Após suspensão do STF, Bolsonaro desiste de nomear novo diretor da PF

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução/Twitter

O presidente Jair Bolsonaro decidiu cancelar, nesta quarta (29), a nomeação de Alexandre Ramagem como novo diretor da Polícia Federal. A revogação foi publicada no Diário Oficial da União, informa o portal G1.

A decisão ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, suspender a nomeação de Ramagem do comando da PF. na manhã desta sexta-feira (29),

Moraes atendeu a um pedido feito pelo PDT por meio de um mandado de segurança.

Bolsonaro

Posse estava marcada para esta quarta

A posse de Ramagem estava marcada para as 15h desta quarta. O evento oficial, que vai oficializar o novo ministro da Justiça, André Mendonça, e o novo advogado-Geral da União, José Levi Mello, foi mantido pelo governo.

A Advocacia Geral da União anunciou que não vai recorrer da determinação de Moraes no STF, informou a Rede Globo.

O governo havia publicado no Diário Oficial da União, nesta terça, o nome de Ramagem como novo diretor da PF.

Ramagem vai continuar no cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), posto que ocupa desde julho de 2019.

Despacho

Em seu despacho, Alexandre de Moraes afirmou que as acusações do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, de que o presidente Bolsonaro tentou interferir no trabalho da PF revelam “ocorrência de desvio de finalidade”

“Tais acontecimentos, juntamente com o fato de a Política Federal não ser órgão de inteligência da Presidência da República, mas sim exercer, os termos do artigo 144, §1º, VI da Constituição Federal, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União, inclusive em diversas investigações sigilosas, demonstram, em sede de cognição inicial, estarem presentes os requisitos necessário para a concessão da media liminar pleiteada”, declarou Moraes.

Moraes mencionou também trecho do pronunciamento de Bolsonaro feito no mesmo dia, após as declarações de Moro, em que o presidente contou ter se queixado ao então ministro da Justiça por não receber informações oriundas da PF.

A Advocacia-Geral da União (AGU) chegou a informar que cogitava reverter a liminar do STF.

Ramagem é conhecido por ser próximo à família Bolsonaro, especialmente ao vereador Carlos Bolsonaro.
O irmão dele, Flávio, é alvo da investigação no chamado escândalo da rachadinha.

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Amigo do presidente

Amigo do presidente, o diretor da Abin foi chefe da segurança de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. Ramagem substituiria Mauricio Valeixo no comando da PF.

Bolsonaro chegou a dizer que efetuou a troca para manter uma pessoa de confiança no comando da PF.

Nomeação discutível

Sergio Moro deixou o Ministério da Justiça alegando intervenção do governo federal nas investigações da PF.  Parlamentares da oposição têm pedido para que o presidente Bolsonaro seja investigado.

Antes mesmo da confirmação do nome do novo diretor-geral da PF, fotos de Ramagem em uma festa com o Carlos Bolsonaro já circulavam pelas redes socais e portais da imprensa.

Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (Rede-ES) entraram com uma liminar para impedir a nomeação de Ramagem e suspender a exoneração de Valeixo.

Na justificativa, os parlamentares alegavam que tal troca confirmaria as acusações de Moro por conta da proximidade de Ramagem com Carlos Bolsonaro. Porém, o juiz federal Ed Lyra, da 22ª Vara Federal do Distrito Federal, negou o pedido.

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