Bolsa recua 0,26%, em dia de Fed, denúncias de corrupção e PMIs

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores caiu 0,26% nesta quarta-feira (23), fechando com 128.427,98 pontos. Em Nova York, os índices mais importantes fecharam com direções opostas, depois de terem flertados todos com o azul.

A fala ontem de Jerome Powell, do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) seguiu com influência positiva, mas nada é tão bom que dure para sempre. Hoje, o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, disse que podem vir dois aumentos nas taxas de juros em 2023. Os Treasuries de 10 anos balançaram. Subiram pouco.

No Brasil, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) se vê envolvido em outro escândalo de corrupção, agora por compras da vacina Covaxin, da Índia. O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), aliado do bolsonarismo, afirma ter alertado o presidente sobre os indícios de irregularidade na transação. O mercado ainda não percebeu o potencial destrutivo da acusação. Talvez espere o depoimento dele à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o trato do governo com a pandemia no Brasil. A oitiva deve ocorrer esta semana.

Além disso, a reforma tributária segue no foco, com um provável imposto sobre dividendos e o fim da dedução pelas empresas do Juro Sobre Capital Próprio.

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No finalzinho da sessão, quando o Ibovespa batia o martelo, surgia a notícia de que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (sem partido), pediu demissão. Ele é alvo de duas investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Joaquim Alvaro Pereira Leite acabou nomeado para a pasta; ele era secretário da Amazônia e Serviços Ambientais.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 128.182,73 pontos (-0,45%); e na máxima, 129.900,84 pontos (+0,88%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 29,300 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (21): +0,67% (129.264,96 pontos)
  • terça-feira (22): -0,38% (128.767,45 pontos)
  • quarta-feira (23): -0,26% (128.427,98 pontos)
  • semana: +0,02%
  • junho: +1,75%
  • 2021: +7,91%

Juros

  • D1F22: +0,70% para 5,77%
  • D1F23: +0,83% para 7,31%
  • D1F24: +0,63% para 7,93%
  • D1F25: +0,37% para 8,24%
  • D1F26: +0,24% para 8,44%
  • D1F27: +0,01% para 8,64%
  • D1F28: -0,23% para 8,79%
  • D1F29: -0,11% para 8,92%
  • D1F30: -0,11% para 9,03%
  • D1F31: -0,11% para 9,15%

Dólar

O dólar ficou perto da estabilidade nesta quarta. A moeda norte-americana caiu 0,07% e passou a valer R$ 4,9628.

  • segunda-feira (21): -0,91% a R$ 5,0227
  • terça-feira (22): -1,13% a R$ 4,9661
  • quarta-feira (23): -0,07% a R$ 4,9628
  • semana : -2,11% a R$ 4,9628

Euro

  • segunda-feira (21): -1,02% a R$ 5,9744
  • terça-feira (22): -0,94% a R$ 5,9181
  • quarta-feira (23): -0,04% a R$ 5,9158
  • semana: -2,00% a R$ 5,9158

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +3,01% a R$ 162.852,93
  • Ethereum: +3,22% a R$ 9.565,17
  • Tether: +1,81% a R$ 4,96
  • Cardano: +6,04% a R$ 6,62
  • Binance: +8,65% a R$ 1.414,02

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA ficaram com direções diversas, com os investidores analisando as falas muitas vezes fora de hora dos dirigentes do Fed, sobre o risco de uma política monetária mais rígida.

O Fed parece uma panela fervente, daquelas cujo caldo sempre respinga para fora e queima alguém. Dessa vez, foi o presidente da sucursal de Atlanta, Raphael Bostic, quem colocou fogo nos investidores, dizendo que podem vir dois aumentos nas taxas de juros em 2023, com início de movimentação já no fim de 2022. As informações são da Reuters.

“Recentemente, muitos dos dados vieram mais fortes do que eu esperava”, disse Bostic em comentários a repórteres. “O PIB está em trajetória forte. A inflação está mais alta e bem acima da nossa meta”.

