Bolsa perde 1,00%, em dia de muitas turbulências para o governo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores caiu 1,00% nesta terça-feira (27), ficando abaixo dos 120 mil, com 119.388,37 pontos. Wall Street pouco ajudou para o humor em São Paulo mudar. Os índices em Nova York até negociaram no positivo durante o dia, mas com uma alta modesta e fecharam na estabilidade.

Dessa vez, ao contrário de ontem, motivos para preocupação não faltaram. Hoje, a imprensa destacou o anúncio da saída de quatro secretários importantes do Ministério da Economia. A saída mais sentida foi de Waldery Rodrigues, considerado o mome mais importante depois do próprio ministro Paulo Guedes. Rodrigues acabou sendo o bode expiatório da encrenca do Orçamento 2021, cuja aprovação final foi vista como uma derrota do ministério e do governo.

Também deixam a equipe Martha Seillier, da Secretaria do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos); Yana Dumaresq, secretária-adjunta de Comércio Exterior; George Soares, da Secretaria do Orçamento (segundo o Jornal O Globo); e Vanessa Canado, que cuida da reforma tributária.

Para piorar o sentimento, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado começou com sucessivas derrotas para o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). E a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda reprovou a importação da vacina russa Sputnik V.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.003,27 pontos (-1,32%); e na máxima, 121.012,34 pontos (+0,35%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 30,320 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (26): +0,05% (120.594,61 pontos)
  • terça-feira (27): -1,00% (119.388,37 pontos
  • semana: -0,95%
  • abril: +2,36%
  • 2021: +0,31%

Dólar

O dólar subiu nesta terça. A moeda norte-americana avançou 0,23%, valendo R$ 5,4612.

  • segunda-feira (26): -0,88% a R$ 5,4487
  • terça-feira (27): +0,23% a R$ 5,4612
  • semana : +0,23% a R$ 5,4612

Euro

  • segunda-feira (26): -0,86% a R$ 6,5672
  • terça-feira (27): +0,46% a R$ 6,5974
  • semana: -0,40% a R$ 6,5974

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +1,67% a R$ 299.378,54
  • Ethereum: +5,63% a R$ 14.343,71
  • Binance: +4,14% a R$ 2.892,58

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações em Nova York fecharam preguiçosamente, tanto para baixo, quanto para cima, sempre perto da estabilidade. Os investidores estavam aguardando os balanços dos grandes nomes de tecnologia.

A temporada de balanços do primeiro trimestre segue bom. Até agora, com cerca de um terço do S&P 500 relatando números, 84% das empresas apresentaram surpreendentes dados positivos.

Com relação aos dados, os preços dos imóveis em fevereiro registraram o maior ganho em 15 anos, subindo 12% ano a ano e de 11,2% em janeiro, de acordo com o índice de preços residenciais S&P CoreLogic Case-Shiller.

Enquanto isso, a confiança do consumidor subiu acentuadamente para atingir um pico durante a pandemia, com o índice do The Conference Board saltando para 121,7, o maior desde fevereiro de 2020.

E tem ainda o Federal Reserve, que iniciou sua reunião de dois dias hoje. Não há expectativa de que o banco central tome nenhuma ação, mas os economistas esperam que ele defenda sua política para permitir que a inflação ganhe força. A última pesquisa do Fed da CNBC mostra que o banco central permanece em espera e mantém seu programa de compra de ativos nos mesmos níveis para o resto de 2021, apesar das crescentes preocupações sobre um superaquecimento da economia.

Olhando para a Europa, as ações seguiram a tendência observada durante a noite nos mercados da Ásia-Pacífico, onde as ações caíram, principalmente diante de um quadro de crescente preocupação com a propagação da Covid-19, especialmente na Índia, que vê o caos se ampliando.

Os investidores eeuropeus estavam digerindo os ganhos mais recentes do HSBC, o maior credor do continente por ativos. O banco divulgou lucros antes dos impostos no primeiro trimestre que superaram as estimativas, mas sua receita caiu.

O salto de 79% nos lucros foi alimentado em parte pela melhoria das perspectivas econômicas com a rápida vacinação e ajudado pela muleta do apoio governamental de emergência, proporcionando um “alívio bem-vindo” para o banco.

