Bolsa recua 0,38%, após ata do Copom projetar aumento maior da Selic em agosto

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores caiu 0,38% nesta terça-feira (22), fechando com 128.767,45 pontos, na contramão de Nova York, que viu seus índices mais importantes dormirem no azul.

A fala de Jerome Powell, do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), foi positiva, na reação dos investidores em Nova York. Os Treasures de 10 anos recuaram e as bolsas subiram. O índice DXY recuou, após ficar em torno da estabilidade, trazendo o dólar para baixo.

No Brasil, apesar da aprovação da Medida Provisória (MP) da privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6) na noite de ontem (21), há risco de judicialização da matéria, o que pode elevar as incertezas.

Entretanto, esta terça foi marcada pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, justificando o aumento da Selic de 3,5% para 4,25%, promovido na semana passada, e apontando os passos futuros. Entre esses passos, há a possibilidade de um aumento mais severo da Selic na próxima reunião, em agosto. A curva de juros futuros acabou dando um salto para cima.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 127.802,73 pontos (-1,13%); e na máxima, 129.258,72 pontos (+0,005%).

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O volume financeiro negociado foi de R$ 30,900 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (21): +0,67% (129.264,96 pontos)
  • terça-feira (22): -0,38% (128.767,45 pontos)
  • semana: +0,28%
  • junho: +2,02%
  • 2021: +8,19%

Juros

  • D1F22: +2,23% para 5,74%
  • D1F23: +2,18% para 7,27%
  • D1F24: +1,47% para 7,93%
  • D1F25: +0,85% para 8,26%
  • D1F26: +0,95% para 8,48%
  • D1F27: +0,69% para 8,70%
  • D1F28: +0,45% para 8,85%
  • D1F29: +0,11% para 8,97%
  • D1F30: -0,44% para 9,04%
  • D1F31: +0,33% para 9,21%

Dólar

O dólar despencou nesta terça, ao menor nível desde 11 de junho de 2020. A moeda norte-americana caiu 1,13% e passou a valer R$ 4,9661.

  • segunda-feira (21): -0,91% a R$ 5,0227
  • terça-feira (22): -1,13% a R$ 4,9661
  • semana : -2,04% a R$ 4,9661

Euro

  • segunda-feira (21): -1,03% a R$ 5,9735
  • terça-feira (22): -0,63% a R$ 5,9358
  • semana: -1,66% a R$ 5,9358

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +2,45% a R$ 162.428,99
  • Ethereum: +0,28% a R$ 9.507,06
  • Tether: +1,89% a R$ 4,97
  • Cardano: -6,16% a R$ 5,84
  • Binance: -9,47% a R$ 1.328,43

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações em Nova York subiram, indiretamente reagindo às falas de Jerome Powell, do Fed.

O presidente do banco central norte-americano falou perante a Câmara dos Representante. Seus comentários apoiaram a noção de que o Fed está pronto para começar a discutir a remoção de algumas de suas medidas de estímulo sem precedentes promulgadas durante a pandemia de Covid-19.

O chefe do Fed se mostrou otimista com a recuperação econômica e sustentou que as forças inflacionárias são transitórias.

“Desde nosso último encontro, a economia tem mostrado uma melhora sustentada”, disse Powell. “Vacinações em massa se juntaram a ações de política monetária e fiscal sem precedentes para fornecer um forte apoio à recuperação. Os indicadores de atividade econômica e emprego continuaram a se fortalecer, e o PIB real este ano parece estar no caminho para registrar sua taxa de aumento mais rápida em décadas”.

“A inflação aumentou notavelmente nos últimos meses”, continuou, ressaltando que é um efeito temporário e que a inflação deve voltar a 2% no longo prazo.

Para ele, há uma boa visão de futuro, com as restrições de emprego se exaurindo com o passar do tempo, embora ele saiba que o mercado de trabalho ainda não tenha se recuperado do baque da pandemia.

A criação de empregos será mais forte em agosto, na visão de Powell.

E, no tema mais sensível ao mercado, o presidente do Fed disse que a instituição reduzirá, sim, os estímulos, mas aos poucos, conforme a economia for melhorando.

Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, deu um impulso aos mercados, oferecendo uma perspectiva otimista para a economia da zona do euro e observando que o bloco está “claramente em uma situação diferente” dos EUA no que diz respeito à inflação. As informações são da CNBC.

A Grã-Bretanha começou hoje as negociações para aderir a um acordo comercial que o governo vê como crítico para seu futuro pós-Brexit. Composto pelo Japão, Canadá, Austrália, Vietnã, Nova Zelândia, Cingapura, México, Peru, Brunei, Chile e Malásia, o Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica eliminará 95% das tarifas sobre bens e serviços entre os membros.

Com relação aos dados, a confiança do consumidor da zona do euro em junho aumentou 1,8 ponto em relação ao mês anterior, de acordo com uma estimativa rápida divulgada hoje.

Nova York

  • S&P: +0,51%
  • Nasdaq: +0,79%
  • Dow Jones: +0,20%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,26%
  • DAX (Alemanha): +0,21%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,39%
  • CAC (França): +0,14%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,02%
  • FTSE MIB (Itália): -0,32%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,80%
  • SZSE Component (China): +0,38%
  • China A50 (China): -0,84%
  • DJ Shanghai (China): +0,87%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,79%
  • SET (Tailândia): -0,12%
  • Nikkei (Japão): +3,12%
  • ASX 200 (Austrália): +1,48%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,71%

Brasil: ambiente político e econômico

Em ata divulgada hoje, o Copom do Banco Central justificou o aumento da Selic de 3,5% para 4,25%, realizado na semana passada.

