Bolsas têm a pior semana desde a crise de 2008

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Foto: Reprodução/Pixabay

As bolsas têm sua pior semana desde a crise financeira de 2008. Assim pode ser definido o período de 24 a 28 de fevereiro.

A progressão global do coronavírus, extrapolando a China e se disseminando com rapidez surpreendente, parece ter aterrorizado os investidores. Eles estão deixando as bolsas, em busca de terrenos mais sólidos, mesmo que às custas de menor rentabilidade.

Na quinta-feira, 27, o Dow Jones, teve sua pior queda na história. Fechou a -4,42%, uma perda de quase 1,2 mil pontos. O curioso é que em 12 de fevereiro, o Dow teve sua alta histórica. Ou seja: em 15 dias, o índice foi de um extremo a outro. O S&P 500, que representa as 500 maiores empresas listadas em Wall Street, caiu também 4,42%. Para o Nasdaq, foi ainda pior: -4,61%.

Se a tendência de queda se confirmar nesta sexta-feira, 28, esta terá sido mesmo a pior semana para as bolsas.

Analistas calculam em US$ 5 trilhões as perdas em valor de mercado de empresas do mundo todo na semana. E revelam que agora começa uma corrida por ativos mais seguros. Com destaque para o Tesouro norte-americano (considerado o papel mais seguro do mundo), o ouro e o dólar.

Bolsas têm a pior semana e as apostas são de corte nas taxas de juros

As esperanças que existiam até semana passada de que a epidemia acabaria em poucos meses, não indo muito além da China, e de que a atividade econômica retomaria seu ritmo normal parecem agora dar lugar a muitas inseguranças.

As apostas são de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, cortará as taxas de juros dos EUA no próximo mês. Outros grandes bancos mundiais tendem a seguir o movimento, para conter uma recessão global.

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“Os investidores estão tentando avaliar o preço no pior cenário. O maior risco é o que acontece agora nos Estados Unidos e em outros países importantes fora da Ásia”, disse John Lau, diretor de Ásia da SEI Investments. “Estes são tempos de incertezas. Ninguém realmente sabe a resposta. E os mercados estão realmente em pânico”, completa.

Desempenho das bolsas cai 10% na pior semana para os mercados

Interrupções nas viagens internacionais e nas cadeias de suprimentos, fechamento de escolas e cancelamentos de grandes eventos públicos pioram as perspectivas. E em um cenário em que o mercado global lutava contra as consequências da guerra comercial entre EUA e China.

O índice mundial MSCI, medido pelo Morgan Stanley e que avalia o desempenho das bolsas do mundo todo, caiu 10% na semana. Foi o pior resultado desde outubro de 2008.

O indicador de risco VIX Index, que avalia o desempenho das ações que compõem o S&P 500 e é cálculo pela Chicago Board Options Exchange (CBOE), saltou para 39,16, o mais alto dos últimos dois anos, bem fora da faixa de 11 a 20 pontos registrada nos últimos meses.

O índice, que mede as oscilações esperadas nas ações dos EUA nos próximos 30 dias, normalmente atinge cerca de 50 quando as vendas no mercado estão em baixa. Na crise financeira de 2008, chegou perto de 90 pontos.

“O coronavírus agora parece uma pandemia. Os mercados podem lidar com isso, apesar do grande risco, mas desde que possamos ver o fim do túnel. No entanto, ninguém ainda pode dizer quanto tempo isso vai durar. Nem quão severo será”, afirmou Norihiro Fujito, estrategista-chefe de investimentos da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities, em entrevista à Reuters.

Trump promete vacina em breve

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quis acalmar os ânimos na quarta-feira, durante coletiva de imprensa, em que afirmou que seu governo encontrará uma vacina rapidamente e que conter o vírus nos EUA é possível. No entanto, um caso de “exposição desconhecida” ao vírus já foi notificado na Califórnia, conforme informou o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Isto quer dizer que o paciente em questão foi infectado mesmo sem ter viajado para áreas de risco e sem ter contato com outra pessoa infectada.

Casos de coronavírus: mais de 83 mil infectados

Mais de 83 mil pessoas em cerca de 50 países já foram infectadas. O diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o vírus pode se tornar uma pandemia. Isso se o surto se espalhar para as principais economias desenvolvidas, como Alemanha e França.

Cerca de 10 países relataram seus primeiros casos de vírus na quinta-feira. Nova Zelândia e Nigéria, a maior economia da África, foram alguns deles.


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