Bolsa perde parcos 0,09%, na véspera da “Super Quarta”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores perdeu parcos 0,09% nesta terça-feira (15), fechando com 130.091,08 pontos. A derrota nos principais índices em Wall Street foi mais forte, todos apontando para o negativo com mais contundência.

Hoje, o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central brasileiro iniciam suas respectivas reuniões de dois dias de análises das políticas monetárias nacionais. Os agentes do mercado seguem na expectativa do que cada instituição vão acenar para os próximos meses. No Brasil, espera-se uma alta na taxa básica de juros, a Selic.

Além disso, seguem chegando dados econômicos, tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, incluindo vendas no varejo e Índice de Preços ao Produtor.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 129.304,07 pontos (-0,69%); e na máxima, 130.435,51 pontos (+0,17%).

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O volume financeiro negociado foi de R$ 26,700 bilhões.

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Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (14): +0,59% (130.207,96 pontos)
  • terça-feira (15): -0,09% (130.091,08 pontos)
  • semana: +0,50%
  • junho: +3,07%
  • 2021: +9,30%

Dólar

O dólar seguindo perdendo valor nesta terça. A moeda norte-americana caiu 0,55% e passou a valer R$ 5,0428.

  • segunda-feira (14): -1,02% a R$ 5,0707
  • terça-feria (15): -0,55% a R$ 5,0428
  • semana : -1,57% a R$ 5,0428

Euro

  • segunda-feira (14): -1,03% a R$ 6,1313
  • terça-feira (15): -0,27% a R$ 6,1144
  • semana: -1,30% a R$ 6,1144

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +1,93% a R$ 200.350,88
  • Ethereum: +0,81% a R$ 12.706,30
  • Tether: +1,82% a R$ 5,04
  • Cardano: +1,47% a R$ 7,82
  • Binance: +1,11% a R$ 1.836,43

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA caíram nesta terça-feira, com os investidores aguardando a importante reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que começou hoje.

Enquanto isso, os dados vão chegando e não empolgam tanto, por isso os índices olham para baixo.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP ou PPI, na sigla em inglês) avançou 0,8% em maio, conforme o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. A projeção era inferior, de alta de 0,6%.

Na comparação anual, a alta é de 6,6%.

O núcleo do IPP, que exclui alimentos e energia, subiu 0,7%, quando a projeção era 0,5%.

Já as vendas no varejo dos Estados Unidos ficaram em US$ 620,2 bilhões, uma redução de 1,3% em relação a abril. A projeção do mercado era por leitura bem mais otimista: avanço de 0,9%. No entanto, em comparação com maio de 2020, ainda início da pandemia, a alta é de 28,1%. O núcleo das vendas no varejo, que exclui automóveis, recuou 0,7%.

Destaque para as lojas de roupas e acessórios de roupas aumentaram 200,3% suas vendas, enquanto os serviços de alimentação e bebidas ficaram 70,6% acima do ano passado. As informações são do Departamento de Comércio dos EUA.

“Os dados mistos não levantaram nenhuma sobrancelha no mercado”, ponderou na CNBC Fiona Cincotta, analista sênior de mercados financeiros do City Index. “O mercado mal respondeu, com poucos corajosos o suficiente para assumir grandes posições antes do anúncio do Fed de amanhã”.

Desde a crise de 2009, o Fed, banco central americano, tem expandido o seu balanço. A forma de fazer isso é comprando títulos do governo e das empresas, aumentando a liquidez no sistema. O nome deste processo é “quantitative easing”.

O inverso disso é vender os títulos hoje no mesmo balanço e “enxugar” o mercado, trazendo os dólares de volta. E isto é o Tapering.

São esses os movimentos possíveis que os investidores investigam na reunião do Fed, que também se iniciou hoje.

O gerente de fundos de hedge Paul Tudor Jones disse à CNBC que esta reunião do Fed pode ser a mais importante na carreira do presidente Jerome Powell. Tudor Jones também alertou que Powell pode desencadear uma grande venda de ativos de risco se não fizer um bom trabalho em sinalizar uma redução na compra mensal de ativos do Fed.

As ações na Europa fecharam de forma mista nesta cautela adotada pelos investidores antes das decisões do Fed. Já na China, na volta do feriado de ontem, os mercados ficaram no vermelho.