O comitê afirmou que espera, para a reunião de agosto, outro reajuste de mesma magnitude (0,75 ponto porcentual). No entanto, enfatizou que não descarta um “ajuste mais tempestivo”.

Segundo o Comitê, o ajuste tempestivo teria duas vantagens: a de acumular mais informações sobre os determinantes da inflação e deixar claro que há transparência nas divulgações do Copom, mas que os passos futuros da política monetária são livremente ajustados para manter a inflação dentro da meta, conforme novas informações se tornam disponíveis.

“As informações obtidas no período entre as reuniões do Copom modificam as hipóteses presentes no cenário básico e no balanço de risco, e naturalmente alteram a trajetória futura dos juros”, salienta a ata.

Um ajuste maior do que 0,75 ponto porcentual virá, afirma o Copom, se houver deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante. O Comitê ressalta que “essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”.

O Copom reafirmou ainda sua intenção de zerar os estímulos até o final do ano – o que significa levar a Selic a pelo menos 6,5%, como já aponta o Boletim Focus.

Após divulgação da ata do Copom sobre a taxa Selic, o mercado está revisando para cima as projeções. No documento, o comitê admitiu que poderá fazer mais um aumento de 0,75 ponto percentual. Mas não descartou uma elevação mais ampliada.

O banco BTG Pactual (BPAC11) explicou que o documento aponta para um crescimento de preços mais acentuado do que o previsto.

“As expectativas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, adotado como a inflação oficial) de 2022 podem ser contaminadas, caso a política monetária permaneça em grau estimulativo”, informou a análise do BTG.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, avaliou que a ata pode ser considerada neutra. Isso porque já era esperado que a autoridade monetária explicasse o motivo do aumento da reunião passada.

Porém, segundo o economista, é esperado que o Copom siga por um caminho de austeridade fiscal.

“De todo modo vale pontuar que a discussão entre elevar o juro ao passo de 0,75 ou 1 ponto já nessa reunião deve ser considerado hawkish, bem como a preocupação externada com relação à inflação de serviços”, completou ele.

Com isso, o economista-chefe da Ativa prevê que os juros possam chegar a 6,5% já em outubro.

No campo político, a Câmara dos Deputados aprovou nesta segunda-feira (21), por 258 votos 136, a medida provisória (MP) que permite a privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6). Semana passada, a proposta havia sido aprovada pelo Senado Federal. O teor do que foi aprovado hoje, entretanto, deve parar na Justiça.

O projeto que agora segue para sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi uma vitória do governo, especialmente do ministro Paulo Guedes, da Economia. Mas não foi uma vitória fácil: o governo teve que ceder à pressão de todos os lados, especialmente de parlamentares e empresas do setor de energia.

A MP editada pelo governo caducaria nesta terça-fira (22), por isso a pressa na Câmara do Deputados nesta segunda. Mas há novos problemas pela frente.

Jabutis, textos sem pontuação, atropelo em cima do Ibama: são vários os temas e pontos que estimulam a oposição a provocar o Supremo Tribunal Federal (STF) e judicializar a privatização da companhia. O assunto ainda não está totalmente resolvido, embora o governo federal esteja, não sem motivos, comemorando.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 26 subiram e as outras 55 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 111,40 (+1,17%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 29,10 (+0,52%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 32,03 (-1,29%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 27,16 (-1,84%)
  • CSN (CSNA3): R$ 25,25 (+0,92%)

Maiores altas

  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 41,55 (+2,90%)
  • CVC (CVCB3): R$ 28,90 (+2,45%)
  • Totvs (TOTS3): R$ 37,65 (+2,42%)
  • Hapvida (HAPV3): R$ 15,77 (+2,27%)
  • Banco Inter (BIDI11): R$ 70,25 (+1,58%)

Maiores baixas

  • Tim (TIMS3): R$ 12,05 (-3,81%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,76 (-3,09%)
  • CCR (CCRO3): R$ 13,57 (-2,93%)
  • Telefônica (VIVT3): R$ 43,90 (-2,75%)
  • BR Malls (BRML3): R$ 11,02 (-2,48%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,20% (55.298,55 pontos)
  • IBrX 50: -0,16% (21.513,36 pontos)
  • IBrA: -0,14% (5.210,49 pontos)
  • SMLL: -0,64% (3.204,03 pontos)
  • IFIX: -0,48% (2.797,57 pontos)
  • BDRX: -0,23% (12.407,47 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (agosto)/barril

  • segunda-feira (21): +1,89% (US$ 74,90)
  • terça-feira (22): -0,12% (US$ 74,81)
  • semana: +1,77% (US$ 74,81)

Petróleo WTI (agosto)/barril

  • segunda-feira (21): +2,57% (US$ 73,12)
  • terça-feira (22): -0,37% (US$ 72,85)
  • semana: +2,20% (US$ 72,85)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (21): +0,86% (US$ 1.784,25)
  • terça-feira (22): -0,08% (US$ 1.781,45)
  • semana: +0,86% (US$ 1.784,25)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (21): +0,17% (US$ 26,01)
  • terça-feira (22): -0,45% (US$ 25,91)
  • semana: -0,28% (US$ 25,91)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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