Bolsonaro e Haddad confirmados para o segundo turno: quem fica com os votos de Ciro e Alckmin?

Késia Rodrigues
Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por tecnologia, investimentos e viagens.

 

Após a confirmação de que haverá segundo turno nas eleições presidenciais entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), muitas especulações surgiram sobre o comportamento dos eleitores que votaram nos candidatos derrotados e sobre como isso pode definir o futuro do país.

Nesse cenário de polarização, o candidato do PSL começa com vantagem, pois obteve mais de 46% dos votos válidos, contra 29% do candidato do PT. Dessa forma, Haddad busca sair da situação de desvantagem por meio da herança deixada pelo terceiro colocado, o candidato Ciro Gomes (PDT), que já declarou apoio à candidatura do candidato petista, além de Geraldo Alckmin (PSDB).

Na tabela a seguir, levantada pela XP/Ipespe e divulgada na última sexta-feira (5), pode-se observar a transferência de votos. À esquerda está disposta a migração de pontos percentuais, já à direita estão os dados em percentual sobre o apoio a cada candidato:

Fonte: XP/Ipespe (BR-06509/2018)

Com as surpresas de última hora que ocorreram em meio à corrida presidencial, o levantamento acima já se encontra defasado, porém, mesmo assim, pode apontar algumas tendências para esse segundo turno. Nota-se, por exemplo, que 68% dos eleitores de Ciro Gomes podem votar em Haddad contra 4% que podem votar em Jair Bolsonaro. Assim, o candidato petista ainda terá que buscar convencer os outros 28% do eleitorado de Ciro que afirmava não votar em nenhum dos outros candidatos em segundo turno.

A situação é similar quando se analisa os votos recebidos por Marina Silva (Rede). Entretanto, nesse caso, os benefícios são limitados, pois a candidata obteve aproximadamente 1% dos votos válidos e foi ultrapassada por candidatos como João Amoedo (Novo), Cabo Daciolo (Patriotas) e Henrique Meirelles (MDB).

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Ao analisar os votos recebidos pelo candidato Geraldo Alckmin, percebe-se que o cenário é mais favorável ao candidato do PSL, pois, nessas condições, Bolsonaro herda cerca de 59% dos votos que pertenciam ao candidato tucano, contra apenas 8% para o candidato do PT.

Apesar disso, Bolsonaro ainda estaria e desvantagem, pois Alckmin possuía cerca de 8% das intenções de votos nas últimas pesquisas, contudo, finalizou a sua participação na corrida eleitoral com menos de 5% dos votos válidos.

Diante desse cenário, percebe-se que Haddad tem condições de reequilibrar a disputa ao cargo de Presidente da República. Já Bolsonaro, franco favorito, joga por um empate em casa.

Comentário do Analista Político (por Filipe Teixeira)

[box type=”shadow” align=”” class=”” width=””]Em pleitos anteriores, o segundo turno significou uma nova eleição, como se a bola fosse recolocada novamente no centro para o início da prorrogação. Esse percepção no entanto, só faz sentido quando a partida está empatada, o que sabemos, não é o caso deste decisivo embate entre Bolsonaro x Haddad. Todos os indícios apontam para um aumento nesta diferença e o principal deles, é a forte rejeição ao PT, que foi a tônica de muitas campanhas Brasil afora. Ao ex-prefeito de São Paulo, não devem surgir aliados diferentes do que já é previsto: Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL). Do outro lado, Bolsonaro deve receber apoio (ou ao menos a simpatia) de Geraldo Alckmin senão por convicção, por necessidade, uma vez que o PSDB sai bastante fragilizado nesta eleição, com profunda diminuição de representatividade no cenário nacional. Ao que tudo indica, veremos um “jogo” de ataque contra defesa. Ao PT caberá o papel que historicamente sempre fez bem: Oposição. A Bolsonaro cabe uma estratégia mais defensiva, saindo apenas para os “contra-ataques”. O único candidato capaz de tirar-lhe a vitória é ele mesmo, ou seja, mais do que nunca: É melhor Jair se acostumando. [/box]

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