Novo ministro da Saúde fala em ‘alinhamento completo’ com Bolsonaro

Paulo Amaral
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Crédito: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro confirmou, em pronunciamento oficial nesta quinta-feira (16), a saída de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde. E anunciou Nelson Teich como sucessor na Pasta.

Bolsonaro elogiou o agora ex-ministro, mas deixou claro que foi a discordância na linha de combate ao coronavírus que decretou a exoneração de Mandetta do cargo.

Tecih avisou que tem “alinhamento total” com o posicionamento do presidente, que defende flexibilizar o isolamento social no combate à pandemia do Covid-19 – ponto de divergência entre Bolsonaro e Mandetta.

“A questão do emprego não foi tratada da forma como eu achava. Não condeno, não recrimino e não critico o ministro Mandetta. Ele fez aquilo que, como médico, achou que deveria fazer”, disse Bolsonaro em seu pronunciamento.

Debate

O debate sobre o gradual fim do confinamento passa também por governadores, Congresso e pelo Supremo Tribunal Federal.

Nesta quarta a maioria dos ministros do STF votou a favor da validade de medidas restritivas implementadas por estados e municípios durante a pandemia do novo coronavírus – o que na prática dá autonomia a prefeitos e governadores para decretar regras mais rígidas de distanciamento físico como forma de frear o avanço da Covid-19.

Nesta quinta (16), o ministério da Saúde informou que o país tem 30 mil infectados e mais de 2 mil mortos pelo coronavírus.

“Máquina de moer empregos”

Segundo Bolsonaro, o momento é de “entender a situação como um todo”, e foi isso o que Nelson Teich, novo Ministro da Saúde, demonstrou durante a conversa da manhã desta quinta-feira.

Na visão do presidente, junto com o vírus veio um problema ainda maior para o Brasil resolver durante e após a pandemia: o desemprego.

“Conversei com o doutor Nelson, o oncologista, para que entendesse a situação como um todo. A questão da vida e os outros problemas, como o desemprego. Junto com o vírus veio uma verdadeira máquina de moer empregos”, lembrou.

“Pessoas humildes sentiram primeiro isso e elas não podem ficar em casa por muito tempo. Não podemos prejudicar os mais necessitados. Os empregos com carteira assinada também estão cada vez mais destruídos. Nós nos preocupamos para que essa volta à normalidade chegue o mais breve possível”, completou.

Nelson Teich confirmado

Bolsonaro disse que o fim do “casamento” com Mandetta foi consensual e, na sequência, confirmou o oncologista Nelson Teich como novo chefe da Pasta.

“Agradeço ao senhor Henrique Mandetta pela sua cordialidade. Também agradeço ao doutor Nelson por ter aceito esse convite. Ele sabe do enorme desafio que terá pela frente. Nós estamos juntos em defesa da vida do povo brasileiro, em defesa dos empregos e também, obviamente, buscando levar tranquilidade e paz ao nosso povo”.

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Novo ministro evita conflitos

Ao ser apresentado por Bolsonaro, o novo Ministro da Saúde evitou polemizar sobre declarações que deu no início do mês, defendendo o isolamento horizontal, como fazia seu antecessor.

Segundo Nelson Teich, o momento, agora, é de basear cada decisão em “informações sólidas”, algo difícil pelo fato de o coronavírus ser uma doença nova.

“Tudo aqui vai ser tratado de forma técnica e científica. Não vai haver qualquer definição brusca ou radical sobre o que vai acontecer”, garantiu, descartando uma abertura imediata do País.

“Como temos pouca informação e tudo é muito confuso, começamos a trabalhar cada decisão como se fosse tudo ou nada, e não é nada disso”, completou.

Teich defendeu um amplo programa de testes para que o Brasil possa “conhecer melhor” a Covid-19 e, enfim, entender o que está acontecendo.

“Teremos que fazer um programa de teste. Vamos assumir e conhecer a doença. Ele vai ter que envolver SUS, saúde complementar, ações do empresariado, quais os tipos de teste. Isso vai dar uma capacidade enorme de definir ações e entender o que está acontecendo”.

Fim do isolamento e farpas aos governadores

Em seu pronunciamento desta quinta, Bolsonaro avisou que, em sua conversa com o Teich, falou abertamente sobre o fim do isolamento social.

“O que conversei com doutor Nelson? Que gradativamente nós temos que abrir o emprego no Brasil. Essa grande massa de humildes não tem como ficar dentro de casa”, repetiu.

Bolsonaro voltou a criticar a atitude de prefeitos e governadores que cogitaram prender quem descumprisse o isolamento social e avisou que “essa conta quem pagará será o sofrido povo brasileiro”.

“Jamais mandaria as forças armadas prenderem quem quer que seja nas ruas. Jamais cercearemos os direitos fundamentais de qualquer cidadão”, disparou.

“O excesso não levará à solução do problema. Muito pelo contrário. Agravará. O remédio para curar o paciente não pode ter efeito mais danoso do que a própria doença”, complementou o presidente.

O novo ministro mostrou ciência da vontade de Bolsonaro de acabar gradativamente com o isolamento social e, a princípio, se mostrou mais flexível do que Luiz Henrique Mandetta a respeito do assunto.

“Temos que planejar o futuro e sair dessa política do isolamento e do distanciamento. Pessoas têm dificuldade em se isolar. É um mundo completamente novo. Nunca vivemos isso”, admitiu.

“Existe um alinhamento completo entre mim, o presidente e todo o grupo do ministério. O que estamos fazendo é trabalhar para que tudo volte o mais rápido possível a uma vida normal”.

Saúde x Economia

Um ponto em comum adotado por Bolsonaro e Nelson Teich nos pronunciamentos desta quinta-feira foi em relação à discussão Saúde x Economia.

O presidente da República voltou a bater na tecla de que ambos os assuntos precisam ser tratados com a mesma importância e paralelamente.

“Desde o começo da pandemia eu me dirigi a todos os ministros e sempre falei da vida e do emprego. É como um paciente com duas doenças. Não podemos abandonar uma e cuidar da outra, pois, no fim da linha, esse paciente pode perder a vida”.

O sucessor de Mandetta seguiu a linha do novo chefe e também descartou priorizar um ou outro ponto durante seu trabalho à frente do Ministério da Saúde.

“Discutir saúde e economia é muito ruim. Elas não competem entre si. Elas são complementares. Não é emprego x pessoas doentes. Não é nada disso. Quanto mais desenvolvido economicamente é um país, mais você investe em educação, em saúde, e tem recursos para ajudar a sociedade”, dissertou.

Panelaços

Enquanto Bolsonaro anunciava o novo ministro da Saúde, houve registros de panelaços em capitais como Recife, Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro, além de Brasília.

Manifestantes gritavam das janelas frases pedindo a saída de Bolsonaro.

Mandetta é demitido por Bolsonaro e deixa o Ministério da Saúde