Bolsa inicia mês com alta de 0,27%, em semana que promete ser agitada

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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A bolsa de valores começou o mês de maio mais ou menos no nível que encerrou abril. Nesta segunda-feira (3), o índice da bolsa em São Paulo ficou com elevação de 0,27%, depois de altas e baixas sem muito fôlego. O Ibovespa iniciou o mês com 119.209,48 pontos.

Wall Street ficou mais descolado do zero, mas também não mostrou unanimidade: os principais índices fecharam de forma mista.

A semana promete ser agitada no Brasil, com o início dos interrogatórios de testemunhas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que larga com depoimentos dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) e Nelson Teich, na terça-feira (4), e principalmente do general Eduardo Pazuello, na quarta-feira (5), com potencial para maiores estragos políticos no governo federal.

Na seara econômica tem a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Os agentes do mercado acreditam que a taxa básica de juros da economia, a Selic, deva ir a 3,50%. Hoje, ela está em 2,75% ao ano. Mas o Banco Central (BC) pode pesar a mão e subir ainda mais.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 118.527,51 pontos (-0,31%); e na máxima, 119.903,87 pontos (+0,85%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 31,361 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (3): +0,27% (119.209,48 pontos)
  • semana: +0,27%
  • maio: +0,27%
  • 2021: +0,17%

Dólar

O dólar começou maio perdendo valor diante do real. A moeda norte-americana caiu 0,24%, valendo R$ 5,4188.

  • segunda-feira (3): -0,24% a R$ 5,4188
  • semana : -0,24% a R$ 5,4188

Euro

  • segunda-feira (3): +0,26% a R$ 6,5558
  • semana: +0,26% a R$ 6,5558

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +1,06% a R$ 312.343,03
  • Ethereum: +10,65% a R$ 17.838,92
  • Binance: +7,18% a R$ 3.649,00

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA até subiram na segunda-feira, o primeiro dia de negociação de maio, mas não de forma unânime. O sentimento é de óbvio otimismo, com os números econômicos melhorando e os da pandemia diminuindo.

Para se ter uma ideia de que o fim do pesadelo está mais próximo para o país que levou a sério a crise, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, anunciou que a maioria das restrições serão suspensas em Nova York, Nova Jersey e Connecticut, enquanto o serviço de metrô 24 horas será retomado na cidade de Nova York no final deste mês.

Alguns investidores estão esperando fraqueza no novo mês devido ao velho ditado de Wall Street “sell in May and go away” (“venda em maio e vá embora”). Esse mantra prevê a redução do risco de maio a outubro, período em que o mercado está historicamente mais sujeito a liquidações.

Dados que remontam a 1928 mostram que o período de maio a outubro tem os retornos médios e medianos mais baixos de qualquer período de seis meses do ano. O mercado pode ver um desempenho medíocre a partir daqui, especialmente após uma forte alta de novembro a abril, quando o S&P 500 ganhou 28%.

Os dados econômicos animam. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial dos Estados Unidos avançou de 59,1 em março para 60,5 em abril. Este é o maior nível desde o início da série histórica, iniciada em 2007.

Ainda assim, o resultado veio pouco abaixo da projeção do mercado, que era por 60,6 pontos – como indicado por leituras prévias feitas ao longo do mês.

Economista chefe de negócios da IHS Markit, Chris Williamson afirmou que a demanda aumentou consideravelmente, em decorrência dos estímulos governamentais e também da reabertura da economia.

O relatório sobre empregos de abril será divulgado na sexta-feira (7).

O PMI industrial da zona do euro também subiu – de 62,5 em março para 62,9 em abril. O resultado é recorde pelo segundo mês consecutivo. No entanto, ficou abaixo da projeção do mercado, que era de 63,3 pontos – indicado pelas leituras prévias do indicador, realizadas ao longo do mês.

Vale lembrar que no PMI leituras acima de 50 pontos indicam crescimento da atividade. Leituras abaixo, retração.

Para Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit, os números de novos pedidos apresentaram as melhores taxas em abril desde que a pesquisa teve início, em 1997, com a demanda sendo impulsionada pela reabertura após os bloqueios pela Covid-19.

Ele aponta também uma alta nos preços, que sinaliza que pode ser temporária, de ajuste à retomada da economia. “A grande incerteza é por quanto tempo esses preços em alta persistirão e até que ponto irão embora para os consumidores”, disse.

As vendas no varejo alemão registraram seu maior aumento ano a ano em março desde o início da pandemia, mesmo com as restrições impostas pelo governo.

Enquanto isso, as ações da Ásia-Pacífico caíram, com os principais mercados da China, Tailândia e Japão fechados por feriados.

Nova York

  • S&P: +0,27%
  • Nasdaq: -0,48%
  • Dow Jones: +0,70%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,64%
  • DAX (Alemanha): +0,66%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,12%
  • CAC (França): +0,61%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,89%
  • FTSE MIB (Itália): +1,15%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): feriado
  • SZSE Component (China): feriado
  • China A50 (China): feriado
  • DJ Shanghai (China): feriado
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -1,38%
  • SET (Tailândia): feriado
  • Nikkei (Japão): feriado
  • ASX 200 (Austrália): +0,04%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,66%

Brasil: ambiente político e econômico

O Boletim Focus desta semana traz mais uma alta para a inflação em 2021 e 2022 e aumento da Selic para o ano que vem, além de revisões na projeção do Produto Interno Bruto (PIB).

O IPCA, indicador oficial de inflação do país, teve a projeção aumentada pelo mercado de 5,01% da semana passada para 5,04%. Há um mês, a expectativa era por 4,81%. Esta é a quarta semana de alta na projeção.

O Produto Interno Bruto (PIB) foi revisto de 3,09% para 3,14%. Há um mês, era de 3,17%.

