Bolsonaro discursa a apoiadores que pediam volta do AI-5

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Poder360

O presidente Jair Bolsonaro voltou a desobedecer a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a desafiar o coronavírus neste domingo (19), em Brasília.

Sem utilizar máscara ou qualquer tipo de equipamento de proteção, Bolsonaro desceu a rampa do Planalto, subiu em cima de um veículo e, em frente ao Quartel General do Exército, falou com uma multidão de apoiadores que pediam a volta do AI-5.

Bolsonaro não fez qualquer menção aos pedidos de intervenção militar no País, mas ressaltou o “patriotismo” dos cidadãos que foram às ruas e ignoraram as medidas restritivas adotadas no combate ao coronavírus.

“Eu estou aqui porque acredito em vocês”, bradou, no início de seu discurso de aproximadamente dois minutos e meio de duração.

“Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção têm que ser patriotas. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder”, completou.

Enquanto ouvia gritos de “Fora Maia”, em alusão ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e pedidos de fechamento do Supremo Tribunal Federal, que decidiu contra Bolsonaro e a favor de governadores e prefeitos na questão do isolamento social, o presidente afirmou que seguirá “lutando pela democracia” e pela “vontade do povo”.

O presidente chegou a dizer que “nós não iremos negociar nada”, mas não ficou claro se se referia às brigas recentes com o STF ou com o próprio Rodrigo Maia.

“Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza, todos nós juramos um dia dar a vida pela pátria. E vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil”, assegurou.

Críticas à imprensa no Twitter

Bolsonaro, coronavírus

Um pouco antes de sair para se encontrar com os manifestantes em Brasília, Jair Bolsonaro utilizou sua conta no Twitter para criticar a imprensa e, por tabela, os efeitos do isolamento social na economia do País.

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O presidente reproduziu a reportagem da capa do jornal O Estado de S.Paulo deste domingo, com a manchete “No País, 91 milhões deixaram de pagar alguma conta em abril” para ironizar a publicação.

“Essa mesma imprensa diz que todos devem FICAR EM CASA”, postou.

“A continuar com o FECHA GERAL não está difícil de saber o que nos espera”, complementou Bolsonaro, reiterando as críticas que o fizeram trocar o comando do Ministério da Saúde na última semana.

O que foi o AI-5

O AI-5 citado pelos apoiadores do presidente como a “solução” para o Brasil foi um ato baixado durante o governo Costa e Silva, um dos cinco generais que governaram o Brasil durante o período da ditadura militar.

O ato é, até hoje, considerado um dos mais repressivos da ditadura, pois cassou mandatos de políticos e suspendeu direitos garantidos pela Constituição.

Essa não é a primeira vez que o Governo Bolsonaro se vê envolvo com o assunto. Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, e Paulo Guedes, ministro da Economia, chegaram a abordar o AI-5 em dezembro do ano passado, e Jair Bolsonaro minimizou os episódios.

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