Bolsonaro e Mandetta têm “reunião tranquila” após desavenças

Paulo Amaral
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Foto: Presidente da República, Jair Bolsonaro e o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante Videoconferência com a Frente Nacional de Prefeitos - FNP.

A reunião privada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Luiz Henrique Mandetta realizada a portas fechadas nesta quarta foi “tranquila”, segundo o chefe da Saúde.

De acordo com Andreia Sadi, do G1, o ministro, em contato por telefone, resumiu o encontro repetindo um mantra adotado desde o início da pandemia de coronavírus.

“Tranquilo. Só lavoro”.

O jornal Valor Econômico, que também acompanhou de perto o desenrolar do encontro, revelou que tanto Bolsonaro quanto Mandetta não conversaram com a imprensa após o término da reunião.

Para evitar os jornalistas, o chefe da pasta da Saúde deixou o Palácio do Planalto em um carro oficial, e não a pé, como costuma fazer diariamente.

O clima entre Bolsonaro e Mandetta esquentou nos últimos dias e só não culminou com a exoneração do ministro do cargo por interferência de outros setores do Governo.

A Secretaria de Comunicação da Presidência também não se pronunciou sobre o teor da reunião ou se há algum indicativo de mudança no comando da Saúde.

Isolamento flexível

Se Bolsonaro e Mandetta se mantiveram discretos sobre o que aconteceu na reunião, o mesmo não se aplicou ao ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.

Em entrevista para a CNN Brasil, Lorenzoni revelou que um dos tópicos discutidos foi a flexibilização do isolamento social, a popular quarenta.

Onyx defendeu o “equilíbrio” com que o presidente Jair Bolsonaro vem tratando a questão e avisou que, após o feriado da Páscoa (no próximo domingo), a tendência é que as atividades econômicas sejam retomadas aos poucos.

De acordo com o ministro da Cidadania, “tão grave quanto a doença é a fome e a miséria” e essa é a principal preocupação de Bolsonaro.

Mandetta, defensor do isolamento social mais rígido, não se posicionou sobre o assunto, mas o próprio Ministério da Saúde, na segunda-feira, sem sua presença, informou que estão em estudo medidas mais flexíveis para cidades nas quais a epidemia não esteja tão violenta.

Cloroquina ainda gera discussão

Mandetta diverge de Bolsonaro em relação às medidas de isolamento social e também sobre a forma de combater a propagação da Covid-19 no Brasil.

Na terça-feira, Mandetta revelou ter tido uma conversa com dois médicos convocados por Bolsonaro para autorizar um protocolo de utilização da cloroquina em pacientes com coronavírus.

“Me levaram, depois da reunião lá, para uma sala com dois médicos que queriam fazer protocolo de hidroxicloquina por decreto. Eu disse a eles que é super bem-vindo, os estudos são ótimos. É um anestesiologista e uma imunologista que lá estavam”.

Os médicos em questão eram a médica imunologista Nise Yamaguchi e o diretor-presidente substituto da Anvisa, Antonio Barra Torres, ambos cotados para assumir a pasta no caso da saída de Mandetta.

Nesta quarta-feira, momentos antes de se reunir com o ministro da Saúde, Jair Bolsonaro usou sua conta no Twitter para voltar a defender a eficácia da cloroquina no combate à doença.

“Há 40 dias venho falando sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Sempre busquei tratar da vida das pessoas em 1o lugar, mas também se preocupando em preservar empregos. Fiz, ao longo desse tempo, contato com dezenas de médicos e chefes de estados de outros países”, postou.

Em um outro tweet, Bolsonaro, sem citar nomes, criticou o coordenador do Centro de Contigência contra o Coronavírus em São Paulo, o infectologista David Uip, que recentemente foi infectado pelo vírus.

“Cada vez mais o uso da cloriquina se apresenta como algo eficaz. Dois renomados médicos no Brasil se recusaram a divulgar o que os curou da Covid-19. Seriam questões políticas, já que um pertence à equipe do governador de SP?”, questionou Bolsonaro.

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David Uip, quando questionado em coletiva após voltar ao trabalho se havia utilizado cloroquina, preferiu alegar desconhecimento.

“Não faço isso para esconder nada, mas não quero transformar meu caso em modelo para coisa alguma”, desconversou.

“Liberado”

Na noite de terça-feira, Mandetta alterou um pouco o tom ao abordar o tema cloroquina e mostrou uma mudança de rumo.

“Se ele (médico) se responsabilizar individualmente, não tem óbice nenhum. Ninguém vai reter a receita de ninguém”, assegurou.

“Agora, para que nós possamos, no Ministério da Saúde, assinar que o ministério recomenda que se tome essa medida, nós precisamos de um pouco mais de tempo para saber se isso pode se configurar em coisa boa ou se isso pode ter algum efeito colateral”, concluiu, segundo o jornal O Globo.

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