As projeções para câmbio (R$ 5,40) e Selic (5,50%) foram mantidos para 2021.

Para 2023, a mudança na comparação com a semana passada é em relação ao câmbio: de R$ 5,17 para R$ 5,20.

IPCA segue em 3,25%; PIB em 2,5%; e Selic em 6,50.

Para 2024, tudo igual: IPCA a 3,25%; PIB a 2,50%; câmbio a R$ 5,08; e Selic a 6,50%.

A primeira semana de maio terá anúncios de indicadores de peso. Fazem parte do calendário econômico dados da produção industrial, vendas do varejo e as reuniões do Copom que vão definir a taxa Selic.

Selic é o tema da semana e projeção é por alta para 3,50%, ou seja, um acréscimo de 0,75 pontos percentuais. Em 17 de março, o Copom do BC elevou a Selic de 2% para 2,75% ao ano.

Naquela ocasião, em meio ao aumento da inflação de alimentos que começava a estender-se por outros setores, o BC subiu os juros básicos da economia pela primeira vez em quase seis anos.

Na próxima quarta, a expectativa é de o BC eleve mais uma vez a Selic em 0,75 ponto percentual, em linha com a comunicação oficial desde o encontro de março.

A percepção geral é a de que o Copom vai manter a indicação que foi feita em sua última ata e vem sendo repetida por seus representantes desde então em entrevistas e eventos: salvo com mudança muito brusca do cenário em relação à inflação ou a riscos ao teto de gastos, o compromisso é promover um novo aumento de 0,75 ponto porcentual (repetindo exatamente a alta da última definição do comitê).

Os dados de inflação já começam a ser despejados. O IPC-Fipe, que aponta a inflação na cidade de São Paulo, variou 0,44% em abril. O resultado representa um recuo ante março, quando o indicador subiu 0,71%.

Na comparação entre o resultado final de março e abril, destaque para o recuo do grupo Transportes (3,26% para 0,61%). Habitação recuou de 0,51% para 0,38%. Despesas Pessoais e Vestuário também tiveram queda nos preços.

Houve avanço nos grupos Alimentação (de 0,27% para 0,83%); Saúde (de 0,47% para 1,71%) e Educação (0,01% para 0,03%).

Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da FGV, que mede a inflação nas principais capitais do país, variou 0,23% na última leitura de abril. E acumula alta de 6,54% nos últimos 12 meses. A leitura final de março foi de 1%.

Nesta apuração, três das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição partiu do grupo Transportes (0,77% para -0,13%). Nesta classe de despesa, cabe mencionar o comportamento do item gasolina, cuja taxa passou de 2,26% para -0,62%.

Também registraram decréscimo em suas taxas de variação os grupos: Habitação (0,31% para 0,21%) e Despesas Diversas (0,36% para 0,27%).

O Ministério da Economia também informou o saldo da balança comercial do mês de abril. E foi positivo, com US$ 10,349 bilhões de superávit.

De acordo com o órgão, entre os dias 1 e 30 do mês passado, as exportações somaram US$ 26,481 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 16,132 bilhões.

O governo informou que este é o segundo maior superávit comercial registrado em um único mês desde que a série histórica passou a ser computada pelo Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio (hoje fundido à Economia), em janeiro de 1989.

Já a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com base em dados do BC, revelou que o crédito bancário estabeleceu recorde em um ano de pandemia, entre março do ano passado e o mesmo mês de 2021.

De acordo com a entidade, a concessão de crédito pelas instituições financeiras no País chegaram a R$ 4,5 trilhões nos 12 meses, com média de R$ 347,3 bilhões por mês.

“Mesmo em um período de intensa crise econômica decorrente da pandemia, o crédito mostrou uma expansão robusta e disseminada entre seus diversos segmentos, reforçando o importante papel que desempenhou para evitar uma recessão ainda mais aguda em 2020, além de ajudar atualmente no processo de recuperação”, diz Isaac Sidney, presidente da Febraban, em nota.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 39 subiram e as outras 45 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 108,46 (-0,51%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,43 (-0,80%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,56 (+2,98%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 27,90 (+1,40%)
  • B3 (B3SA3): R$ 51,49 (-0,02%)

Maiores altas

  • Iguatemi (IGTA3): R$ 38,70 (+5,16%)
  • CCR (CCRO3): R$ 12,65 (+5,07%)
  • BR Malls (BRML3): R$ 9,99 (+4,94%)
  • Rumo (RAIL3): R$ 20,87 (+4,35%)
  • Totvs (TOTS3): R$ 32,45 (+4,34%)

Maiores baixas

  • Sabesp (SBSP3): R$ 40,00 (-6,50%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 50,04 (-4,69%)
  • CVC (CVCB3): R$ 22,95 (-4,26%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 21,73 (-3,21%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 18,87 (-2,68%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,16% (51.515,84 pontos)
  • IBrX 50: +0,18% (20.008,87 pontos)
  • IBrA: +0,11% (4.852,22 pontos)
  • SMLL: +0,17% (2.925,03 pontos)
  • IFIX: +0,04% (2.862,43 pontos)
  • BDRX: -0,05% (13.202,90 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (julho)/barril

  • segunda-feira (3): +1,20% (US$ 67,56)
  • semana: +1,20% (US$ 67,56)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (3): +1,43% (US$ 64,49)
  • semana: +1,43% (US$ 64,49)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (3): +1,36% (US$ 1.791,80)
  • semana: +1,36% (US$ 1.797,80)

Prata (julho)/onça-troy

  • segunda-feira (3): +4,39% (US$ 27,01)
  • semana: +4,39% (US$ 27,01)

Com Wisir Research, BDM e CNBC