Bolsa tem alta de 0,97%, mas fecha a primeira semana negativa em um mês

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores corrigiu a rota nesta sexta-feira (23), subindo 0,97%, mas não foi suficiente para reverter para o azul no acumulado da semana, que ficou no negativo em 0,48%, a primeira no vermelho em um mês. Ao fim, o Ibovespa ficou com 120.530,06 pontos.

O índice brasileiro foi impulsionado pelo bom humor em Wall Street, que também fechou no positivo e pelo fim da novela do Orçamento 2021, aqui no Brasil, com a sanção, com vetos, pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A correção do mercado aqui e lá fora se deu depois que o presidente norte-americano Joe Biden anunciou aumento de impostos sobre ganhos de capital para ajudar a financiar programas sociais e parte da retomada da crise pandêmica. A questão ainda vai ficar nor adar por um tempo.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.372,04 pontos (+0,0001%); e na máxima, 120.814,83 pontos (+1,21%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 27,168 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (19): -0,15% (120.933,78 pontos)
  • terça-feira (20): -0,72% (120.061,99 pontos)
  • quarta-feira (21): feriado
  • quinta-feira (22): -0,58% (119.371,48 pontos)
  • sexta-feira (23): +0,97% (120.530,06 pontos)
  • semana: -0,48%
  • abril: +3,34%
  • 2021: +1,28%

Fechamento da Semana com a EQI

Dólar

O dólar conseguiu uma leve correção nesta sexta. A moeda norte-americana subiu 0,78%, valendo R$ 5,5508.

  • segunda-feira (19): -0,61% a R$ 5,5505
  • terça-feira (20): +0,01% a R$ 5,5508
  • quarta-feira (21): feriado
  • quinta-feira (22): -1,73% a R$ 5,4556
  • sexta-feira (23): +0,78% a R$ 5,4973
  • semana : -1,55% a R$ 5,4973

Euro

  • segunda-feira (19): -0,34% a R$ 6,674
  • terça-feira (20): +0,40% a R$ 6,7008
  • quarta-feira (21): feriado
  • quinta-feira (22): -2,38% a R$ 6,5419
  • sexta-feira (23): +1,64% a R$ 6,6495
  • semana: -0,70% a R$ 6,6495

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -4,48% a R$ 280.216,88
  • Ethereum: -6,18% a R$ 13.029,96
  • Binance: -0,66% a R$ 2.879,78

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA se recuperaram, com Wall Street reavaliando as preocupações decorrentes das notícias de que a Casa Branca poderia buscar um aumento no imposto sobre ganhos de capital. Imagina-se que não será tão fácil esse intento de Biden.

Ele está planejando um aumento de até 43,4% para os americanos mais ricos.

A proposta aumentaria a taxa de ganhos de capital para 39,6% para aqueles que ganham US$ 1 milhão ou mais, contra 20% atualmente, de acordo com a imprensa local.

Ainda assim, com o estreito controle majoritário dos democratas no Congresso, um projeto de lei tributária como este pode enfrentar desafios e muitos em Wall Street acreditam que um aumento menos dramático é mais provável.

“Esperamos que o Congresso aprove uma versão reduzida desse aumento de impostos”, escreveram os economistas do Goldman Sachs em uma nota. “Esperamos que o Congresso concorde com um aumento mais modesto, potencialmente em torno de 28%”.

Vale lembrar que os investidores domésticos tributáveis ​​dos EUA possuem apenas cerca de 25% do mercado de ações local. O restante do mercado pertence a contas que não estão sujeitas a impostos sobre ganhos de capital, como contas de aposentadoria, doações e investidores estrangeiros, portanto, o impacto sobre os preços gerais das ações deve ser limitado mesmo com um imposto mais elevado

Na parte dos dados, a atividade industrial dos Estados Unidos (PMI) acelerou no início de abril, de acordo com pesquisa do IHS Markit, divulgada nesta sexta-feira (23). Entretanto, os produtores lutavam cada vez mais para obter matérias-primas e outros insumos. O caso se deve à reabertura da economia que levou a um ‘boom’ na demanda doméstica.

Conforme os dados, o PMI preliminar de manufatura dos EUA subiu para 60,6 na primeira metade deste mês. Essa foi a leitura mais alta desde que a série começou, em maio de 2007, e seguiu uma leitura final de 59,1 em março.

