Bolsa ignora Wall Street, se recupera do dia anterior e fecha com alta de 1,39%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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A bolsa de valores dispensou qualquer referência externa nesta quarta-feira (28) e retomou os 121 mil pontos, ao subir 1,39%. O Ibovespa vai dormir com 121.052,52 pontos.

Wall Street ficou flutuando entre o caminho inverso e a estabilidade, depois da previsibilidade vinda do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que manteve as taxas de juros entre zero e 0,25%, com anta da inflação.

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No Brasil, o tom é de espera para ver como o governo vai reagir, a partir de amanhã, quando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia retoma os trabalhos para valer. Mas bancos, elétricas e siderúrgicas garantiram os ganhos e o bom humor em São Paulo.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 119.391,70 pontos (+0,003%); e na máxima, 121.275,86 pontos (+1,58%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 31,120 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (26): +0,05% (120.594,61 pontos)
  • terça-feira (27): -1,00% (119.388,37 pontos)
  • quarta-feira (28): +1,39% (121.052,52 pontos)
  • semana: +0,44%
  • abril: +3,79%
  • 2021: +1,71%

Dólar

O dólar despencou nesta quarta. A moeda norte-americana caiu 1,82%, valendo R$ 5,3616.

  • segunda-feira (26): -0,88% a R$ 5,4487
  • terça-feira (27): +0,23% a R$ 5,4612
  • quarta-feira (28): -1,82% a R$ 5,3616
  • semana : -2,47% a R$ 5,3616

Euro

  • segunda-feira (26): -0,86% a R$ 6,5672
  • terça-feira (27): +0,38% a R$ 6,5919
  • quarta-feira (28): -1,38% a R$ 6,5013
  • semana: -1,86% a R$ 6,5013

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +2,35% a R$ 300.919,05
  • Ethereum: +4,36% a R$ 14.711,30
  • Binance: +0,89% a R$ 3.037,89

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

O Fed anunciou nesta quarta (28) que o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), formado por dirigentes da instituição, manteve as taxas de juros entre zero e 0,25%.

A decisão, esperada pelo mercado, foi por unanimidade. A espera dos investidores era pelo comunicado do Fed. No texto que pautou a reunião do comitê, o Fed diz que, com “o progresso na vacinação e apoio político, os indicadores econômicos melhoraram. A trajetória da economia depende da evolução do vírus e da vacinação”.

O país tem mais da metade da população adulta vacinada.

Mas o Fed pondera que não é o momento de modificar a política monetária: “a pandemia continua causando tremendas dificuldades humanas e econômicas nos Estados Unidos. Setores mais afetados pela pandemia seguem fracos, mas melhoraram””.

“Estamos comprometidos em usar toda gama de instrumentos para apoiar economia”, escreve o comunicado da instituição”.

A decisão do Fed, lembra análise da CNBC, vem um dia antes do Departamento de Comércio divulgar os números preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre. Os números podem apontar avanço de 6,5%. “A maioria dos economistas, incluindo os do Fed, espera que os EUA tenham seu melhor ano completo desde pelo menos 1984”, diz a CNBC.

A inflação também subiu: os preços ao consumidor em março atingiram 2,6%, maior elevação na comparação anual desde agosto de 2018.

Lembra a reportagem da CNBC: “Várias empresas durante a temporada de lucros em curso mencionaram pressões de custo crescentes. A Procter & Gamble e outras marcas de consumo disseram que pretendem aumentar os preços à medida que os custos dos insumos aumentam. Os mercados atualmente estão precificando uma taxa de inflação de 5 anos em torno de 2,5%. Há um ano, o nível era inferior a 0,8%”.

Assim, as ações em Nova York ficaram rondando a estabilidade ou a leve baixa, ao final da sessão.

Na Europa e na Ásia-Pacífico, os mercados ficaram em sua maioria no positivo, ainda sem impacto direto sobre a declaração do Fed.

Nova York

  • S&P: -0,08%
  • Nasdaq: -0,28%
  • Dow Jones: -0,48%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,08%
  • DAX (Alemanha): +0,28%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,27%
  • CAC (França): +0,53%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,49%
  • FTSE MIB (Itália): -0,06%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,42%
  • SZSE Component (China): +0,94%
  • China A50 (China): +0,16%
  • DJ Shanghai (China): +0,35%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,37%
  • SET (Tailândia): +1,13%
  • Nikkei (Japão): +0,21%
  • ASX 200 (Austrália): +0,44%
  • Kospi (Coreia do Sul): -1,06%

Brasil: ambiente político e econômico

Minutos depois de confirmar a substituição de três secretários e uma assessora especial, o ministro da Economia, Paulo Guedes, negou que a troca tenha ocorrido por pressões políticas. Em entrevista na portaria do ministério, ele disse que as trocas representaram um remanejamento após avaliações periódicas da equipe.

“Não há problema pessoal com ninguém. Não houve nenhuma pressão política para se fazer esse movimento”, declarou Guedes, acompanhado pelo novo secretário especial de Fazenda, Bruno Funchal, e pelo antigo titular do cargo, Waldery Rodrigues, que virou assessor especial do gabinete do ministro.

De acordo com Guedes, os cargos no ministério serão periodicamente trocados, dependendo tanto do desempenho dos titulares como de eventuais convites recebidos para cargos no exterior.

Guedes teve mais o que se explicar. Após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, determinar que o governo retome a realização do Censo, cancelado este ano por cortes no Orçamento, o chefe da pasta da Economia jogou a culpa no Congresso.

