Bolsonaro ainda espera dar posse a Ramagem na PF

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Nessa quarta-feira (29), durante a posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Andre Mendonça, o presidente da República, Jair Bolsonaro, disse ainda espera dar posse a Alexandre Ramagem na diretoria-geral da Polícia Federal (PF).

“Eu gostaria de honrá-lo no dia de hoje dando posse como diretor da Polícia Federal. Eu tenho certeza que esse sonho meu, mais dele, em breve se concretizará”, afirmou.

O escolhido para o cargo teve a posse vetada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na manhã dessa quarta.

Moraes alegou que há inquérito em andamento investigando as acusações do ex-ministro Sergio Moro contra Bolsonaro, sobre interferência na PF. O ministro lembra que o próprio presidente teria admito a interferência e pronunciamento à nação: “essas alegações foram confirmadas, no mesmo dia (da demissão de Moro, sexta, 24 de abril), pelo próprio presidente da República, também em entrevista coletiva, ao afirmar que, por não possuir informações da Polícia Federal, precisaria ‘todo dia ter um relatório do que aconteceu, em especial nas últimas vinte e quatro horas'”.

Bolsonaro criticou a decisão monocrática do magistrado.

Independência dos poderes

“São poderes da União, independentes, independentes, e harmônicos entre si o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”, disse Bolsonaro no discurso de posse de Mendonça, ressaltando a palavra “independente” para reforçar que não estava de acordo com a decisão de Moraes.

“Assim me comporto e dirijo essa nação. Não posso admitir que ninguém ouse desrespeitar ou tentar desbotar a nossa Constituição”, continuou.

“Uma das posições importantes, e quem nomeia sou eu, é o do diretor-geral da Polícia Federal. A nossa Polícia Federal não persegue ninguém a não ser bandidos. Um pequeno parêntese, respeito o Poder Judiciário. Respeito as suas decisões, mas nós com toda certeza antes de tudo respeitamos a nossa Constituição. Ramagem foi impedido de tomar posse por uma decisão monocrática de um ministro do STF”, salientou.

Ligado à família

Ramagem é íntimo da família Bolsonaro. Foi segurança na campanha presidencial de 2018 e é amigo de Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), vereador na capital fluminense.

Essa proximidade levantou suspeitas sobre a isenção de levar em frente investigações que envolvem a família do presidente.

Ramagem era o chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

“É uma pessoa que conheci”, disse Bolsonaro, “no primeiro dia após o fim do segundo turno (das eleições de 2018), que foi escolhido pela Polícia Federal no governo anterior como um homem de elite, honrado, com vasto conhecimento”.

AGU não vai recorrer

“A Advocacia-Geral da União (AGU) informa que não irá apresentar recurso em face da decisão do STF que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção-geral da Polícia Federal em razão de decreto publicado na tarde desta quarta-feira (29) no DOU que revoga o ato”, informou a AGU em nota.

Assim, o governo federal desiste de nomear Ramagem, apesar das declarações de Bolsonaro durante a cerimônia de posse de Mendonça. A revogação, inclusive, já foi publicada no Diário Oficial da União.

O “sonho” de empossar Ramagem deverá ficar para depois.

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