E na zona do euro também.

Em leitura preliminar da IHS Markit para o Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) da zona do euro, há a indicação de que a atividade empresarial voltou a se expandir em abril, fornecendo impulso positivo para o segundo trimestre.

O PMI industrial foi de 62,5 para 63,3 pontos. O de serviços, de 49,6 para 50,3. E o composto, que une indústria e serviços, de 53,2 para 53,7 pontos. Todos vieram acima da projeção.

Neste indicador, leituras acima de 50 pontos indicam expansão da atividade econômica. E, abaixo, indicam retração.

Em comum, EUA e Europa trataram a pandemia com seriedade, fecharam suas economias quando deviam e agora colhem os frutos.

Nova York(sexta-feira)

  • S&P: +1,09%
  • Nasdaq: +1,44%
  • Dow Jones: +0,67%

Nova York (semana)

  • S&P: -0,13%
  • Nasdaq: -0,25%
  • Dow Jones: -0,46%

Europa (sexta-feira)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,04%
  • DAX (Alemanha): -0,27%
  • FTSE 100 (Reino Unido): 0,00%
  • CAC (França): -0,15%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,44%
  • FTSE MIB (Itália): -0,05%

Europa (semana)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,49%
  • DAX (Alemanha): -1,17%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -1,15%
  • CAC (França): -0,46%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,06%
  • FTSE MIB (Itália): -1,45%

Ásia e Oceania (sexta-feira)

  • Shanghai (China): +0,26%
  • SZSE Component (China): +1,00%
  • China A50 (China): +1,45%
  • DJ Shanghai (China): +0,43%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,28%
  • SET (Tailândia): -0,93%
  • Nikkei (Japão): -0,57%
  • ASX 200 (Austrália): +0,08%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,27%

Ásia e Oceania (semana)

  • Shanghai (China): +1,39%
  • SZSE Component (China): +4,60%
  • China A50 (China): +3,56%
  • DJ Shanghai (China): +1,84%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,54%
  • SET (Tailândia): +0,30%
  • Nikkei (Japão): -2,23%
  • ASX 200 (Austrália): -0,04%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,39%

Brasil: ambiente político e econômico

Após a sanção do Orçamento 2021, pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com vetos parciais, os investidores se acalmaram e agora apontam a antena para a próxima encrenca, que deve ser o fervor da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no Senado Federal, que começa na terça-feira (27) e que vai investigar a condução da pandemia pelo governo federal.

O presidente Bolsonaro sancionou, enfim, com veto parcial e bloqueio adicional, a Lei Orçamentária de 2021, que fixa as despesas e estima as receitas de todo o governo federal para este ano.

Até a sanção, que ocorreu na noite desta quinta-feira (22), último prazo para essa decisão do Executivo, a União vinha executando apenas as ações e programas considerados obrigatórios ou inadiáveis, dentro dos limites do orçamento provisório estabelecido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Com a sanção do orçamento definitivo, o restante das dotações fica destravada e o governo federal poderá voltar a fazer investimentos e executar programas discricionários – aqueles considerados não obrigatórios por lei.

O mercado ficou aliviado.

“A definição do orçamento deste ano, junto com a mudança de tom de Bolsonaro na Cúpula do Clima e o arrefecimento das taxas de juros longas americanas, dão espaço para o fortalecimento da moeda doméstica. Nossas estimativas indicam que os riscos fiscais e o agravamento da pandemia no Brasil frente às economias desenvolvidas, têm implicado em uma depreciação excessiva do real frente ao dólar de cerca de 15%”, disse ao Portal UOL José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

O problema é que a definição do Orçamento deste ano acabou sobrando para Educação, para investimentos em infraestrutura e para a Saúde, em plena pandemia. Essas foram as áreas que mais sofreram cortes.

Sobrou até mesmo para o Censo. O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, declarou que o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) não será realizado em 2021. Não há dinheiro para isso, após os cortes no Orçamento sancionado.

O problema é que é justamente o Censo que norteia as políticas públicas e a destinação de recursos para ela. As emendas parlamentares, parece, são mais importantes.

As despesas com o enfrentamento à pandemia já somam R$ 103 bilhões em 2021, informou o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, segundo o UOL. E os valores ainda podem subir, porque a Saúde, em meio à pandemia, necessita de mais recursos – o chamado kit entubação está em falta em várias partes do país, por exemplo.