“Não fomos nós que cortamos o Censo. Quando houve o corte, quem aprovou o Orçamento foi o Congresso. A explicação que nos deram é que, com a pandemia, o isolamento social impediria que os pesquisadores fossem de casa em casa transmitindo o vírus”, alegou. “Ir presencialmente não parecia muito razoável”, completou.

A desculpa parece boa aos olhos do bom senso, mas não é algo que o governo federal vem pregando desde o início da pandemia. O relator do Orçamento 2021, senador Marcio Bittar (MDB-AC), retirou uma previsão de cerca de R$ 2 bilhões para a realização do Censo e redistribuiu a emendas parlamentares. Por sua vez, o governo não lutou a favor da realização do mais amplo e importante levantamento sobre a sociedade brasileira.

E ainda tem a CPI. Mas enquanto a CPI não começa de fato, com os depoimentos e os inflamados discursos políticos, os dados tomam as atenções.

Um deles é animador. O Brasil gerou 184.140 novos postos de trabalho em março deste ano. A projeção do mercado ficava entre 180 mil a 200 mil novas vagas.

Em fevereiro, o número superou os 395 mil postos (revisados dos mais de 400 mil anunciados anteriormente), mas ainda não contabilizava as novas medidas de restrição de circulação.

O resultado advém de 1.608.007 admissões e de 1.423.867 desligamentos de empregos com carteira assinada.

O Índice de Confiança do Consumidor, calculado pela FGV, subiu 4,3 pontos em abril, chegando a 72,5 pontos. Com isso, recupera 44% da queda sofrida no mês anterior.

Em médias móveis trimestrais, o índice continua em tendência negativa ao cair 1,1 ponto.

“A melhora foi influenciada pela diminuição do pessimismo das famílias em relação aos próximos meses, mas sem nenhuma percepção de recuperação da situação atual, dado o cenário de agravamento da pandemia e dificuldades enfrentadas”, afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da pesquisa.

Já o Índice de Confiança do Comércio, da FGV, subiu 11,6 pontos em abril, indo de de 72,5 para 84,1 pontos.

Com isso, recupera mais da metade da queda de março (quando teve recuo de 18,5 pontos). Em médias móveis trimestrais, o indicador caiu 2,2 pontos, mantendo a tendência de queda pelo sexto mês seguido.

“Mesmo tendo sido um aumento expressivo, ele apenas compensa parte da intensa queda ocorrida em março. O nível dos indicadores sobre o momento presente ainda estão baixos e indicam que a demanda no mês continuou fraca”, avalia Rodolpho Tobler, coordenador da pesquisa.

Por fim, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que a dívida pública federal do Brasil registrou um novo aumento em março.

De acordo com o órgão, os débitos do governo no Brasil e no Exterior apresentaram alta de 0,85% no período, e passaram de R$ 5,198 trilhões para R$ 5,242 trilhões.

“O mês de março foi negativo de forma geral, com deterioração na percepção de risco de emergentes e alta na curva de juros no mercado doméstico”, informou o Tesouro Nacional, em nota.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 55 subiram e as outras 26 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 111,92 (+1,63%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,94 (+3,64%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,50 (+4,97%)
  • JBS (JBSS3): R$ 31,62 (-6,14%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 28,21 (+4,32%)

Maiores altas

  • Santander (SANB11): R$ 40,60 (+8,06%)
  • Cemig (CMIG4): R$ 14,11 (+5,85%)
  • Bradesco (BBDC3): R$ 24,50 (+4,97%)
  • Locamerica (LCAM3): R$ 25,80 (+4,92%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 21,48 (+4,78%)

Maiores baixas

  • JBS (JBSS3): R$ 31,62 (-6,14%)
  • Marfrig (MRFG3): R$ 19,05 (-4,70%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 67,54 (-4,70%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 28,12 (-3,96%)
  • Cielo (CIEL3): R$ 3,53 (-3,29%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +1,42% (52.371,05 pontos)
  • IBrX 50: +1,46% (20.372,72 pontos)
  • IBrA: +1,38% (4.929,27 pontos)
  • SMLL: +0,40% (2.949,26 pontos)
  • IFIX: -0,10% (2.842,39 pontos)
  • BDRX: -1,77% (13.092,59 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (junho)/barril

  • segunda-feira (26): -0,69% (US$ 65,65)
  • terça-feira (27): +1,29% (US$ 65,87)
  • quarta-feira (28): +1,72% (US$ 67,27)
  • semana: +2,32% (US$ 67,27)

Petróleo WTI (junho)/barril

  • segunda-feira (26): -0,37% (US$ 61,91)
  • terça-feira (27): +1,66% (US$ 62,94)
  • quarta-feira (28): +1,46% (US$ 63,86)
  • semana: +2,75% (US$ 63,86)

Ouro (junho)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,13% (US$ 1.780,10)
  • terça-feira (27): -0,20% (US$ 1.776,50)
  • quarta-feira (28): -0,27% (US$ 1.773,90)
  • semana: -0,34% (US$ 1.773,90)

Prata (maio)/onça-troy

  • segunda-feira (26): +0,65% (US$ 26,24)
  • terça-feira (27): +0,64% (US$ 26,38)
  • quarta-feira (28): -0,68% (US$ 26,23)
  • semana: +0,61% (US$ 26,23)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

Money Week 5ª Edição

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