Bolsa recupera 1,34%, em movimento de alta contrário a NY, após anúncio dovish do Fed

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores se recupera, ganha 1,34% nesta quarta-feira (28), e fecha com 126.285,59 pontos. O movimento seguiu para o alto antes mesmo do anúncio do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e ao contrário do caminho errático visto em Nova York, cujos índices passaram a flutuar bastante no meio da sessão e fecharam com direções opostas.

Os olhos do mercado financeiro mundial estavam voltados para um só lugar: o Fed, que encerrou hoje sua reunião de dois dias para analisar e planejar os próximos passos da política monetária.

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E, como diziam nossos pais e avós, “tudo como dantes, no quartel-general em Abrantes”: em decisão unânime, a instituição manteve a taxa de juros inalterada no intervalo entre 0% e 0,25%. Em outras palavras, nada mudou, mas o presidente da instituição, Jerome Powell, em sua entrevista costumeira após as reuniões, deve ampliar mais a compreensão do que foi discutido.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 124.542,47 pontos (-0,06%); e na máxima, 126.712,08 pontos (+1,68%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 31,900 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (26): +0,76% (126.003,86 pontos)
  • terça-feira (27): -1,10% (124.612,03 pontos)
  • quarta-feira (28): +1,34% (126.285,59 pontos)
  • semana: +0,98%
  • julho: -0,41%
  • 2021: +6,10%

Juros

  • D1F22: +0,01 p.p. para 6,24%
  • D1F23: +0,04 p.p. para 7,67%
  • D1F24: +0,04 p.p. para 8,18%
  • D1F25: +0,03 p.p. para 8,43%
  • D1F26: +0,03 p.p. para 8,58%
  • D1F27: +0,02 p.p. para 8,75%
  • D1F28: +0,02 p.p. para 8,89%
  • D1F29: -0,02 p.p. para 8,98%
  • D1F30: -0,05 p.p. para 9,07%
  • D1F31: -0,01 p.p. para 9,19%

Dólar

O dólar despencou hoje. A moeda norte-americana perdeu 1,31% e passou a valer R$ 5,1099.

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3

    li>segunda-feira (26): -0,70% a R$ 5,1742
  • terça-feira (27): +0,06% a R$ 5,1775
  • quarta-feira (28): -1,31% a R$ 5,1099
  • semana: -1,95%

Euro

  • segunda-feira (26): -0,23% a R$ 6,1073
  • terça-feira (27): -0,01% a R$ 6,1067
  • quarta-feira (28): -0,90% a R$ 6,0516
  • semana: -1,14%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +7,22% a R$ 204.701,11
  • Ethereum: +5,03% a R$ 11.791,79
  • Tether: +1,82% a R$ 5,11
  • Cardano: +3,93% a R$ 6,53
  • Binance: +4,05% a R$ 1.602,64

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações em Wall Street terminaram com direções diversas, depois de lutar muito. Nem mesmo o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, tranquilizando os investidores e dizendo que uma melhora econômica substancial é necessária para que o banco central comece a desacelerar suas políticas dovish.

O Fed divulgou hoje a ata do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição.

Em decisão unânime, a instituição manteve a taxa de juros inalterada no intervalo entre 0% e 0,25%.

Junto com isso, o Fed reforçou sua visão de que a economia continua a se fortalecer.

Segundo a ata, os setores mais afetados pela pandemia mostraram melhorias, mas não se recuperaram totalmente.

A inflação subiu, refletindo em grande parte fatores transitórios. As condições financeiras gerais permanecem acomodatícias, em parte refletindo medidas de política para apoiar a economia e o fluxo de crédito para famílias e empresas dos EUA.

Além disso, o comitê disse que houve progresso em relação às metas do Fed em relação ao emprego e à inflação, um aceno de que mudanças na política, especialmente no que diz respeito à compra mensal de títulos, podem estar a caminho.

“Temos algum terreno a cobrir no lado do mercado de trabalho”, disse Powel em entrevista coletiva. “Acho que estamos longe de ter um progresso substancial em direção à meta de emprego. Eu gostaria de ver alguns bons números de empregos”.

O banco central começou a comprar pelo menos US$ 120 bilhões por mês em títulos em dezembro, até que “progressos substanciais” fossem feitos no emprego e na inflação.

“Desde então, a economia avançou em direção a essas metas e o Comitê continuará avaliando o progresso nas próximas reuniões”, disse o comunicado pós-reunião.

Powell observou a crescente ameaça que a pandemia e sua variante delta representam, mas disse que não vê isso tendo um grande impacto econômico.

Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office, analisou a decisão do Fed como “mais do mesmo”.

“FOMC mantém comunicado dovish, ressaltando que o aumento da inflação permaneceu como resultado de fatores transitórios e que deve manter as compras mensais de títulos inalteradas até que perceba maiores progressos da economia”, ele disse. “O Fed continua preso a uma armadilha de liquidez que só deve ser de fato discutida em agosto, começando de maneira muito branda e com o foco em hipotecas”.

O Federal Reserve confirmou a compra mensal de US$ 120 bilhões em Treasuries e títulos hipotecários.

