Bolsa vira, sobe 0,14%, mas mantém preocupações sobre taxação de dividendos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores começou a última semana do semestre subindo, mas logo foi mudando o humor, enfrentando a realidade, virou para negativo, mudou de novo e fechou ganhando 0,14% nesta segunda-feira (28). Poderia ter sido pior, mas ficar perto da estabilidade já foi uma vitória. O Ibovespa fechou com 127.429,17 pontos.

Em Nova York, não houve consenso, com os índices de ações mais voltados a ganhos com a reabertura da economia lutando pra vencer, e com o Nasdaq subindo.

Os investidores têm muito com o que se atentar: pacote de infraestrutura nos Estados Unidos, reforma tributária, que anda fazendo os donos do dinheiro torcerem o nariz, o caso Covaxin, que pode realmente abalar a governabilidade de Jair Bolsonaro (sem partido), o avanço da pandemia no Brasil, e a crise hídrica, no período do ano de menor índice pluviométrico.

Ao menos, há esperança: 2021 chega à metade com um segundo semestre mais favorável, graças à vacinação, que pode reforçar a reabertura econômica – de uma economia que nunca chegou a se fechar realmente, mas que sentiu o baque de consumidores cautelosos e grande desemprego.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 126.628,95 pontos (-0,49%); e na máxima, 128.066,87 pontos (+0,64%).

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O volume financeiro negociado foi de R$ 28,400 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (28): +0,14% (127.429,17 pontos)
  • semana: +0,14%
  • junho: +1,01%
  • 2021: +7,16%

Juros

  • D1F22: -0,44% para 5,63%
  • D1F23: -1,68% para 7,02%
  • D1F24: -1,92% para 7,65%
  • D1F25: -1,96% para 8,00%
  • D1F26: -1,91% para 8,21%
  • D1F27: -1,63% para 8,44%
  • D1F28: -0,80% para 8,67%
  • D1F29: -1,35% para 8,75%
  • D1F30: +0,56% para 8,95%
  • D1F31: -0,88% para 9,01%

Dólar

O dólar começou a última semana do semestre em queda. A moeda norte-americana caiu 0,19% e passou a valer R$ 4,9283.

  • segunda-feira (28): -0,19% a R$ 4,9283
  • semana : -0,19% a R$ 4,9283

Euro

  • segunda-feira (28): -0,34% a R$ 5,8727
  • semana: -0,34% a R$ 5,8727

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +6,39% a R$ 168.999,80
  • Ethereum: +17,84% a R$ 10.393,09
  • Tether: +1,80% a R$ 4,92
  • Cardano: +6,83% a R$ 6,54
  • Binance: +9,49% a R$ 1.441,76

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Wall Street fechou sem direção definida, mas a notícia do dia foi o índice de tecnologia Nasdaq voltando aos seus melhores dias, com os investidores novamente preocupados com o avanço da pandemia, promovida principalmente pela variante Delta, originária na Índia e que assolou o amplamente vacinado Reino Unido. Portugal, por exemplo, voltou a fechar fronteiras, especialmente com a Inglaterra.

Como sublinha a CNBC, os movimentos de hoje ocorreram com os rendimentos do Tesouro recuando ao longo da curva, especialmente o Tesouro de 10 anos.

Vale lembrar que as ações terminaram sua melhor semana em meses na sexta-feira (25), com os investidores ficando mais confiantes de que a inflação atual nos EUA não é uma ameaça econômica sustentada, mas um aumento temporário, como bem defende o Federal Reserve.

Além disso, um grande acordo bipartidário para o pacote de US$ 1 trilhão para a infraestrutura apareceu revitalizado na noite de domingo, depois que o presidente Joe Biden esclareceu no sábado que não planeja vetar a legislação se ela vier sem um projeto de reconciliação separado, favorecido pelos democratas. Senadores republicanos então disseram no domingo que o acordo pode seguir em frente.

“O acordo firmado em Washington na semana passada parece ter alguma chance de se tornar realidade”, escreveu John Stoltzfus, estrategista-chefe de investimentos da Oppenheimer Asset Management, em uma nota reproduzida pela CNBC. “Este programa poderia servir o país a curto e longo prazo na geração de empregos, impulsionar o crescimento econômico, sustentar a receita corporativa e o crescimento dos ganhos e aumentar a capacidade dos EUA de competir com outras nações no ainda relativamente novo, mas hipercompetitivo século 21”.

