Bolsonaro pede a empresários para ‘pegar pesado’ contra Doria e impedir lockdown

Paulo Amaral
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Crédito: Marcos Correa

O presidente Jair Bolsonaro não parece disposto a dar o braço a torcer e mudar sua visão em relação à necessidade de adotar medidas de isolamento social.

De acordo com o Estado de S.Paulo, Bolsonaro conclamou um grupo de empresários do País a pressionar os governadores “jogar pesado” na “guerra” pela reabertura das atividades econômicas.

Um dos alvos preferidos do presidente desde o início da pandemia de coronavírus, João Doria, governador de São Paulo, foi citado diretamente em seu discurso.

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Atacou Doria após o governador cogitar decretar lockdown – o fechamento total das atividades não essenciais e o decreto de medidas ainda mais severas contra a circulação de pessoas.

“Um homem está decidindo o futuro de São Paulo, decidindo o futuro da economia do Brasil”, afirmou. “Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado. Jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra”, completou.

O pedido do presidente foi feito por meio de uma videoconferência organizada por Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e aliado político de Bolsonaro.

Bolsonaro prevê “Guerra Civil”

Autoridades de saúde recomendam regras de distanciamento social para brecar a disseminação do novo coronavírus.

Não existem vacinas nem remédios, comprovados cientificamente, contra a doença. A orientação das autoridades serve também para evitar que os sistemas de saúde acabem sobrecarregados.

Para o presidente Jair Bolsonaro, o fato de os Estados estarem seguindo as orientações da OMS e dos órgãos de saúde e, portanto, adotando medidas rígidas de isolamento social contra o coronavírus, causará um caos praticamente irreparável no futuro.

Na visão do Chefe de Estado, o Brasil pode até viver uma “Guerra Civil” com o caos econômico que ele vê se desenhando.

“Nós temos que mostrar a cara, botar a cara para apanhar. Porque nós devemos mostrar a consequência lá na frente. Lá na frente, eu tenho falado com o ministro Fernando [Azevedo], da Defesa… os problemas vão começar a acontecer. De caos, saque a supermercados, desobediência civil. Não adianta querer convocar as Forças Armadas porque não existe gente para tanta GLO [Garantia da Lei e da Ordem].”

Decreto presidencial

academias de ginástica

O presidente, que nesta quinta-feira editou uma Medida Provisória que pode livrar de responsabilidade agente público sobre eventuais equívocos ou omissões nas ações de combate à pandemia do novo coronavírus, voltou a defender a reabertura do mercado.
Para Bolsonaro, o decreto presidencial que ampliou o número de atividades essenciais, incluindo academias e salões de beleza, deveria ser cumprido pelos governadores, algo que não está sendo feito.
“Nós devemos buscar cada vez mais rápido abrir o mercado. Como eu abri agora, por exemplo, o decreto colocando academias, salões de beleza e barbearia.  Semana passada eu botei a construção civil e a questão industrial. Tem governador falando que não vai cumprir. Eles estão partindo para a desobediência civil”, criticou.
Segundo Bolsonaro, atitudes como as de João Doria e Wilson Witzel, governador do Rio e rival político declarado do presidente, estão “quebrando a economia para atingir o governo” e são questões “totalmente políticas”.
“É o Brasil que está em jogo Se continuar o empobrecimento da população daqui a pouco seremos iguais na miséria. E a miséria é o terreno fértil para aparecer aqueles falsos profetas, aquelas pessoas que podem levantar borduna e partir para fazer com que o Brasil se torne um regime semelhante à Venezuela. Não podemos admitir isso”, concluiu.

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