Nova York

  • S&P: -0,02%
  • Nasdaq: -0,34%
  • Dow Jones: +0,01%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): -0,22%
  • DAX (Alemanha): -0,31%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,26%
  • CAC (França): -0,03%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,63%
  • FTSE MIB (Itália): -0,17%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,04%
  • SZSE Component (China): +0,28%
  • China A50 (China): +0,59%
  • DJ Shanghai (China): +0,07%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,20%
  • SET (Tailândia): -0,02%
  • Nikkei (Japão): -0,46%
  • ASX 200 (Austrália): -0,17%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,07%

Brasil: ambiente político e econômico

O Ministério da Economia vai se esfacelando. O último que sair apague a luz, por favor.

Deixam a equipe Martha Seillier, da Secretaria do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos); Yana Dumaresq, secretária-adjunta de Comércio Exterior; George Soares, da Secretaria do Orçamento (segundo o Jornal O Globo); e Vanessa Canado, que cuida da reforma tributária. Até o número 2, Waldery Rodrigues, considerado o mome mais importante depois do próprio ministro Paulo Guedes, foi-se.

Segundo relatos da imprensa nacional, ele foi sacrificado por conta da peça orçamentária de 2021, tida como muito ruim pelo ministério – os fisiologistas do Centrão, grupo de partidos parasitários ao governo da vez, saiu vencedor com suas emendas bilionárias.

Bruno Funchal, atual secretário do Tesouro, deve ir para o lugar de Rodrigues, segundo O Estado de S.Paulo.

Mas a reação do mercado foi a pior possível. Projeta-se que a fritura do ministro Paulo Guedes pelo Centrão pode tirá-lo do governo.

Mas o ministro não quer largar o osso. Sabendo como funcionam os meandros do governo, externalizou a radicalização do discurso.

Ele que sempre foi o ministro a dar exemplo na prevenção ao coronavírus, usando máscaras (às vezes só ele) em eventos públicos, afirmou hoje, em reunião do Conselho de Saúde Suplementar, que “o chinês inventou o vírus” e que o país asiático, mesmo assim, tem uma vacina menos eficiente do que as desenvolvidas por laboratórios privados dos Estados Unidos.

É o tipo de discurso que agrada a ala bolsonarista-raiz do governo.

No Senado Federal, o governo foi vendo derrota atrás de derrota. Omar Aziz (PSD-AM) foi eleito presidente da CPI da pandemia e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o vice. Os dois são críticos à atuação de Bolsonaro diante da crise sanitária (e que virou econômica e humanitária).

Renan Calheiros (MDB-AL) foi indicado como relator (após um inútil briga jurídica, estimulada pela tropa de choque bolsonarista) e saiu atirando, chamando o governo de negacionista para baixo. Sobrou até mesmo para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que não faz parte da CPI, mas é filho do presidente.

Ele disse que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi “ingrato” com seu pai ao instalar a CPI e não impedir Renan de assumir a relatoria. Pacheco nada podia fazer nas duas questões – a primeira por ter sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a segunda por ser um acordo entre os líderes partidários.

O Planalto foi o principal fiador de Pacheco na eleição à previdência do Senado.

Por conta da pandemia, Flávio Bolsonaro pediu adiamento da comissão: “Vários passos da CPI deveriam ser presenciais. Por que não acatar essa questão de ordem e esperar todos se imunizarem? Por que essa correria? Em um momento em que todas as comissões estão paradas”.

Renan atacou, em entrevista coletiva, após a sessão: “Muito importante comemorar a frase de Flávio Bolsonaro. É a primeira vez que ele se preocupa com aglomeração… deve estar saindo do negacionismo”. Renan apareceu diante dos microfones disposto a aparecer e atacar.

Em conversa com apoiadores na porta do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro voltou a defender a vitamina D como tratamento eficaz contra a Covid-19, mesmo sem nenhuma comprovoção científica, dando mais munição para a CPI.

“Eu não errei em nada (na questão da pandemia). Eu não tenho bola de cristal nem chuto. Eu converso com as pessoas. Quem frequenta a praia, por exemplo, tem menos chances de ter problema”, citando a vitamina D.