O próximo grande dado econômico é o relatório de empregos de junho, que o Departamento do Trabalho está programado para publicar na sexta-feira (2).

Os economistas esperam que as folhas de pagamento não-agrícolas aumentem em 683.000 em junho. Embora uma leitura tão robusta superasse os 559.000 em maio, ainda estaria abaixo de 1 milhão que alguns esperavam que uma economia dos EUA em recuperação pudesse postar ao emergir da crise da Covid-19.

Os investidores também analisarão o relatório de junho em busca de quaisquer sinais de inflação salarial, enquanto os empregadores lutam para encontrar trabalhadores para preencher as vagas de emprego e os benefícios de desemprego da era da pandemia diminuem em alguns estados.

No Reino Unido, o novo secretário de Saúde, Sajid Javid, informará os legisladores sobre quando o Reino Unido pode esperar aliviar ainda mais as medidas restritivas da Covid-19. As restrições da Covid devem terminar em 19 de julho, data que já foi prorrogada devido à disseminação da variante delta.

Os países mantém o estado de alerta lá em cima por conta da variante originária na Índia, sem saber ainda se todos os imunizantes em exercício são capazes de enfrentar essa nova força mutante do coronavírus que causa a Covid-19.

Os índices mais importantes da Europa, assim, recuaram nesta segunda, mas é um mau humor que pode se mostrar temporário.

Nova York

  • S&P: +0,23%
  • Nasdaq: +0,98%
  • Dow Jones: -0,44%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,75%
  • DAX (Alemanha): -0,34%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,88%
  • CAC (França): -0,98%
  • IBEX 35 (Espanha): -1,99%
  • FTSE MIB (Itália): -1,11%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,03%
  • SZSE Component (China): +0,97%
  • China A50 (China): -0,12%
  • DJ Shanghai (China): -0,17%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,04%
  • SET (Tailândia): -0,22%
  • Nikkei (Japão): -0,06%
  • ASX 200 (Austrália): -0,01%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,03%

Brasil: ambiente político e econômico

O Boletim Focus desta segunda-feira (28) tem novas projeções de aumento para PIB e inflação em 2021.

O boletim, com as expectativas de mercado, elevou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB). O boletim prevê que a economia possa crescer 5,05%. Esta estimativa é levemente maior do que na semana passada, quando foi previsto um PIB de 5%.

Quando comparado com quatro semanas atrás, a projeção é 1,09 ponto percentual. Na ocasião, a previsão era de que a economia chegaria ao fim do ano com crescimento de 3,96%.

A inflação também teve a projeção revista para cima. Nesta semana, o mercado calcula que o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – atinja 5,97%. Na semana passada, a estimativa era uma inflação em 5,90%. Há quatro semanas, o mercado calculava uma inflação em 5,31% para 2021.

O câmbio também teve sua projeção mantida. O boletim do Banco Central (BC), estima que o dólar deve chegar ao fim de 2021, em R$ 5,10. Há quatro semanas, a estimativa de mercado era que o dólar chegasse a R$ 5,30.

Os investidores não se conformam com a reforma tributária. A proposta que está na discussão do Congresso Nacional, faz a distribuição de lucros e dividendos passar a ser taxada na fonte em 20%, com isenção de de até R$ 20 mil por mês.

Estima-se uma arrecadação de cerca de R$ 58 bilhões a partir de 2024.

Hoje, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, disse que alíquota sobre dividendos poderá ser 15% em vez de 20%, tentando aliviar a tensão.

Não há isenção para pequenos investidores. Além disso, há tributação de 15% sobre fundos imobiliários.

São pontos bastantes sensíveis para quem trabalha no mercado financeiro. A proposta prevê a taxação de investimentos em renda fixa, fundos e Bolsa de Valores, com uma alíquota única fixada, sem diferenciar aplicações de menor prazo, que é o que acontece atualmente.

Com isso, seria possível reduzir a alíquota sobre o lucro das empresas, dos atuais 15% para 12,5% já em 2022; e para 10$% a partir de 2023. O adicional de 10% para lucros acida de R$ 20 mil por mês seria mantido.

Já no Senado, Bolsonaro vai vendo o cerco se fechar. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os feitos do governo federal no combate à pandemia da Covid-19 deve chamar para depor Ricardo Barros (PP-PR), um dos ícones do Centrão, conjunto de partidos fisiológicos que dão sustentação aos governos desde o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP).

