Bolsas caem com aversão ao risco, após a China lançar incertezas sobre o futuro das negociações comerciais

Guilherme Paulo
Colaborador do Torcedores

Crédito: U.S. President Donald Trump and China's President Xi Jinping shake hands before their bilateral meeting during the G20 leaders summit in Osaka, Japan, June 29, 2019. REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

Dados econômicos ruins da China e dos Estados Unidos, além do andamento do processo de impeachment de Trump, contribuíram para o viés negativo nas bolsas.

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Mercado Europeu

As bolsas europeias encerraram majoritariamente em baixa, com exceção do mercado italiano, que estava otimista com o resultado do PIB de 0,3%, acima do esperado de 0,2%.

A taxa de desemprego na zona do euro atingiu 7,50% em setembro, pouco acima dos 7,40% esperados. As vendas no varejo da Alemanha tiveram variação mensal de 0,10% em setembro, abaixo do esperado de 0,30%.

Os dados econômicos da região do euro não colaboraram, mas foram as notícias vindas da China e dos EUA que pesaram mais nos mercados, fazendo com que as bolsas acompanhassem os índices americanos na baixa.

Alemanha | DAX [-0,34%]

Londres | FTSE 100 [-1,12%]

França | CAC 40 [-0,62%]

Zona do euro | Euro Stoxx 50 [-0,44%]

Itália | FTSE MIB [+0,21%]

EUR/USD [+0,02%] | € 1,1151

GPB/USD [+0,32%] | € 1,2942

Bolsas Norte-americanas

No território americano não faltaram justificativas para a forte queda das bolsas hoje.Antes da abertura dos mercados, foi noticiado pela Bloomberg que a China tem dúvidas de que as negociações levarão a um acordo de longo prazo com os Estados Unidos.

As autoridades chineses também alertaram que não pretendem recuar em relação a algumas divergências mais complexas com os americanos, incluindo as medidas estruturais e a exclusão de sobretaxas na fase 2 do acordo.

E por fim, o último ponto citado, é o temor dos chineses de que Trump recue mesmo do acordo inicial que já está em negociação entre os dois países.

Ainda durante a manhã, a câmara de representantes dos EUA aprovou o ritual de impugnação de Trump, contribuindo para a derrocada das bolsas, que já estava em terreno negativo.

A resposta de Trump veio rápida, no Twitter, o presidente americano disse que os Democratas não se importam que a ‘farsa’ sobre impeachment prejudique mercado de ações. Em seguida, ele também aproveitou para dirigir a palavra à Powell e o FED, indicando que está decepcionado com ambos, e que o dólar e juros altos estão impactando economia.

Ainda no Twitter, Trump disse que a China e os EUA estão selecionando um novo lugar para assinatura de fase 1 de acordo, mas isso não foi suficiente para melhorar o cenário.

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Também durante a manhã, foi divulgado o índice de atividade industrial ISM dos EUA, que apresentou forte desaceleração para 43,2 em outubro, ante 47,1 no mês anterior. O indicador tinha previsão muito maior, de 48,5 pontos. Este é o nível mais baixo desde dezembro de 2015.

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O índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) indicou desaceleração a +1,3% na base anual, abaixo da leitura de +1,4% do mês anterior.

Os dois indicadores foram outro fator de forte influência negativa nas bolsas, que aliados com a forte volatilidade, mostrada pelo indicador VIX, derrubaram as cotações.

Dow Jones 30 [-0,52%] | 27.046 pontos

S&P 500 [-0,30%] | 3.037 pontos

Nasdaq [-0,14%] | 8.292 pontos

VIX [+7,22%] | 13,22 pontos

Commodities

As cotação do minério de ferro encerraram mistas, em Qingdao teve queda de 1,33%, a US$ 85,97 a tonelada. Em Dalian, o minério de ferro registrou valorização de 0,65%.

A referência britânica de petróleo, o Brent para janeiro, encerrou em queda de 1,03%, a US$ 59,62. A referência norte-americana, o WTI para dezembro, caiu 1,60%, a US$ 54,18.

A commodity é diretamente influenciada pelos temores em torno da guerra comercial, pois a demanda pode ser afetada, além dos dados da China, que também apresentam desaceleração.

O ouro encerrou em alta, motivada pela derrocada das bolsas que faz com que os investidores busquem um porto seguro. O ouro fechou em alta de 1,19% a US$ 1.514,80 a onça-troy.

A bolsa brasileira

No Brasil, a movimentação da bolsa está relacionada mais aos fatores externos do que o mercado doméstico. Mas ainda assim, tivemos dados ruins por aqui, com a taxa de desemprego do PNAD atingindo 11,8% até setembro, acima do esperado de 11,50%.

Uma notícia boa foi o resultado primário do setor público consolidado, que atingiu déficit de R$ 20,5 bilhões em setembro, segundo o BC. O resultado veio melhor que o esperado, que era de déficit de R$ 23 bilhões.

Na política, os ruídos agora envolvem o filho do presidente Bolsonaro, que fez uma declaração polêmica envolvendo a ditadura militar. Eduardo Bolsonaro disse que, “se esquerda radicalizar”, resposta “pode ser via um novo AI-5”.

Diversos partidos e representantes repudiaram e condenaram as falas de Eduardo, ao mesmo tempo que processos no STF e na Câmara foram instaurados para apurar as falas do deputado.

Após renovar máxima histórica no dia anterior, o Ibovespa encerrou em queda de 1,10% com 107.219 pontos, tendo como mínima 106.355 pontos (-1,89%) e máxima 108.403 pontos (0,00%). O volume financeiro desta sessão somou R$ 19,41 bilhões.

No mês, a bolsa brasileira subiu 2,36%.

O dólar futuro seguiu tendência contrária, encerrando em alta de 0,61%, cotada a R$ 4,024, tendo mínima de R$ 3,972 (-0,70%), e máxima de R$ 4,044 (+1,10%).

No mês, o dólar caiu 3,57% frente o real.

Veja mais índices da bolsa

  • Ações que lideraram as altas dentro do índice Ibovespa:
    Cyrela Realton (CYRE3) R$ 23,93 | [1,70%]
    Eletrobras ON (ELET3) R$ 39,56 | [1,67%]
    Magazine Luiza (MGLU3) R$ 44,64 | [1,41%]
    IRB Brasil (IRBR3) R$ 37,79 | [1,18%]
    Suzano S.A. (SUZB3) R$ 32,64 | [1,05%]
  • Ações que lideraram as baixas dentro do índice Ibovespa:
    GOL (GOLL4) R$ 36,60 | [-5,79%]
    Bradesco ON (BBDC3) R$ 32,85 | [-4,12%]
    Bradesco PN (BBDC4) R$ 35,17 | [-4,09%]
    B2W Digital (BTOW3) R$ 50,80 | [-4,02%]
    Lojas Americanas (LAME4) R$ 19,99 | [-3,20%]
  • Ações mais negociadas dentro do índice Ibovespa:
    Petrobras (PETR4) R$ 30,39 | [+1,03%]
    Bradesco PN (BBDC4) R$ 35,17 | [-4,09%]
    Magazine Luiza (MGLU3) R$ 44,64 | [+1,41%]
    Vale (VALE3) R$ 47,20 | [-2,86%]
    Itaú Unibanco (ITUB4) R$ 36,23 | [-1,74%]

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