Bolsa ganha apenas 0,59%, após conseguir alta mais robusta durante o dia; gangorra segue NY

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores começou agosto em alta. Nesta segunda-feira (2), ganhou 0,59%, ficando com 122.515,74 pontos. Mas podia ter sido melhor, como se viu nos picos intradiários. O Ibovespa acompanhou em parte dos índices de Wall Street: experimentou ganhos robustos e depois foi desidratando. Lá em Nova York, os principais índices terminaram no vermelho.

Em semana de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), que divulga nesta quarta-feira (4), depois do fechamento do mercado, a nova taxa básica de juros da economia, a Selic, os investidores continuam seguindo mais os humores do exterior, tento em vista que já se espera uma nova alta dos juros.

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Lá fora, há o pacote trilionário de infraestrutura, criado pelo governo de Joe Biden, que o congresso norte-americana ainda analisa, sem chegar a lugar algum; há dados e mais dados econômicos; e, claro, a variante delta que segue ampliando o número de novos infectados pelo mundo, embora, cada vez menos, os governos estejam pensando em fechar as atividades econômicas.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 121.796,86 pontos (-0,003%); e na máxima, 124.536,25 pontos (+2,25%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 30,960 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (2): +0,59% (122.515,74 pontos)
  • semana: +0,59%
  • agosto: +0,59%
  • 2021: +2,93%

Juros

  • D1F22: +0,01 p.p. para 6,32%
  • D1F23: +0,01 p.p. para 7,85%
  • D1F24: +0,02 p.p. para 8,44%
  • D1F25: +0,02 p.p. para 8,72%
  • D1F26: +0,01 p.p. para 8,88%
  • D1F27: +0,01 p.p. para 9,05%
  • D1F28: +0,02 p.p. para 9,15%
  • D1F29: -0,01 p.p. para 9,26%
  • D1F30: +0,09 p.p. para 9,34%
  • D1F31: +0,00 p.p. para 9,45%

Dólar

O dólar começou agosto em queda. A moeda norte-americana perdeu 0,86% e passou a valer R$ 5,1653.

  • segunda-feira (2): -0,86% a R$ 5,1653
  • semana: -0,86%

Euro

  • segunda-feira (2): -0,68% a R$ 6,1439
  • semana: -0,68%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: -4,39% a R$ 202.131,08
  • Ethereum: -1,32% a R$ 13.535,50
  • Tether: +1,87% a R$ 5,20
  • Cardano: -1,70% a R$ 6,82
  • Binance: -1,79% a R$ 1.718,99

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Os índices em Wall Street até chegaram a subir e bater novos recordes neste primeiro pregão de agosto de 2021. Mas na reta final passaram a recuar e mergulharam na decadente trajetória até fecharem no vermelho.

O desempenho morno de segunda-feira para as ações veio com os rendimentos do Tesouro e os preços do petróleo despencando, sinalizando que alguns investidores podem estar preocupados com o crescimento econômico.

“Os mercados estão tendo dificuldade em se decidir, já que os investidores procuram o próximo catalisador que aponte uma direção”, disse Tony Dwyer, analista da Canaccord Genuity, em nota reproduzida pela CNBC. “O medo da variante delta da Covid-19 deixa os investidores nervosos, enquanto o suporte monetário e fiscal para a economia, juntamente com ganhos historicamente fortes, mantém a liquidez alta”.

O rendimento do Tesouro de 10 anos caiu para cerca de 1,17%, colocando-o perto de suas baixas recentes, vistas em meados de julho. Os rendimentos se movem inversamente aos preços.

O Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) Industrial dos EUA ficou em 63,4 pontos em julho, acima da leitura de 62,1 de junho e também acima da projeção de 63,1 pontos.

No PMI, leituras acima de 50 pontos indicam crescimento da atividade, enquanto leituras inferiores apontam retração.

Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit, responsável pelo estudo, afirma que foram relatadas falhas na cadeia de produção, que estão levando a atrasos na entrega dos pedidos e, consequentemente, a altas nos preços.

“Os fornecedores estão subindo os preços de venda dos insumos para as fábricas nas taxas mais altas já registradas. Os fabricantes, por sua vez, podem aumentar seus preços de venda para uma extensão sem precedentes”, alertou.