Nova York

  • S&P: -0,20%
  • Nasdaq: -0,71%
  • Dow Jones: -0,27%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,26%
  • DAX (Alemanha): +0,36%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,36%
  • CAC (França): +0,35%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,54%
  • FTSE MIB (Itália): -0,08%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): -0,92%
  • SZSE Component (China): -0,86%
  • China A50 (China): -1,31%
  • DJ Shanghai (China): -1,32%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,71%
  • SET (Tailândia): -0,66%
  • Nikkei (Japão): +0,96%
  • ASX 200 (Austrália): +0,92%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,20%

Brasil: ambiente político e econômico

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), iniciou hoje sua 238ª reunião, que segue até amanhã (16). Dela sairá a decisão quanto à taxa básica de juros (Selic).

A expectativa prioritária do mercado é por uma terceira alta sequencial da Selic, em um novo reajuste de 0,75 pontos porcentuais. Vale lembrar que, na reunião de março, o Copom promoveu a primeira alta da taxa de juros em seis anos, depois de ela se manter sete meses em 2%, a mais baixa já registrada.

Se o Copom confirmar as expectativas, a Selic irá dos atuais 3,5% para 4,25%. No entanto, é grande a expectativa por um comunicado mais agressivo do BC, sugerindo uma aceleração de passo nas próximas reuniões. Há apostas também de o BC surpreenda e aumente a Selic em 1 ponto porcentual, elevando a taxa a 4,5%. Mas são minoria.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medida oficial de inflação do país, avançou 0,83% em maio, ante projeção de 0,71%. Esta foi a maior alta para o mês em 25 anos.

Na comparação com maio de 2020, a alta foi de 8,06%, quando o consenso era alta de 7,93%.

Com isto, o resultado ficou bem acima da meta do Banco Central para a inflação no ano, que é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

E inflação acima da meta impacta diretamente nas decisões do Copom, já que a Selic é, justamente, a ferramenta que o BC possui para controlar os preços.

“Com o resultado do IPCA acima das expectativas, a atenção sobre o Copom aumentou. Na reunião da próxima semana, o comitê deve optar pela alta sinalizada no último comunicado, de 75 bps, elevando a taxa Selic ao valor de 4,25% ao ano. Entretanto, não é consenso no mercado se o termo ‘normalização parcial’ será mantido no comunicado”, confirma o BTG Pactual em relatório.

Na questão dos dados, as vendas no varejo brasileiro cresceram 21% em maio frente ao mesmo mês do ano passado, descontada a inflação. Os dados são do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), divulgado hoje. A pesquisa monitora mensalmente 1,4 milhão de varejistas credenciados à empresa de meios de pagamentos.

Conforme o índice, em termos nominais, que espelham a receita de vendas observadas pelo varejista, houve aumento de 36,7% na mesma base de comparação.

Efeitos de calendário beneficiaram o resultado de maio deste ano, Ou seja, contou com um dia útil a mais que em igual período de 2020. Portanto, sem tais efeitos, o índice do mês registrou alta de 20,1%, descontada a inflação. Em termos nominais, com os ajustes de calendário, o faturamento aumentou 35,6%.

Já o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de maio deste ano atingiu o valor de R$ 1,11 trilhão. A cifra é 11,8% superior ao obtido em 2020, que foi de R$ 993,9 bilhões. As maiores contribuições para o crescimento são observadas em arroz, milho, soja e carne bovina, que tiveram dois anos consecutivos de forte aumento de preços reais. As informações são do Ministério da Agricultura.

As lavouras tiveram um aumento do VBP de 15,8%. A pecuária, 3,8%. Essas duas atividades obtiveram neste ano o mais elevado valor em 32 anos.

Os produtos que tiveram os maiores acréscimos do VBP foram arroz (5,7%), milho (20,3%), soja (31,9%) e trigo (35,1%). Com crescimento mais modesto, encontram-se cacau e cana de açúcar.

Por fim, o Boletim de Comércio Exterior (Icomex) do mês de maio foi divulgado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

A corrente de comércio, contabilizando exportações mais importações, registrou em maio o maior valor na série histórica iniciada em 1997. O volume chegou a US$ 54,6 bilhões em maio. De acordo com a FGV, houve um crescimento de 58,2% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O desempenho se repetiu na balança comercial que teve saldo positivo de US$ 9,3 bilhões, o maior na série histórica e US$ 2,5 bilhões acima do valor de maio de 2020.

