, menos problemas tem de ter uma consequência danosa em sendo infectado pelo vírus”, afirmou Bolsonaro.

“Isso tudo vai colocar ainda mais gente na rua e aumentar o número de informais”, disse ele, após citar o auxílio emergencial do governo. “Nosso governo atendeu essas pessoas que precisam dessa renda.”

“Esse isolamento precisa acabar”, completou.

Nomeação na PF

Bolsonaro também falou sobre o cancelamento da nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal, suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Foi uma liminar monocrática do ministro”, repetiu a frase que disse durante a posso do novo ministro da Justiça, Andre Mendonça.

O presidente insistiu para que o STF reverta a decisão que suspendeu a indicação e posse do delegado no cargo.

“Eu faço um apelo ao ministro do STF, aos demais ministros. Não é por mim, é pela vida pregressa desse homem, por tudo aquilo que ele já fez pela pátria, no combate à corrupção e à criminalidade , que reveja essa situação para que ele possa assumir”, disse o presidente.

Bolsonaro mencionou parte do currículo do ainda diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). “Ele participou da operação Lava Jato no Rio”. lembrou.

Na manhã de ontem (29), o ministro Alexandre de Moraes decidiu suspender o decreto de nomeação e a posse de Alexandre Ramagem no cargo.

Na decisão, o ministro citou declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que ao deixar o cargo na semana passada acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF.

Ramagem é próximo da família do presidente e atuou em sua segurança pessoal, após a vitória no segundo turno das eleições.

*com Agência Brasil

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