Bolsonaro faz live com ataques à Rede Globo e ao jornalista Vladimir Netto por matéria do Fantástico

Paulo Amaral
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Crédito: YouTube

Alvo de uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, sobre as declarações do ex-ministro Sergio Moro a respeito de seu suposto desejo de interferir nas investigações da Polícia Federal, o presidente Jair Bolsonaro foi à forra. Ou, pelo menos, tentou.

O presidente da República sofreu com as falhas da internet no Palácio da Alvorada e, além de criticar sua equipe ao dizer que “o presidente da República tem que ter esse instrumento para poder bem trabalhar”, disparou contra a Globo e o repórter Vladimir Netto, responsável pela matéria veiculada no Fantástico.

“O Fantástico acabou agora uma matéria que quem apresentou foi seu Vladimir Netto, filho da Miriam Leitão, cuja esposa trabalhava até pouco tempo como assessora de imprensa, DAS-6, do sr Sergio Moro, no Ministério da Justiça. Só isso aqui já dá pra encerrar, mas vamos lá”, iniciou Bolsonaro, já com um erro de informação.

Giselly Siqueira, esposa de Vladimir Netto, realmente trabalhou como assessora de Sergio Moro, mas deixou o cargo em julho de 2019, ou seja, não há tão “pouco tempo” assim, como afirmou o presidente.

A intenção de Bolsonaro era rebater as apurações da matéria, que apresentou a deputada Lídice da Mata (PSB-BA), da CPMI das Fake News, dizendo que a investigação parlamentar está se aproximando do filho do presidente.

Bate-boca via Twitter

Demitido na última sexta-feira, Sergio Moro iniciou uma série de acusações contra Bolsonaro. Desde então, os dois passaram a discutir via Twitter.

A crise política impulsionada pela demissão do agora ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, saiu dos corredores do poder para ganhar capítulos no Twitter, rede social preferida do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Os dois aliados de outrora agora se acusam e movimentam aliados e desafetos.

O centro da questão é a demissão do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, exonerado na sexta-feira.

“O Diretor da PF Maurício Valeixo estava cansado de ser assediado desde agosto do ano passado pelo Presidente para ser substituído. Mas, ontem, não houve qualquer pedido de demissão, nem o decreto de exoneração passou por mim ou me foi informado”, escreveu em sua conta no Twitter o ex-ministro.

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Em sua defesa, de que não está interferindo na Polícia Federal, Bolsonaro usou como argumento, na mesma sexta em que o ministro fez a acusação, a lei 13.047 de 2014 e tuitou “Art. 2º-C. O cargo de Diretor-Geral, NOMEADO PELO PRESIDENTE DA REPÚBLICA, é privativo de delegado de Polícia Federal integrante da classe especial”.

Moro, então, usou o Twitter para se defender da acusação de “ingratidão”: “Sobre reclamação na rede social do Sr.Presidente quanto à suposta ingratidão: também apoiei o PR quando ele foi injustamente atacado. Mas preservar a PF de interferência política é uma questão institucional,de Estado de Direito, e não de relacionamento pessoal”.

Vaga no STF

Moro não só saiu atirando, como deu ao Jornal Nacional (JN), da Rede Globo, prints de conversas suas pelo aplicativo de mensagens Whatsapp, entre ele e o presidente, ocorridas na quinta-feira (23), onde Bolsonaro cobrou mudança no comando da Polícia Federal.

Segundo o portal G1, do Grupo Globo, “o contato é identificado por ‘presidente novíssimo’, indicando ser o número mais recente de Bolsonaro. A imagem mostra que o presidente enviou a Moro o link de uma reportagem do site ‘O Antagonista’ segundo a qual a PF está ‘na cola’ de dez a 12 deputados bolsonaristas”.

“O presidente, então, escreveu: ‘Mais um motivo para a troca’, se referindo à mudança na direção da Polícia Federal”, mostra a reportagem.

Então, surgiram informações de que Moro havia condicionado aceitar a troca de Valeixo caso fosse indicado ao STF.

“O ex-ministro mostrou ao JN a imagem de uma troca de mensagens com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), aliada de primeira hora de Bolsonaro”, diz a reportagem.

“Na troca de mensagens, Carla Zambelli diz: ‘Por favor, ministro, aceite o Ramage’, numa referência a Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ramagem é um dos candidatos de Jair Bolsonaro para a Direção-Geral da Polícia Federal. E vá em setembro pro STF. Eu me comprometo a ajudar. ‘A fazer JB prometer’, completou”.

No Twitter, a deputada se disse traída por Moro, que foi seu padrinho de casamento e foi para uma rodada de entrevistas na Rádio Jovem Pan e na CNN Brasil, mostrando sua versão, com prints também, dizendo que não poderia influenciar ou indicar o padrinho para qualquer cargo.

Moro, então respondeu: “A permanência do Diretor Geral da PF, Maurício Valeixo, nunca foi utilizada como moeda de troca para minha nomeação para o STF. Aliás, se fosse esse o meu objetivo, teria concordado ontem com a substituição do Diretor Geral da PF”.

Troca de recados

Bolsonaro seguiu se defendendo via Twitter.

Nesse domingo (26), soltou uma mensagem com o vídeo da fala de Susanna Val Moore, presidente do Sindicato dos Policiais Federais em São Paulo, dizendo que “Lamentavelmente o ex-ministro mentiu sobre interferência na PF. Nenhum superintendente foi trocado por mim. Todos foram indicados pelo próprio ministro ou diretor geral. Para mim os bons Policiais estão em todo o Brasil e não apenas em Curitiba, onde trabalhava o então juiz”.

Gabinete do ódio

O ex-ministro Sergio Moro passou a ser alvo de ataques da massa bolsonarista. Foi ao Twitter dar seu recado, parafraseando o slogan do governo “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”: “Tenho visto uma campanha de fake News nas redes sociais e em grupos de whatsapp para me desqualificar. Não me preocupo; já passei por isso durante e depois da Lava Jato. Verdade acima de tudo. Fazer a coisa certa acima de todos”.

O “gabinete do ódio”, como ficou conhecido o núcleo em volta do filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos), ficou incomodado com reportagem da Folha de São Paulo que reporta que Bolsonaro teria escolhido para a PF um amigo de Carlos.

“E daí?”, teria perguntado o presidente, enquanto uma foto de Alexandre Ramagem confraternizando com Carlos ilustra a matéria.

Carlos Bolsonaro também foi au Twitter para se explicar: “Já que dizem que uma foto diz muito, espero destes acusadores, que valha para todos:”, mostrando Moro com o agora deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e com Joice Hasselmann e Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados e um dos alvos principais da turba bolsonarista.

“Ter uma foto ao lado do Delegado chefe da Segurança do eleito presidente da República: crime, absurdo, influência… mostrar outras fotos: absurdo, fotos antigas, baixo nível, fora bozo, morre praga, mimimi…. tirem suas conclusões!”, escreveu ainda o filho do presidente.

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