A economia cresce a 7% e a inflação está em 3,4%. A meta do Fed é de 2%.

A instituição, porém, na ata de sua última reunião, deixou claro a crença de que o aumento inflacionário é temporário.

O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto caiu de 68,7 em maio a 63,9 na preliminar de junho, de acordo com o dado da IHS Markit. É a mais baixa leitura em dois meses.

Entretanto, o PMI da indústria subiu de 62,1 em maio para 62,6 na prévia de junho, o que é um recorde na série histórica e acima dos 61,5 esperado pelo mercado. Já o PMI de serviços caiu de 70,4 em maio a 64,8 na preliminar de junho, na mínima em dois meses. A previsão era de 70,0.

Na Europa, primeira leitura da atividade de junho nos setores de serviços e manufatura mostrou que o crescimento dos negócios está acelerando em sua taxa mais rápida em 15 anos, conforme a demanda reprimida é desencadeada pela flexibilização das medidas de bloqueio em todo o bloco.

A leitura composta preliminar da IHS Markit, que engloba serviços e manufatura, ficou em 59,2, a mais alta desde 2006 e acima de 57,1 em maio. Qualquer coisa acima de 50 representa expansão.

“Para os investidores, os números do PMI europeu são uma boa notícia, pois mostram que a recuperação está de volta aos trilhos, após o crescimento negativo do PIB no primeiro trimestre, devido aos bloqueios”, disse Willem Sels, diretor de investimentos do banco privado e gestão de patrimônio no HSBC, à CNBC.

No Reino Unido, a leitura composta ficou em 61,7, abaixo dos 62,9 históricos de maio, com a IHS Markit observando que as empresas estão relatando um aumento contínuo na demanda.

Mas o perigo ainda ronda a região, especialmente com a variante Delta da Covid-19, originada na Índia.

Nova York

  • S&P: -0,11%
  • Nasdaq: +0,13%
  • Dow Jones: -0,21%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -1,14%
  • DAX (Alemanha): -1,15%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,22%
  • CAC (França): -0,91%
  • IBEX 35 (Espanha): -1,10%
  • FTSE MIB (Itália): -0,94%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,25%
  • SZSE Component (China): +1,00%
  • China A50 (China): -0,01%
  • DJ Shanghai (China): +0,32%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,96%
  • SET (Tailândia): -0,45%
  • Nikkei (Japão): -0,03%
  • ASX 200 (Austrália): -0,60%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,38%

Brasil: ambiente político e econômico

Mais um escândalo estoura no colo do governo federal. Agora, com fogo amigo.

O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) afirma ter alertado o presidente Bolsonaro sobre indícios de irregularidade na negociação do Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin, informa a Folha de S.Paulo.

“No dia 20 de março fui pessoalmente, com o servidor da Saúde que é meu irmão (Luís Ricardo Fernandes Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde), e levamos toda a documentação para ele”, disse o parlamentar à reportagem nesta quarta-feira (23).

Em entrevista à CNN Brasil hoje, ele disse que conversou com um assessor do Palácio do Planalto por mensagens. Nelas, Miranda pede ao assessor para avisar a Bolsonaro que “está rolando um esquema de corrupção pesado na aquisição das vacinas dentro do Min. da Saúde. Tenho provas e testemunhas”.

Bolsonaro, segundo Miranda, não tomou nenhuma providência, ou, ao menos, não deu retorno a ele sobre providências tomadas.

“O presidente sabia que tinha crime naquilo”, disse o deputado.

O deputado e o irmão serão ouvidos pela CPI da pandemia esta semana. A Comissão, inclusive, ofereceu proteção especial aos dois, que dizem tem medo.

De acordo com Luis Miranda, documentos e mensagens de WhatsApp levados a Bolsonaro comprovariam a pressão do Ministério da Saúde para a compra da Covaxin, por um valor 1.000% – mil por cento – mais alto.

