Bolsonaro diz em discurso na ONU que Brasil é vítima de desinformação

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: Brasil é vítima de desinformação sobre meio ambiente, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (22) que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”. 

Em discurso para a 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro justificou que há interesses comerciais por trás das notícias sobre queimadas e desmatamentos. Além disso, afirmou que os incêndios que atingem as florestas brasileiras são comuns à esta época do ano e ao trabalho de comunidades locais em áreas já desmatadas.

“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse. 

“O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente”, completou.

Regulamentação

Apesar de reafirmar o rigor da legislação ambiental brasileira, Bolsonaro lembrou a dificuldade em combater atividades ilegais na Amazônia devido à sua extensão territorial.

Ressaltou que, juntamente com o Congresso, está buscando a regularização fundiária da região, “visando identificar os autores desses crimes”.

“O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”, disse.

Pandemia

Por conta da pandemia de Covid-19, esta edição da Assembleia Geral da ONU foi feita virtualmente. Bolsonaro, assim como outros líderes mundiais, enviou a declaração gravada em vídeo.

O presidente lamentou as mortes pela doença. Enfatizou que o vírus e as questões econômicas “deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade”.

Após listar as medidas econômicas implementadas pelo governo federal, declarou que os lemas “fique em casa” e “a economia a gente vê depois” por parte dos veículos de comunicação brasileiros “quase trouxeram o caos social ao país”.

“Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, finalizou.

Tecnologia e inovação

Por fim, o presidente considera que a pandemia deixou a lição de que a produção de insumos e meios essenciais para a sobrevivência da população não pode depender apenas de poucas nações.

Além disso, afirmou que colocou o Brasil aberto para o desenvolvimento de tecnologias de ponta e inovação. Usou como exemplos a indústria 4.0, a inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G. “Com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados”, disse.

Conforme Bolsonaro, ainda sobre a ampliação de acordos comerciais bilaterais e com blocos econômicos: “o Brasil, finalmente, abandona uma tradição protecionista e passa a ter na abertura comercial a ferramenta indispensável de crescimento e transformação”.

Veja o discurso do presidente Jair Bolsonaro aqui.

*Com Agência Brasil