Kathy Jones, estrategista-chefe de renda fixa da Charles Schwab, disse que as preocupações com a desaceleração do crescimento e a variante delta podem ser motivos para os rendimentos caírem, mas ainda não conseguiram explicar o nível atual dos títulos.

“Acho que o mundo inteiro espera que os rendimentos aumentem, e talvez seja por isso que eles não sobem”, disse Jones.

Os EUA estão contabilizando em média mais de 63 mil novos casos Covid por dia na última semana, perto de seu nível mais alto desde abril deste ano.

Novas regras começaram a ser impostas, incluindo a exigência de máscaras para os completamente vacinados, mas os governos locais ainda não acenaram para nenhum tipo de restrição mais radical das atividades econômicas. Ou seja, nenhum lockdown à vista, por ora.

Do outro lado do mundo, as ações da Ásia-Pacífico subiram, uma vez que os investidores conseguiram pechinchas após uma recente queda, enquanto os dados mostraram que o crescimento da atividade manufatureira chinesa desacelerou em julho.

Em relação aos dados, as leituras finais do PMI de manufatura Markit de julho mostraram que a atividade fabril da zona do euro continuava a acelerar a uma velocidade vertiginosa, apesar da escassez de matérias-primas e custos crescentes. A leitura final veio em 62,8, abaixo do recorde histórico de junho de 63,4, mas à frente de uma estimativa preliminar de 62,6.

A atividade manufatureira do Reino Unido desacelerou para 60,4 em relação aos 63,9 de junho, tendo atingido um pico recorde de 65,6 em maio.

Nova York

  • S&P: -0,18%
  • Nasdaq: +0,06%
  • Dow Jones: -0,28%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,67%
  • DAX (Alemanha): +0,16%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,70%
  • CAC (França): +0,96%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,96%
  • FTSE MIB (Itália): -0,05%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +1,97%
  • SZSE Component (China): +2,25%
  • China A50 (China): +3,11%
  • DJ Shanghai (China): +2,25%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,93%
  • SET (Tailândia): +0,21%
  • Nikkei (Japão): +1,82%
  • ASX 200 (Austrália): +1,34%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,65%

Brasil: ambiente político e econômico

O boletim Focus, do BC, reviu para cima as projeções de inflação PIB – Produto Interno Bruto – e câmbio para este ano. A exceção é a taxa Selic, cujas estimativas foram mantidas em 7% para o fim de 2021. Há quatro semanas, o boletim previa uma taxa de juros a 6,50%.

Com relação à inflação, a pesquisa de mercado aponta para uma taxa em 6,79%, frente a 6,56% da semana passada. Há quatro semanas, a projeção era de uma inflação em 6,07%.

Quando ao PIB, a pesquisa aponta para um crescimento de 5,30% ao fim de 2021. Semana passada, o boletim apontava para 5,29%. Há quatro semanas, a projeção era de 5,18%.

Para o dólar, a estimativa é que a divisa norte-americana chegue a R$ 5,10 para este ano, ante R$ 5,09 da semana passada. Há quatro semanas, a projeção era de dólar a R$ 5,04.

O Copom divulga, na próxima quarta-feira (4), a partir das 18h, o resultado de sua 240ª reunião. E do anúncio sairá a decisão quanto à taxa básica de juros (Selic).

A expectativa prioritária do mercado é por uma quarta alta sequencial da Selic.

Mas, agora, as apostas predominantes são de que o comitê abandone os reajustes de 0,75 ponto porcentual e seja mais agressivo na correção: aumente a Selic em 1%. O que levaria a taxa de juros dos atuais 4,25% para 5,25%.

Vale lembrar que, na reunião de março, o Copom promoveu a primeira alta da taxa de juros em seis anos, depois de ela se manter sete meses em 2%, a mais baixa já registrada. Novamente, em maio, veio mais um ajuste de 0,75 ponto porcentual. E em junho, a repetição dos 0,75.

Em ata divulgada dia 22 de junho, o comitê afirmou que espera, para a reunião de agosto, outro reajuste de mesma magnitude (0,75 ponto porcentual). No entanto, enfatizou que não descarta um “ajuste mais tempestivo”.

