Sem falar sobre Moro, Bolsonaro faz live com criticas ao isolamento social

Paulo Amaral
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Crédito: YouTube

Nesta quinta (23), a tradicional live do presidente Jair Bolsonaro não abordou em nenhum instante a polêmica envolvendo a possível saída de Sergio Moro, Ministro da Justiça, de seu governo.

Ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, o economista Pedro Guimarães, Bolsonaro preferiu falar sobre economia, ações do Executivo contra a crise, desemprego e isolamento social.

Mais cedo, Moro teria ameaçado pedir demissão do cargo caso Mauricio Valeixo, atual diretor-geral da Polícia Federal, fosse substituído pelo presidente da República.

Boatos e especulações sobre a  saída do ministro do governo dominaram o noticiário do dia, com impacto no mercado financeiro, mas não houve declaração oficial do presidente sobre o tema.

Auxílio emergencial

Bolsonaro conversou com Pedro Guimarães e focou boa parte do tempo na transmissão para divulgar as novidades sobre o auxílio-emergencial.

“A Caixa já pagou 33 milhões de pessoas e, antes de completar 30 dias da primeira parcela, aqueles que estão com tudo ok já receberão a segunda. Mas tem alguns milhões reclamando, né Pedro?”, iniciou, passando a bola ao executivo.

Pedro Guimarães alternou explicações didáticas sobre o porquê alguns problemas estão acontecendo no pagamento do “coronavoucher” com elogios ao programa criado pelo ministro Paulo Guedes e encampado por Bolsonaro.

Cadastro e falta de dinheiro do governo

Segundo o executivo da Caixa, “foram mais de 45 milhões que se cadastraram”, quando o esperado era algo em torno de 20 a 25 milhões de pessoas.

“Esse governo não vai fazer nenhuma maluquice. Não há a menor possibilidade desse governo realizar um pagamento sem que tenha dinheiro no orçamento. Existe já o dinheiro, mas, como tivemos um número muito maior de pessoas que fizeram o cadastro, precisamos de alguns dias”, comentou Bolsonaro.

Além do número excessivo de pessoas, problemas com regularização de CPF ou com a Justiça Eleitoral também atrapalharam o cadastro de alguns cidadãos, mas, de acordo com Pedro Guimarães, esse é outro empecilho já superado.

Seguro-desemprego, Bolsa Família e FGTS

O presidente Bolsonaro e o executivo da Caixa também revelaram que, a partir de sábado, mais 1,9 milhão de pessoas, integrantes do grupo de trabalhadores informais, poderão retirar o benefício, totalizando R$ 1,2 bilhão.

Pedro Guimarães confirmou ainda o calendário para o pagamento do Bolsa Família, que pode chegar até a R$ 1,8 mil, do Fundo de Garantia e do seguro-desemprego.

“É um número muito grande. Teremos pagamentos em abril, maio e junho do auxílio-emergencial. A partir de maio o auxílio-desemprego e, em junho, o FGTS”, pontuou.

“A partir da segunda-feira, dia 27, nós pagaremos as pessoas que tem conta digital na Caixa Econômica Federal. Todo mundo começa a receber na boca do caixa, seja nas lotéricas ou no ATM (Caixa Eletrônico)”, completou, comemorando o número de 15 milhões de contas criadas para quem não existia em nenhum banco antes da pandemia.

Isolamento em xeque: “Se a renda cair, a morte chega mais cedo”

Bandeira levantada por Bolsonaro desde o início da pandemia, e que já causou a saída do ministro Luiz Henrique Mandetta do governo, o isolamento social foi mais uma vez colocado em xeque pelo presidente da República.

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Bolsonaro afirmou ter visto uma matéria que, segundo ele, “não sabia se era verdadeira, pois precisava checar”, de que 400 mil empregos informais haviam sido perdidos em Santa Catarina. E usou a afirmação para criticar o isolamento social.

“Não vou discutir aqui as medidas restritivas para que o pessoal não possa fazer uma festa com meu nome amanhã, mas hoje o vendedor não vai mais na praça vender o churrasquinho, vender um pano no sinal luminoso. Isso daí é uma preocupação. Grande parte dos políticos começa a se preocupar. Tive com o governador Ibaneis [Rocha, do DF]. Ele praticamente abriu todo o comércio. E outros governadores já estão começando a pensar assim”, garantiu.

“É sempre aquela historinha, de que vida você não recupera, mas a economia recupera. Não tenho números aqui, mas a expectativa é maior aqui ou no Zimbabue?”, perguntou, retoricamente.

“É aqui, pois a renda é maior. Então se a nossa renda vai cair, a morte chega mais cedo. É isso o que sempre busquei levar ao conhecimento público. Não podia fugir da verdade”.

O presidente voltou a criticar Tedros Adhanom, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, alegando que “ele não é médico”, e lamentou estar respondendo a um processo fora do Brasil por ser acusado de “genocídio” por defender medidas que vão contra às orientações da Ciência.

“Estou respondendo processo fora do Brasil por genocídio, por não seguir a OMS. O presidente da OMS não é médico. É a mesma coisa que falar que o presidente da Caixa não é economista. Não tem cabimento. Ou que você fosse do Exército. É a mesma coisa. O presidente da OMS não é médico”, repetiu.

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