Segundo lembra o Portal Metrópoles, “em agosto do ano passado, o imunizante contra a Covid-19 foi orçado em 100 rúpias, valor que equivale a US$ 1,34 a dose, segundo a Bharat Biotech, laboratório que fabrica o fármaco. A informação consta em um telegrama sigiloso da embaixada brasileira na Índia. O valor acordado com o Ministério da Saúde, no entanto, é mais alto — de US$ 15 por unidade, o que equivale a R$ 80,70, na cotação da época. A informação foi revelada pelo jornal Estado de S.Paulo”.

No Senado, passou a Medida Provisória que aumenta a tributação das instituições financeiras de 15% para 25% até 31 de dezembro.

Além disso, o Governo estuda elevar o limite de isenção do imposto de renda, atualmente em R$ 1,9 mil, de forma escalonada para compensar queda de arrecadação. Este limite pode alcançar até R$ 3 mil em 2023.

Na questão dos dados, a Sondagem Industrial, pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta para resultados positivos em maio de 2021. O índice ficou em 52,8 pontos e é o melhor resultado para o mês desde 2017. O resultado vem após a queda na produção em abril.

O índice varia de 0 a 100, com linha de corte em 50 pontos, os dados acima desse valor indicam crescimento e abaixo, queda na comparação com o mês anterior.

Além disso, o índice de evolução do número de empregados subiu para 51,1 pontos. De acordo com a CNI, já são 11 meses seguidos sem que o índice registre queda do emprego na indústria.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-S) da FGV recuou de 0,72% para 0,57% na terceira leitura de junho. Nos últimos 12 meses, o indicador acumula alta de 8,22%.

Nesta apuração, seis das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação.

A maior contribuição partiu do grupo Habitação (1,34% para 1,04%). Com destaque para a tarifa de eletricidade residencial, cuja taxa passou de 4,10% para 3,03%.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 25 subiram, 1 ficou estável (BBAS3) e as outras 58 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 113,07 (+1,50%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 29,30 (+0,69%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 31,80 (-0,72%)
  • Bradesco (BBDC3): R$ 23,06 (-0,17%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 27,04 (-0,44%)

Maiores altas

  • Braskem (BRKM5): R$ 55,99 (+2,28%)
  • Yduqs (YDUQ3): R$ 35,40 (+2,40%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 18,62 (+2,13%)
  • Banco Inter (BIDI11): R$ 71,67 (+2,02%)
  • CVC (CVCB3): R$ 29,44 (+1,87%)

Maiores baixas

  • EzTec (EZTC3): R$ 32,00 (-4,93%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 39,91 (-3,94%)
  • BB Seguridade (BBSE3): R$ 24,70 (-3,28%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 25,35 (-2,50%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 12,46 (-2,43%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,05% (55.272,12 pontos)
  • IBrX 50: -0,03% (21.507,72 pontos)
  • IBrA: -0,07% (5.206,81 pontos)
  • SMLL: +0,01% (3.204,30 pontos)
  • IFIX: -0,61% (2.780,49 pontos)
  • BDRX: +0,03% (12.410,82 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (agosto)/barril

  • segunda-feira (21): +1,89% (US$ 74,90)
  • terça-feira (22): -0,12% (US$ 74,81)
  • quarta-feira (23): +0,51% (US$ 75,19)
  • semana: +2,28% (US$ 75,19)

Petróleo WTI (agosto)/barril

  • segunda-feira (21): +2,57% (US$ 73,12)
  • terça-feira (22): -0,37% (US$ 72,85)
  • quarta-feira (23): +0,32% (US$ 73,08)
  • semana: +2,52% (US$ 73,08)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (21): +0,86% (US$ 1.784,25)
  • terça-feira (22): -0,08% (US$ 1.781,45)
  • quarta-feira (23): +0,16% (US$ 1.783,40)
  • semana: +1,02% (US$ 1.783,40)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (21): +0,17% (US$ 26,01)
  • terça-feira (22): -0,45% (US$ 25,91)
  • quarta-feira (23): +0,54% (US$ 26,00)
  • semana: +0,26% (US$ 26,00)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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