Para agravar o quadro, ontem (26), em anúncio amplamente aguardado, a Anvisa deu seu parecer sobre a importação da Sputnik V. Por unanimidade, os cinco diretores da agência rejeitaram a importação e o uso da vacina no Brasil. Para eles, falta documentação para a devida apreciação.

A microbiologista Natalia Pasternak, uma das profissionais mais acionadas para explicar o “cientifiquês” para a imprensa, concordou que os dados da vacina Sputnik V enviados à Anvisa são “ruins e insuficientes”.

Muitos governadores esperavam essa aprovação para importar o imunizante. Agora, eles estão proibidos legalmente de fazê-los.

A boa notícia é que, pela primeira vez em quase cinco meses, o Brasil conseguiu reduzir a taxa de contágio para um nível considerado de controle da pandemia em seu território. Segundo dados do último levantamento da Universidade Imperial College de Londres, no Reino Unido, um taxa de contágio do país nesta semana – que começou na segunda-feira, 26 – está em 0,93 e, portanto, em desaceleração.

Na questão dos dados, a confiança do setor de construção caiu 3,8 pontos em abril, aponta a FGV nesta terça-feira (27).

O Índice de Confiança da Construção chegou a 85 pontos, o mais baixo desde julho de 2020, quando era de 83,7 pontos.

Segundo a coordenadora da pesquisa, Ana Maria Castelo, houve aumento do pessimismo, mas principalmente deterioração da percepção dos empresários com relação à situação atual dos negócios.

A expectativa média de inflação dos consumidores brasileiros para os próximos 12 meses subiu 0,1 ponto percentual no mês de abril para 5,6%, o maior nível desde outubro de 2018. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a mediana subiu 0,5 ponto.

Os dados foram divulgados pela FGV.

Por fim, os resgates do Tesouro Direto superaram as vendas em R$ 708,5 milhões em março deste ano. Segundo dados do Tesouro Nacional, divulgados hoje, em Brasília, as vendas do programa atingiram R$ 3,392 bilhões no mês passado.

Já os resgates totalizaram R$ 4,100 bilhões, sendo R$ 1,923 bilhão relativo a recompras de títulos públicos e R$ 2,176 bilhões a vencimentos, quando o prazo do título acaba e o governo precisa reembolsar o investidor com juros.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 11 subiram e as outras 70 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 110,12 (+1,43%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,10 (-2,86%)
  • Via (VVAR3): R$ 12,16 (-5,37%)
  • B3 (B3SA3): R$ 52,95 (-0,11%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 23,34 (-0,89%)

Maiores altas

  • CVC (CVCB3): R$ 24,64 (+5,66%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 56,10 (+3,89%)
  • BTG Pactual (BPAC11): R$ 104,64 (+2,75%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 70,87 (+2,18%)
  • Vale (VALE3): R$ 110,12 (+1,43%)

Maiores baixas

  • BRF (BRFS3): R$ 21,98 (-5,91%)
  • Via (VVAR3): R$ 12,16 (-5,37%)
  • Hering (HGTX3): R$ 27,14 (+5,17%)
  • JBS (JBSS3): R$ 33,69 (-4,99%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 10,23 (-4,12%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,80% (51.639,82 pontos)
  • IBrX 50: -0,73% (20.079,70 pontos)
  • IBrA: -0,68% (4.862,23 pontos)
  • SMLL: -1,12% (2.937,57 pontos)
  • IFIX: +0,03% (2.845,36 pontos)
  • BDRX: +0,04% (13.328,06 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (junho)/barril

  • segunda-feira (26): -0,69% (US$ 65,65)
  • terça-feira (27): +1,29% (US$ 65,87)
  • semana: +0,60% (US$ 65,87)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (26): -0,37% (US$ 61,91)
  • terça-feira (27): +1,66% (US$ 62,94)
  • semana: +1,29% (US$ 62,94)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,13% (US$ 1.780,10)
  • terça-feira (27): -0,20% (US$ 1.776,50)
  • semana: -0,07% (US$ 1.776,50)

Prata (maio)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,65% (US$ 26,24)
  • terça-feira (27): +0,64% (US$ 26,38)
  • semana: +1,30% (US$ 26,38)

Com Wisir Research, BDM e CNBC