Bolsonaro fala sobre Covid e sugere fim de isolamento para manter empregos

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Isac Nóbrega/PR

O presidente Jair Bolsonaro fez uma pronunciamento em cadeia de rádio e TV nesta terça (24) para falar sobre a pandemia de coronavírus no Brasil.

Bolsonaro afirmou que o novo coronavírus está sendo enfrentado pelo governo e pediu calma à população: “Sem pânico ou histeria, venceremos o vírus e nos orgulharemos”.

O pronunciamento incluiu divergências do presidente sobre a adoção da quarentena, determinada por governos estaduais e municipais contra a propagação do coronavírus, e causou controvérsia: foi alvo de críticas e debate nas redes sociais.

Sustento das famílias

Na fala à cadeia de rádio e TV, o presidente voltou afirmar que os empregos serão mantidos durante a crise provocada pela pandemia.

“O sustento das famílias será preservado”, disse Bolsonaro, referindo-se às medidas divulgadas pelo governo para enfrentar a crise provocada pela pandemia.

A atividade econômica no país não vai parar, afirmou ele.

Nos últimos dias, o governo vem anunciando ações para tentar frear o avanço do Covid-19 e minimizar os efeitos da crise,

“Nossa vida tem de continuar”

Bolsonaro afirmou que as autoridades devem evitar medidas como proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa.

“Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”, afirmou, sugerindo o fim do isolamento social adotado nas cidades brasileiras para conter a disseminação do vírus.

O plano de confinamento é indicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como a melhor estratégia para conter o Covid-19 e foi adotado nas principais cidades do mundo afetadas pela pandemia.

O presidente voltou a dizer que o grupo de risco para a doença é o das pessoas acima dos 60 anos de idade e que não teria necessidade decretar o fechamento de escolas, já que, ele argumentou, são raros os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos.

O discurso também contraria medidas sugeridas pela OMS e até pelo próprio ministério da Saúde.

Preocupação

Segundo Bolsonaro, 90% da população não terá qualquer manifestação da doença, caso se contamine, e a preocupação maior deve ser não transmitir o vírus, “em especial aos nossos queridos pais e avós”.

Bolsonaro, que fez dois testes para verificar se estaria infectado na volta de uma viagem a Miami, disse no pronunciamento que “por ter sido atleta, pegaria apenas uma gripezinha, um resfriadinho”.

Vinte e quatro integrantes de sua comitiva que foi aos EUA testaram positivo para o Covid-19

Criticou a imprensa por “espalhar o pânico” ao divulgar notícias sobre a pandemia na Itália. A doença matou quase 7 mil pessoas no país. Bolsonaro disse que é exagero comparar a situação do país europeu com o Brasil.

“Não podemos nos comparar com a Itália”

Neste domingo (22), em reunião com alguns dos prefeitos das capitais mais importantes do País para tratar sobre o alinhamento no combate ao coronavírus, Bolsonaro havia pedido o fim das comparações com a Itália.

Ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro elogiou a troca de ideias, feita de forma virtual, mas fez um alerta: “Não podemos nos comparar com a Itália. Lá o número de habitantes por quilômetro quadrado é 200. Na França, 230. No Brasil, 24. O clima é diferente. A população lá é extremamente idosa”, ponderou, de acordo com o UOL.

Elogios a Mandetta

Sobre os trabalhos das equipes de saúde em todo o país, coordenadas pelo ministro da Saúde, Henrique Mandetta, Bolsonaro declarou que ocorreu um planejamento estratégico para manter um atendimento eficaz dos pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Jair Bolsonaro disse ainda acreditar na capacidade dos cientistas e pesquisadores para a cura dessa doença e falou que o governo recebeu notícias positivas sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19.

Ele aproveitou o pronunciamento para agradecer quem está na linha de frente no combate ao novo coronavírus. “Aproveito para render minha homenagem a todos os profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, técnicos e colaboradores, que na linha de frente nos recebem nos hospitais, nos tratam e nos confortam.”

 

Post no Facebook exalta Guedes

Antes de gravar o pronunciamento na TV, Bolsonaro fez um post no Facebook elogiando o ministro da Economia Paulo Guedes: “Irmão para as horas difíceis”.

A publicação foi feita no mesmo dia em que aumentaram os rumores de que Guedes estaria perto de ser demitido do governo.

Os boatos se propagaram após a publicação da Medida Provisória (MP) 927 que previa, em situação de calamidade pública, a suspensão por quatro meses dos contratos de trabalho e salários.

Em uma publicação no Twitter, no início da tarde desta segunda-feira (23), Bolsonaro afirmou que “determinou a revogação” do artigo.

O trecho da MP, que faz parte de um pacote de medidas anunciadas pelo governo para o enfrentamento da crise causada pela pandemia do coronavírus, foi duramente criticado.

O rumor dizia que Bolsonaro demitiria Guedes por causa da confusão do episódio da MP.

Guedes afirmou a jornalistas que não está de saída do governo, segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

“Estamos juntos nesse desafio pelo Brasil”, afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro postou esta foto no Facebook, para elogiar Guedes.

 

Alcolumbre critica Bolsonaro

O pronunciamento do presidente repercutiu nas redes sociais. Bolsonaro foi criticado por contrariar medidas da OMS (Organização Mundial da Saúde) para evitar a disseminação do coronavírus.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que está em casa recuperando-se justamente da doença, também se posicionou contra o governo. Disse que Bolsonaro não deveria ter falado contra a cobertura da imprensa em momento delicado do país.

“Não é o momento de se atacar a imprensa e as autoridades de saúde”, disse Alcolumbre.

“O Brasil precisa de uma liderança séria e comprometida com a vida e a saúde da população”, completou.

No momento em que Bolsonaro fazia o discurso na TV, houve panelaços nos principais capitais do país.

 

 

 

 


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