Bolsa recupera-se na reta final, mas fecha o dia com menos 0,28%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores lutou bravamente nesta quarta-feira (18) para diminuir a derrocada que parecia surgir no horizonte. O índice em São Paulo acabou perdendo 0,28%, fechando em 122.636,30 pontos, mas podia ser bem pior.

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A discussão sobre a privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6) um tanto que salvou o dia, com boas altas dos dois ativos, mas Vale (VALE3), Petrobras (PETR3 PETR4) e CSN (CSNA3) perderam um tanto dos ganhos das sessões recentes e seguraram o Ibovespa no negativo.

Em Nova York, o mesmo de ontem: perdas médias nos três índices mais importantes. Hoje, houve a divulgação da ata da última reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

Vale lembrar que a reunião, realizada em 27 e 28 de abril, o Fed decidiu manter as taxas de juros entre zero e 0,25% e manteve as compras de títulos de US$ 120 bilhões por mês.

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O ponto central do comunicado diz respeito às expectativas de inflação do Banco Central americano. O Fed considera a inflação transitória. Os dirigentes observaram que a atividade econômica avançou acentuadamente nos EUA e segue longe de metas de inflação e emprego.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 121.595,27 pontos (-1,13%); e na máxima, 123.013,40 pontos (+0,03%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 31,800 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (17): +0,87% (122.937,87 pontos)
  • terça-feira (18): +0,03% (122.979,96 pontos)
  • quarta-feira (19): -0,28% (122.636,30 pontos)
  • semana: +0,62%
  • maio: +3,16%
  • 2021: +3,05%

Dólar

O dólar recuperou valor nesta quarta. A moeda norte-americana subiu 1,17%, valendo R$ 5,3158.

  • segunda-feira (17): -0,09% a R$ 5,2663
  • terça-feira (18): -0,22% a R$ 5,2545
  • quarta-feira (19): +1,17% a R$ 5,3158
  • semana : +0,86% a R$ 5,3158

Euro

  • segunda-feira (17): +0,09% a R$ 6,4071
  • terça-feira (18): +0,33% a R$ 6,4283
  • quarta-feira (19): +0,79% a R$ 6,4789
  • semana: +1,21% a R$ 6,4789

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -5,68% a R$ 211.860,99
  • Ethereum: -19,70% a R$ 14.149,99
  • Binance: -21,91% a R$ 2.074,39

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

A protagonista do dia foi, claro, a divulgação hoje da ata da reunião do Fed acontecida em 27 e 28 de abril. As ações caíram.

Isso porque o Federal Reserve pode reconsiderar seus programas de compra de ativos nas próximas reuniões.

Os dirigentes do Fed concordam, de acordo com a ata divulgada hoje, em “buscar inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo“. Dessa forma, os dirigentes esperam manter política acomodatícia até atingir metas de inflação e emprego.

Foi pontuado, no entanto, que a atividade econômica avançou acentuadamente nos EUA. Mas os dirigentes disseram que a economia segue longe dos patamares ideais de inflação e emprego.

Os membros do comitê voltaram a reiterar que a pandemia continua afetando a economia do país, apesar de os EUA terem vacinado mais de 60% da população adulta. Com o avanço da imunização, medidas de restrição à mobilidade urbana foram amenizadas.

O comitê lembra que o apoio fiscal contribuiu para elevar indicadores econômicos: “as condições financeiras melhoraram modestamente à medida que os participantes do mercado continuaram a se concentrar no progresso em direção à reabertura econômica, bem como na política monetária e fiscal de apoio”.

O comitê reiterou estar comprometido em usar todas as ferramentas para apoiar a economia, já que as incertezas econômicas nos EUA seguem elevadas e dependem da evolução do coronavírus.

O Fed alerta que a recuperação do mercado de trabalho ocorre de forma desigual entre os setores da economia. Há, segundo a autoridade monetária, dificuldades para para atrair trabalhadores.

Por isso, os dirigentes disseram que ajustarão a política monetária caso surjam riscos que ameacem as metas do Fed. Acreditam que as expectativas de inflação continuam bem sustentadas.

Alguns membros do Fed, entretanto, já se inclinaram nessa reunião, a um debate mais aprofundado sobre mudança na política monetária dos Estados Unidos, o que deve indicar uma mudança mais a frente.

O presidente Jerome Powell disse após a reunião que a recuperação continua “desigual e longe de ser completa” e que a economia ainda não estava mostrando o padrão de “progresso substancial” que o comitê estabeleceu antes de mudar a política.

Olhando para a Europa, a inflação no Reino Unido mais que dobrou em abril. Os preços ao consumidor subiram 1,5%, após uma alta de 0,7% em março.

A economia do Reino Unido ainda está operando abaixo dos níveis anteriores à crise e as expectativas de inflação parecem razoavelmente bem ancoradas. No entanto, com a reabertura da economia, parece provável que veremos mais alguns aumentos de preços e a inflação deve terminar o ano em alta.

Já a inflação na zona do euro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor, acelerou 0,6% em abril, chegando a 1,6% na comparação anual – em março, era 1,3%.

A alta já era projetada pelo mercado. Segundo o Eurostat, escritório oficial de estatística da região, a alta é justificada principalmente pela alta nos preços da energia – como petróleo e gás, que subiram 10,4% em abril.

A meta de inflação do Banco Central Europeu é próxima a 2% ao ano, mas a aceleração rápida acende alertas sobre uma possível subida de juros antes do previsto.

Os mercados na Ásia-Pacífico fecharam em baixa, seguidos pelos europeus. Em nenhum deles, houve impacto ainda dos entendimentos, agora conhecidos, do Fed.

