Bolsonaro sobre isolamento social: “Maioria quer voltar ao trabalho”

Paulo Amaral
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Crédito: Carolina Antunes/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro fez seu 5º pronunciamento em rádio e TV desde o início da pandemia do coronavírus na noite desta quarta-feira (8).

Evitou declarações polêmicas, mas voltou a mencionar o distanciamento social no discurso – desta vez sinalizando que pretender ver a volta dos brasileiros que estão em isolamento social por recomendação de prefeitos e governadores  aos trabalho.

A OMS e o ministério da Saúde defendem que o distanciamento é a melhor forma de se evitar o aumento expressivo de casos do Covid-19.

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Na mesma noite, o ministro Alexandre de Moares, do Supremo Tribunal Federal, decidiu que estados e municípios têm autonomia para recomendar medidas restritivas para frear o avanço do coronavírus.

Decisões para a economia

Poucas horas depois de conversar ao vivo com José Luiz Datena, apresentador da TV Bandeirantes, o presidente focou seu pronunciamento nas decisões governamentais para salvar a economia durante a crise da Covid-19.

“A partir de amanhã, começaremos a pagar os R$ 600 de auxílio emergencial por três meses aos trabalhadores informais. Disponibilizamos R$ 60 bilhões, via Caixa Econômica Federal, para micro e pequenas empresas”, pontuou ele, que se solidarizou pela primeira vez desde o início da crise com as vítimas da pandemia.

“Sintonizados comigo”

Além de citar o auxílio-emergencial de R$ 600 aprovado para os trabalhadores informais, e os bilhões liberados para auxiliar empresas, Bolsonaro também voltou a falar sobre as medidas de isolamento adotada pelos governadores. E ressaltou que a maioria do povo brasileiro quer voltar a trabalhar.

“Vivemos um momento impar em nossa história. Ser presidente da República é olhar o todo, e não apenas as partes. Não restam dúvidas de que nosso objetivo principal sempre foi salvar vidas”.

Sem citar o ministro Luiz Henrique Mandetta, com quem fez as pazes em reunião particular no início da manhã, Bolsonaro deu o recado para todos os membros da alta cúpula.

“Tenho a responsabilidade de decidir sobre as questões do País de forma ampla. Todos devem estar sintonizados comigo. Tenho certeza de que a grande maioria dos brasileiros quer voltar a trabalhar. Essa sempre foi a minha orientação aos meus ministros, respeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde”.

Presidente defende cloroquina

Bolsonaro também voltou a rotular o uso da cloroquina como benéfico no tratamento da Covid-19 e deu uma “boa notícia”para os cidadãos.

“Há pouco conversei com o doutor Kalil (Roberto), que não só usou a hidroxicloroquina, como ministrou para pacientes em fase inicial. Todos estão recuperados. E vou dar uma boa notícia. Conversei há pouco com o primeiro-ministro da Índia e receberemos, até sábado, a matéria prima para continuar produzindo a hidroxicloroquina”, celebrou.

Recado aos governadores

O tom de Bolsonaro não subiu o tom nem mesmo quando o assunto abordado no pronunciamento foi seu relacionamento com os governadores.

Ao contrário do que tem feito em suas últimas declarações, o presidente não provocou seus desafetos mais recentes, João Doria e Wilson Witzel, governadores de São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente.

“Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas restritivas são de autoridades dos mesmos e não passaram pelo Governo Federal. Espero que saiamos todos juntos dessa crise”.

Pazes com Mandetta

Poucas horas antes do pronunciamento em rede nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) revelou, em entrevista para a TV Bandeirantes, que fez as pazes com o ministro Luiz Henrique Mandetta.

Em contato por telefone com José Luiz Datena, Bolsonaro assegurou que o mal-estar entre ele e o Ministro da Saúde está superado.

“A reunião foi só eu e ele. Se vazar algo, vai ser da parte dele. Conversamos e, acima de nós dois está o interesse do Brasil. Foi tudo acertado. É comum acontecer, em um momento em que todo mundo está estressado, alguns problemas”, relativizou.

Bolsonaro ainda elogiou a postura de Mandetta por ter mudado de ideia em relação ao uso da hidroxicloroquina para pacientes em estágio inicial de Covid-19.

“Ele decidiu, na questão da hidroxicloroquina, permitir que pacientes em início de tratamento possam utilizar. Até o parabenizo por isso. Vamos tocar o barco. Vamos em frente”.

Coronavírus comparado a uma “chuva”

No início da rápida entrevista para a TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro voltou a usar uma frase que adotou como espécie de mantra para se referir ao coronavírus.

Antes chamada de “gripezinha”, a doença, agora, é comparada a uma chuva pelo Chefe de Estado.

“A chuva [vírus] está aí. Alguns podem morrer afogados na chuva”, sintetizou.

No dia 1º de abril, pouco depois de postar um vídeo divulgando, falsamente, que o Ceasa de Belo Horizonte estava sofrendo com desabastecimento, Bolsonaro comparou o coronavírus com a chuva pela primeira vez.

“O vírus é igual a uma chuva. Ela vem e você vai se molhar, mas não vai morrer afogado”, argumentou.

“Tem essas pessoas mais fracas. Às vezes a pessoa vive pobre, fraca por natureza, dada a falta de uma alimentação mais adequada. Então essas pessoas são quem sofre mais”, concluiu.

Panelaços

O presidente foi outra vez alvo de protestos pelo país. Os panelaços ocorreram em cidades como Recife, Natal, Cuiabá, João Pessoa, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.

As manifestações incluíram gritos de “fora Bolsonaro” de janelas e sacadas de prédios. Muitos vídeos desses protestos foram postados nas redes sociais. Esse abaixo foi filmado em Salvador.

 

 

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