Bolsonaro culpa fatores externos pela desvalorização do real

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Pixabay

O presidente Jair Bolsonaro disse nessa segunda-feira (2) não ver como retaliação ao Brasil a decisão do governo dos Estados Unidos de aumentar as tarifas para importação de aço e alumínio brasileiros. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, disse em sua conta oficial no Twitter, Brasil e Argentina estariam forçando uma desvalorização de suas moedas, o que tem prejudicado os agricultores daquele país.

“Não vejo isso como retaliação”, disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia. O presidente brasileiro é um declarado admirador de Trump.

Apresar disso, na sua avaliação, a correlação não procede porque a desvalorização das moedas locais é em consequência de fatores externos, algo que é corroborado por analistas: “o mundo está conectado. A própria briga comercial entre Estados Unidos e China influencia o dólar aqui, assim como coisas que acontecem no Chile, nas eleições na Argentina e no Uruguai. Tudo está conectado”.

Setores discordam

O Instituto Aço Brasil concorda com Bolsonaro sobre as razões da desvalorização de nossa moeda, mas discorda na avaliação. Para o Instituto, é uma retaliação, sim.

Segundo nota do Instituto, “o câmbio no País é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o Real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de ‘compensar’ o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”.

E segue: “por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas”.

Já por parte da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), o impacto não deve ser sentido. Em nota, esclarece: “desde 1º de junho de 2018, as exportações de produtos de alumínio brasileiro aos Estados Unidos pagam sobretaxa. Esse acerto foi ratificado no ano passado com governo Trump, quando este abriu a possibilidade de substituir a sobretaxa por cotas limitadas de exportação. Na época, optamos pela sobretaxa e seguimos assim desde então”.