Segundo o Comitê, o ajuste tempestivo teria duas vantagens: a de acumular mais informações sobre os determinantes da inflação e deixar claro que há transparência nas divulgações do Copom, mas que os passos futuros da política monetária são livremente ajustados para manter a inflação dentro da meta, conforme novas informações se tornam disponíveis.

“As informações obtidas no período entre as reuniões do Copom modificam as hipóteses presentes no cenário básico e no balanço de risco, e naturalmente alteram a trajetória futura dos juros”, salienta a ata.

Já o PMI Industrial brasileiro, desenvolvido pela IHS Marki mostrou que as indústrias brasileiras ampliaram o nível de estoques de bens finais em julho para um recorde, diante do aumento da demanda. O crescimento do setor chegou ao maior nível em cinco meses.

Conforme a IHS Markit, o PMI subiu em julho para 56,7, de 56,4 em junho, maior patamar em cinco meses e acima da média de longo prazo. Todas as três áreas monitoradas registraram crescimento.

Com o aumento da demanda no ritmo mais rápido em sete meses, os fabricantes de produtos se concentraram em recompor seus estoques. O subíndice de estoque de bens finais aumentou, portanto, pelo quarto mês consecutivo. Além disso, foi no ritmo mais rápido em quinze anos e meio de história da pesquisa.

A utilização da capacidade instalada registrou alta de 0,9 ponto percentual em junho atingindo seu maior patamar desde abril de 2013, informou hoje a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Conforme a pesquisa de indicadores industriais, o nível de atividade da indústria chegou a 82,9% em junho. A taxa desconsidera efeitos sazonais (oscilações típicas de determinadas épocas do ano).

Outro indicador que reverteu tendência de queda e voltou a subir em junho, foi o de horas trabalhadas. De acordo com a CNI, o item registrou alta de 0,3%. Ainda assim, no primeiro semestre a baixa acumulada é de 3,4%. A CNI frisou, entretanto, que o indicador se encontra em patamar superior ao de antes da crise provocado pela pandemia da Covid-19.

No campo político, nesta semana, o Congresso Nacional volta a trabalhar, especificamente a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os malfeitos do governo federal no combate à pandemia da Covid-19 no país.

Embora o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não tenha arrefecido nem um pouco o clima de atrito político, especialmente questionando, com insistência, o processo eleitoral brasileiro, a semana promete elevar novamente o termômetro político. É algo que os investidores precisam ficar atentos.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, apenas 3 subiram, 2 ficaram estáveis (COGN3 e LCAM3) e 24 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 108,93 (+0,16%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 26,41 (-1,86%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,47 (+0,61%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,40 (+0,62%)
  • CSN (CSNA3): R$ 44,84 (-1,41%)

Maiores altas

  • Totvs (TOTS3): R$ 36,97 (+4,55%)
  • Americanas (AMER3): R$ 51,27 (+4,42%)
  • Taesa (TAEE11): R$ 39,55 (+4,08%)
  • Hypera (HYPE3): R$ 37,00 (+3,79%)
  • Copel (CPLE6): R$ 6,35 (+3,76%)

Maiores baixas

  • CVC (CVCB3): R$ 21,85 (-2,02%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 26,41 (-1,86%)
  • BB Seguridade (BBSE3): R$ 21,00 (-1,73%)
  • Localiza (RENT3): R$ 61,17 (-1,58%)
  • PetroRio (PRIO3): R$ 17,59 (-1,46%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,58% (52.939,04 pontos)
  • IBrX 50: +0,46% (20.620,07 pontos)
  • IBrA: +0,66% (4.994,68 pontos)
  • SMLL: +0,81% (2.986,25 pontos)
  • IFIX: -0,41% (2.812,66 pontos)
  • BDRX: -0,91% (13.292,59 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (2): -3,34% (US$ 72,89)
  • semana: -3,34%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (2): -3,64% (US$ 71,26)
  • semana: -3,34%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (2): +0,05% (US$ 1.818,05)
  • semana: +0,66%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (2): -0,14% (US$ 25,51)
  • semana: -0,14%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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