Ele é líder do governo na Câmara dos Deputados e foi acusado nominalmente pelo deputado Luís Miranda (DE-DF) no depoimento que deu na sexta-feira (25), como operador do esquema potencialmente fraudulento na aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin, imunizante da Bharat Biotech da Índia.

Barros diz que “fica evidente que não há dados concretos ou mesmo acusações objetivas, inclusive pelas entrevistas dadas no fim de semana pelos próprios irmãos Miranda”.

O deputado Barros também nega ter indicado a servidora Regina Célia Silveira Oliveira para um cargo comissionado no Ministério da Saúde, quando foi ministro da Saúde no governo-tampão de Michel Temer (MDB-SP). Ela foi citada por Luis Ricardo Miranda, que é irmão do deputado Luis Miranda, como a responsável pela pressão e encaminhamento da papelada da Covaxin enquanto a área de importação apontava problemas.

Integrantes dos poderes da República, de Gilberto Kassab, líder do PSD, de forte peso político, a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), como a ministra Rosa Weber, classificam como “graves” as acusações.

No campo de dados, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado hoje, cresceu em 29 dos 30 setores industriais avaliados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A única queda ocorreu em Outros equipamentos de transporte (-1,1 ponto). Ainda assim, continua acima da linha de corte de 50 pontos.

O Icei varia de 0 a 100 pontos. Valores acima de 50 pontos indicam confiança do empresário. Conforme a CNI, quanto mais acima de 50 pontos, maior e mais disseminada é a confiança. Valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança do empresário. Ou seja, quanto mais abaixo de 50 pontos, maior e mais disseminada é a falta de confiança.

O Índice de Confiança da Indústria, calculado pela FGV, subiu 3,4 pontos em junho para 107,6 pontos, maior valor desde fevereiro (107,9 pontos).

“Pelo segundo mês consecutivo, houve melhora na confiança da indústria influenciada pelo avanço das expectativas em relação aos próximos meses. A recuperação das economias externas e o avanço do processo de vacinação no país contribuem para o aumento do otimismo das empresas. Apesar disso, é preciso cautela considerando que o setor ainda enfrenta dificuldades ainda com a escassez de insumos, aumento dos custos que incluem a mudança de bandeira para a energia elétrica, podendo ser fatores limitadores para uma recuperação mais robusta no segundo semestre”, comenta Claudia Perdigão, responsável pela pesquisa.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 45 subiram, 1 ficou estável (CMIG4) e todas as outras 38 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 110,60 (-1,60%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 29,05 (-0,17%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,45 (-1,14%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 26,26 (-0,49%)
  • Itaúsa (ITSA4): R$ 11,36 (-1,05%)

Maiores altas

  • CVC (CVCB3): R$ 28,65 (+3,62%)
  • Qualicorp (QUAL3): R$ 29,39 (+3,34%)
  • Ambev (ABEV3): R$ 17,50 (+3,24%)
  • BTG Pactual (BPAC11): R$ 121,96 (+3,12%)
  • Locaweb (LWSA3): R$ 27,08 (+2,93%)

Maiores baixas

  • Iguatemi (IGTA3): R$ 40,93 (-2,62%)
  • JHSF (JHSF3): R$ 7,43 (-2,11%)
  • BR Malls (BRML3): R$ 10,39 (-1,98%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 24,25 (-1,94%)
  • MRV (MRVE3): R$ 16,50 (-1,84%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,03% (54.878,07 pontos)
  • IBrX 50: -0,14% (21.368,37 pontos)
  • IBrA: +0,04% (5.172,12 pontos)
  • SMLL: +0,27% (3.172,12 pontos)
  • IFIX: -0,71% (2.705,84 pontos)
  • BDRX: +0,34% (12.471,50 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (agosto)/barril

  • segunda-feira (28): -1,64% (US$ 74,14)
  • semana: -1,64% (US$ 74,14)

Petróleo WTI (agosto)/barril

  • segunda-feira (28): -1,54% (US$ 72,91)
  • semana: -1,54% (US$ 72,91)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (28): -0,14% (US$ 1.780,30)
  • semana: -0,14% (US$ 1.780,30)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (28): +0,58% (US$ 26,24)
  • semana: +0,58% (US$ 26,24)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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