Nova York

  • S&P: -0,29%
  • Nasdaq: -0,03%
  • Dow Jones: -0,48%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -1,71%
  • DAX (Alemanha): -1,77%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -1,19%
  • CAC (França): -1,43%
  • IBEX 35 (Espanha): -1,23%
  • FTSE MIB (Itália): -1,58%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,51%
  • SZSE Component (China): +0,23%
  • China A50 (China): -0,50%
  • DJ Shanghai (China): -0,57%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): feriado
  • SET (Tailândia): -0,29%
  • Nikkei (Japão): -1,28%
  • ASX 200 (Austrália): -1,90%
  • Kospi (Coreia do Sul): feriado

Brasil: ambiente político e econômico

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, investigando as ações do governo federal no combate à pandemia, ouviu o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, em uma sessão bastante tensa e com o depoente se contradizendo e gaguejando na questão da crise no Amazonas, em janeiro, e nas reuniões evitadas com a Pfizer.

E ainda iria longe. Mas a sessão foi suspensa pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), depois que Pazuello se sentiu mal, perto das cinco da tarde. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, o atendeu: “Quando cheguei, ele tava com uma síndrome vasovagal típica, perdeu sangue do cérebro, estava muito pálido, acontece muito isso, já aconteceu aqui. Quando o vi assim peguei, coloquei num sofá, deitado com as pernas para cima, pro sangue voltar pro cérebro. Isso acontece muito com as pessoas que ficam muito tempo em pé, às vezes se emocionam um pouco, não pode deixar de atender”, disse. O depoimento começou às nove da manhã.

Ela será retomada nesta quinta-feira (20), às 10h.

O depoente deu respostas evasivas e abusou da paciência dos senadores, que recorrentemente pediram objetividade. Pediram também que o ex-ministro falasse a verdade, já que vários documentos contradizem as respostas de Pazuello, especialmente na questão da crise do oxigênio em Manaus, em janeiro; do aplicativo TrateCov, que receitava cloroquina a torto e a direito; e da omissão do governo federal na compra de vacinas.

O ex-ministro, porém, está ancorado no direito de ficar em silêncio quando se sentir acuado, graças a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), subterfúgio que usou poucas vezes.

Na questão da privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6), segundo o portal G1, “mais de 30 entidades do setor produtivo se posicionaram contra a votação do relatório da MP da privatização da Eletrobras, prevista para esta quarta-feira (19) na Câmara dos Deputados”.

“De acordo com as entidades”, informa, “o texto acarretará no aumento do preço da energia em pelo menos 8% para os pequenos consumidores. Já os grandes consumidores, como a indústria, podem ter até 15% no aumento no gasto com energia, o que acabaria por ser repassado para os consumidores”.

O relator da Medida Provisória (MP) que trata do assunto, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), disse que retirou do texto, após acordo com o governo e lideranças, os principais problemas que travavam o avanço ao Plenário. O mercado reagiu bem, mas a matéria ainda não surgiu para apreciação.

E tem um dado que sempre assusta: os brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em tributos arrecadados desde o 1º dia de 2021 pelos governos federal, estaduais e municipais. Os dados são do que registrou o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A marca foi atingida às 7h53 desta quarta-feira (19). Entraram na conta impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e a correção monetária.

De acordo com as informações da ACSP, no ano passado esse valor foi superado no dia 27 de junho. Ainda mais, em 2019, no dia 24 de maio. “O índice, portanto, aponta que os contribuintes brasileiros devem pagar mais dinheiro para os cofres públicos neste ano do que pagaram em 2020 e, até mesmo, em 2019, época sem pandemia”, afirma a associação.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 35 subiram, 3 ficaram estáveis (IRIB3, JHSF3 e CPLE6) e as outras 46 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 112,25 (-2,05%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 26,15 (-0,76%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,13 (+0,73%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,57 (+0,67%)
  • CSN (CSNA3): R$ 47,25 (-3,98%)

Maiores altas

  • Cemig (CMIG4): R$ 13,27 (+5,07%)
  • BRF (BRFS3): R$ 22,02 (+4,56%)
  • Eletrobras (ELET3): R$ 42,50 (+4,17%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 19,00 (+4,00%)
  • Eletrobras (ELET6): R$ 42,41 (+3,62%)

Maiores baixas

  • Cyrela (CYRE3): R$ 23,10 (-4,03%)
  • CSN (CSNA3): R$ 47,25 (-3,98%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 15,89 (-3,23%)
  • Hering (HGTX3): R$ 28,63 (-3,01%)
  • CVC (CVCB3): R$ 24,18 (-2,70%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,51% (52.909,02 pontos)
  • IBrX 50: -0,61% (20.657,83 pontos)
  • IBrA: -0,48% (4.980,04 pontos)
  • SMLL: -0,69% (2.957,73 pontos)
  • IFIX: -0,24% (2.801,32 pontos)
  • BDRX: +0,40% (12.583,24 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (julho)/barril

  • segunda-feira (17): +1,09% (US$ 69,46)
  • terça-feira (18): -1,08% (US$ 68,71)
  • quarta-feira (19): -2,98% (US$ 66,66)
  • semana: -2,97% (US$ 66,66)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (17): +1,38% (US$ 66,27)
  • terça-feira (18): -1,18% (US$ 65,50)
  • quarta-feira (19): -3,25% (US$ 63,36)
  • semana: -3,05% (US$ 63,36)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (17): +1,60% (US$ 1.867,60)
  • terça-feira (18): +0,02% (US$ 1.868,00)
  • quarta-feira (19): +0,72% (US$ 1.881,50)
  • semana: +2,34% (US$ 1.881,50)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (17): +3,42% (US$ 28,30)
  • terça-feira (18): +0,18% (US$ 28,33)
  • quarta-feira (19): -2,36% (US$ 27,66)
  • semana: +1,14% (US$ 27,66)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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