Após ataques, Bolsonaro recebe Maia e sinaliza com “diálogo”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução/YouTube

Os presidentes da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se reuniram na tarde desta quinta-feira (14) por alguns minutos.

Maia estava em reunião com os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Na saída, encontrou casualmente com Bolsonaro, que fez o convite para “um café”, segundo Maia, o que foi prontamente aceito.

“Conversamos sobre o momento, sobre como é que cada um vem enxergando esta crise. Nós sabemos qual é a posição do presidente, hoje mesmo ele falou. Eu tenho a minha posição. Ele sabe qual é. O que eu disse ao presidente é que precisamos encontrar os pontos que nos unem”, afirmou Maia, em entrevista após o encontro.

“Todos têm o mesmo objetivo: que o Brasil consiga enfrentar essa pandemia, que consiga cuidar da vida dos brasileiros, mas também olhar o pós-pandemia, a forma que o país vai sair dessa crise”, ponderou.

Maia sob ataque de Bolsonaro

Maia ressaltou que no momento o importante é a “convergência” e o “diálogo”: “os conflitos, as brigas, elas geram insegurança, perda da confiança da sociedade”, declarou Maia. “Meu papel institucional é levar ao presidente a pauta da Câmara e mostrar o que nós estamos fazendo”.

Horas antes, durante uma videoconferência com empresários, Bolsonaro atacou Maia por ele ter dado a relatoria da Medida Provisório (MP) de redução de salários e jornadas ao deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).

A MP autoriza acordos entre patrões e trabalhadores durante a pandemia do novo coronavírus, para que salários e carga horária possam ser cortados durante a crise.

“Entregar a MP da flexibilização para o PCdoB é para não resolver. Tem gente que não é do governo, que tá dentro da outra Casa, que não quer resolver o assunto, parece que fizeram acordo com a esquerda”, esbravejou.

“De acordo para quem o comando da Câmara dá a relatoria, ele já sinaliza que não quer resolver nada. Parece que quer afundar a economia para ferrar o governo e para talvez tirar um proveito político lá na frente”, acrescentou.

Na coletiva, Maia não quis tocar nesse assunto, para não criar mais atritos com o Executivo, e não respondeu pergunta de jornalista sobre o arroubo do chefe do Executivo.

Novo “namoro”

Apesar do ataque, após o encontro, sem resposta no mesmo tom de Rodrigo Maia, Bolsonaro afirmou que ele e o deputado estão novamente se entendendo: “voltamos a namorar. Está tudo bem como o Rodrigo Maia”.

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Maia foi se encontrar com os ministros para conhecer o gabinete de crise da pandemia.

“É meu papel institucional, principalmente num momento de crise e de perdas de tantas vidas, o mais importante é sempre o diálogo, ver de que forma o governo federal vem atuando, conhecer o gabinete e toda a sua estrutura”, argumentou.

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