“O montante atual inclui R$ 88 bilhões em despesas já contratadas — sendo R$ 44 bilhões com o auxílio emergencial e parte em restos a pagar do ano passado — mais R$ 10 bilhões estimados com a reedição do programa BEm (Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda) e R$ 5 bilhões com o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte)”, explica o portal.

Só com esse “por fora” do Teto é que o Orçamento pôde ser aprovado.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 60 subiram, 1 ficou estável (COGN3) e as outras 20 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Petrobras (PETR4): R$ 23,69 (-0,08%)
  • Vale (VALE3): R$ 107,99 (+1,66%)
  • CSN (CSNA3): R$ 49,03 (+0,64%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 22,15 (-0,27%)
  • Notre Dame Intermédica (GNDI3): R$ 81,80 (+0,44%)

Maiores altas

  • Gol (GOLL4): R$ 24,02 (+4,12%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 13,12 (+3,88%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 52,62 (+3,56%)
  • SulAmérica (SULA11): R$ 33,27 (+3,55%)
  • TIM (TIMS3): R$ 12,24 (+3,29%)

Maiores baixas

  • Cielo (CIEL3): R$ 3,75 (-3,10%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 91,02 (-2,49%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 20,49 (-2,06%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 38,15 (-1,55%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 10,76 (-1,28%)

Maiores altas da semana

  • Marfrig (MRFG3): R$ 20,49 (+5,84%)
  • Gol (GOLL4): R$ 24,02 (+5,54%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 52,80 (+5,28%))
  • BR Distribuidora (BRDT3): R$ 22,71 (+5,14%)
  • JBS (JBSS3): R$ 35,00 (+4,76%)

Maiores baixas da semana

  • Lojas Renner (LREN3): R$ 40,82 (-12,96%)
  • Yduqs (YDUQ3): R$ 29,59 (-7,99%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 91,85 (-6,41%)
  • Cogna (COGN3): R$ 3,96 (-5,49%)
  • B2W (BTOW3): R$ 64,80 (-4,99%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +1,05% (sexta-feira) | -0,46% (semana) (52.009,10 pontos)
  • IBrX 50: +1,05% (sexta-feira) | -0,42% (semana) (20.205,05 pontos)
  • IBrA: +1,08% (sexta-feira) | -0,35% (semana) (4.891,43 pontos)
  • SMLL: +0,61% (sexta-feira) | -0,41% (semana) (2.953,58 pontos)
  • IFIX: +0,19% (sexta-feira) | -0,10% (semana) (2.844,63 pontos)
  • BDRX: +2,22% (sexta-feira) | -2,15% (semana) (13.401,18 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (junho)/barril

  • segunda-feira (19): +0,42% (US$ 67,05)
  • terça-feira (20): -0,71% (US$ 66,57)
  • quarta-feira (21): -1,87% (US$ 65,32)
  • quinta-feira (22): +0,12% (US$ 65,40)
  • sexta-feira (23): +1,09% (US$ 66,11)
  • semana: -0,95% (US$ 66,11)

Petróleo WTI (maio)/barril

  • segunda-feira (19): +0,38% (US$ 63,43)
  • terça-feira (20): -1,20% (US$ 62,67)
  • quarta-feira (21): -2,11% (US$ 61,35)
  • quinta-feira (22): +0,13% (US$ 61,43)
  • sexta-feira (23): +1,16% (US$ 62,14)
  • semana: -1,64% (US$ 62,14)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -0,53% (US$ 1.770,60)
  • terça-feira (20): +0,44% (US$ 1.778,40)
  • quarta-feira (21): +0,84% (US$ 1.792,30)
  • quinta-feira (22): -0,61% (US$ 1.782,00)
  • sexta-feira (23): -0,23% (US$ 1.777,80)
  • semana: -0,09% (US$ 1.777,80)

Prata (maio)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -1,05% (US$ 25,83)
  • terça-feira (20): -0,03% (US$ 25,82)
  • quarta-feira (21): +2,83% (US$ 26,58)
  • quinta-feira (22): -1,61% (US$ 26,13)
  • sexta-feira (23): -0,54% (US$ 26,04)
  • semana: -0,60% (US$ 26,04)

Com Wisir Research, BDM e CNBC