E tem a questão da Eletrobras (ELET3 ELET6). Com indefinições quanto ao posicionamento sobre a Medida Provisória (MP) 1.031/2021, que trata da desestatização da empresa, os senadores passaram apreciar a polêmica matéria em sessão deliberativa remota nesta quarta-feira (16), às 16h.

Também estão na pauta o Projeto de Lei (PL) 827/2021, que suspende medidas de desocupação e remoção forçada durante a pandemia, e o Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2021, referente a apoio financeiro da União aos estados e municípios para garantir ações emergenciais voltadas ao setor cultural.

Após aprovação na Câmara, a MP 1.031/2021 foi assunto de debates no Senado. O primeiro foi realizado na Comissão de Direitos Humanos (CDH), no dia 31 de maio.

Em audiência pública, senadores e especialistas sinalizaram temer, com a privatização da Eletrobras, a perda da soberania no setor elétrico, o aumento considerável da tarifa de luz e a abertura de mais espaço para as térmicas, em detrimento de fontes renováveis. A Eletrobras é responsável por pelo menos 30% da energia do país e gerou R$ 30 bilhões de lucros nos últimos três anos.

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, disse hoje (15), em Brasília, que a decisão sobre o aumento no valor das bandeiras tarifárias deve ser tomada até o fim de junho. Ele afirmou que o reajuste deve passar de 20%.

Este será o primeiro aumento nos valores das bandeiras desde 2019. Em 2020, por conta da pandemia de Covid-19, os valores foram mantidos e a bandeira verde foi acionada de junho a novembro.

O país vive a pior crise hídrica dos últimos 91 anos, com os reservatórios das bacias das principais usinas hidrelétricas em níveis muito baixos. Por isso, houve a necessidade de acionamento de mais usinas termelétricas. O acionamento das bandeiras tarifárias reflete o aumento no custo da geração de energia no país.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 33 subiram, 3 ficaram estáveis (CCRO3, ITUB4 e GOAU4) e as outras 48 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 111,50 (-1,95%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 29,03 (+0,97%)
  • B3 (B3SA3): R$ 16,67 (+2,14%)
  • Natura (NTCO3): R$ 58,75 (+1,15%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 32,64 (0,00%)

Maiores altas

  • SulAmerica (SULA11): R$ 35,33 (+4,84%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 20,08 (+3,61%)
  • Ecorodovias (ECOR3): R$ 13,43 (+3,31%)
  • BTG Pactual (BPAC11): R$ 122,03 (+3,01%)
  • BRF (BRFS3): R$ 30,07 (+2,77%)

Maiores baixas

  • Banco Inter (BIDI11): R$ 62,35 (-2,73%)
  • Azul (AZUL4): R$ 46,43 (-2,66%)
  • Hering (HGTX3): R$ 34,55 (-2,54%)
  • Locaweb (LWSA3): R$ 26,06 (-2,51%)
  • Vale (VALE3): R$ 111,50 (-1,95%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,30% (55.751,10 pontos)
  • IBrX 50: -0,33% (21.730,43 pontos)
  • IBrA: -0,29% (5.245,91 pontos)
  • SMLL: +0,01% (3.211,69 pontos)
  • IFIX: -0,09% (2.819,37 pontos)
  • BDRX: -1,09% (12.525,04 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (agosto)/barril

  • segunda-feira (14): +0,23% (US$ 72,86)
  • terça-feira (15): +1,55% (US$ 73,99)
  • semana: +1,78% (US$ 73,99)

Petróleo WTI (julho)/barril

  • segunda-feira (14): -0,04% (US$ 70,88)
  • terça-feira (15): +1,75% (US$ 72,12)
  • semana: +1,71% (US$ 72,12)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (14): -0,67% (US$ 1.866,95)
  • terça-feira (15): -0,39% (US$ 1.858,65)
  • semana: -1,06% (US$ 1.858,65)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (14): -0,46% (US$ 28,01)
  • terça-feira (15): -1,03% (US$ 27,75)
  • semana: -1,49% (US$ 27,75)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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