Nova York

  • S&P: -0,02%
  • Nasdaq: +0,70%
  • Dow Jones: -0,36%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,94%
  • DAX (Alemanha): +0,33%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,29%
  • CAC (França): +1,19%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,40%
  • FTSE MIB (Itália): +0,70%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,58%
  • SZSE Component (China): -0,05%
  • China A50 (China): +1,12%
  • DJ Shanghai (China): -0,34%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,44%
  • SET (Tailândia): mercado fechado
  • Nikkei (Japão): -1,39%
  • ASX 200 (Austrália): -0,70%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,13%

Brasil: ambiente político e econômico

A preocupação é mundial, mas no Brasil o problema se mostra mais acentuado.

É o caso do Índice de Preços ao Produtor, do IBGE, que subiu 1,31% em junho, ante 0,99% de maio. O acumulado no ano é de 19,11%, o maior para este mês na série histórica iniciada em 2014. Em 12 meses o acumulado também foi recorde, chegando a 36,81%.

A pesquisa mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

Dessas, 18 tiveram variações positivas em junho. A maior influência no índice veio das indústrias extrativas, que representou 0,60 ponto percentual, seguido por outros produtos químicos (0,19 p.p.), produtos de metal (0,08 p.p.) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (0,07 p.p.).

Mesmo assim, o Índice de Confiança da Indústria, calculado pela FGV, subiu 0,8 ponto em julho para 108,4 pontos, maior valor desde janeiro (111,3 pontos). Em médias móveis trimestrais, o índice subiu 1,6 ponto.

“A confiança da indústria avança pelo terceiro mês consecutivo. Há acomodação das avaliações sobre o momento atual. Mas há desaceleração do otimismo das empresas em relação aos próximos meses”, afirma a economista Claudia Perdigão.

Segundo ela, as empresas ainda enfrentam um cenário de escassez de insumos, possibilidade de racionamento energético e alta incerteza econômica.

O Índice de Situação Atual subiu pela segunda vez, variando 0,5 ponto, para 111,8 pontos. O Índice de Expectativas subiu 0,9 ponto para 104,9 pontos, o terceiro mês de alta consecutiva. Ambos retornam ao patamar de janeiro desse ano.

Tudo por conta do avanço da vacinação e de uma esperança de que a “normalidade” poderá voltar.

A maior cidade do país, por exemplo, diante dos números cada vez mais baixos (no comparativo desesperador de março e abril) de internações, novos casos e óbitos por conta da Covid-19, e com o avanço da vacinação, que ainda é baixa, começa a voltar aos eixos.

Uma das medidas mais simbólicas anunciadas hoje pelo governador do estado, João Dória (PSDB), é que o rodízio de veículos na capital volta aos horários tradicionais a partir de segunda-feira (2). O rodízio estava funcionando à noite para que as pessoas evitassem de sair, mas se mostrou uma medida bastante sem efetividade. Agora, ele volta ao seu objetivo original: diminuir, ou tentar, o trânsito na metrópole.

Outras medidas dão conta da ampliação do horário de funcionamento do comércio, até a meia-noite, e flexibilização de até 80% de capacidade de uso de espaços comerciais.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 64 subiram, 2 ficaram estáveis (CPFE3 e BRDT3) e 18 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 117,30 (-2,73%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,79 (+3,25%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 27,71 (+2,06%)
  • Natura (NTCO3): R$ 55,00 (-6,38%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,34 (+0,79%)

Maiores altas

  • Weg (WEGE3): R$ 37,20 (+8,17%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,79 (+3,25%)
  • BRF (BRFS3): R$ 26,44 (+3,20%)
  • EzTec (EZTC3): R$ 28,40 (+2,90%)
  • Hering (HGTX3): R$ 38,98 (+2,82%)

Maiores baixas

  • Natura (NTCO3): R$ 55,00 (-6,38%)
  • CSN (CSNA3): R$ 45,57 (-2,79%)
  • BTG Pactual (BPAC11): R$ 31,02 (-2,05%)
  • B3 (B3SA3): R$ 15,84 (-1,61%)
  • Carrefour (CRFB3): R$ 19,54 (-1,31%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +1,46% (54.814,15 pontos)
  • IBrX 50: +1,59% (21.396,35 pontos)
  • IBrA: +1,40% (5.153,08 pontos)
  • SMLL: +0,86% (3.041,06 pontos)
  • IFIX: -0,02% (2.816,91 pontos)
  • BDRX: -0,52% (13.259,43 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (26): +0,54% (US$ 74,50)
  • terça-feira (27): -0,24% (US$ 73,52)
  • quarta-feira (28): +0,48% (US$ 73,83)
  • semana: +0,78%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (26): -0,22% (US$ 71,91)
  • terça-feira (27): -0,36% (US$ 71,65)
  • quarta-feira (28): +1,03% (US$ 72,39)
  • semana: +0,45%

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (26): -0,14% (US$ 1.800,40)
  • terça-feira (27): +0,03% (US$ 1.799,80)
  • quarta-feira (28): +0,03% (US$ 1.800,30)
  • semana: -0,08%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,39% (US$ 25,32)
  • terça-feira (27): -2,64% (US$ 24,65)
  • quarta-feira (28): +1,32% (US$ 24,98)
  • semana: -0,93%

Com Wisir Research, BDM e CNBC