Bolsa ganha 0,50%, entre alta da inflação e arrecadação recorde

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores ganhou mais 0,50% nesta quarta-feira (25), indo a 120.817,71 pontos. O Ibovespa consegue se manter no patamar dos 120 mil pontos, seguindo a alta vista em Nova York, onde os principais índices fecharam no azul.

Dados da inflação no Brasil mostram aceleração daquela que é uma das maiores vilãs atualmente em todo o mundo, mas que no país tem avançado com mais voracidade.

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A arrecadação de julho, com alta de 35,47% de crescimento, ajudou com o contraponto, dando alívio fiscal.

O Ministério da Economia e o governo de São Paulo anteciparam a terceira dose para pessoas acima de 60 anos logo para setembro, de olho em problemas que a variante delta pode causar, diante da economia toda aberta, sem restrições algumas. É um alento aos agentes do mercado, que esperam ação para que não haja regressão no processo de abertura.

Já o mundo está de olho no Wyoming, onde acontece esta semana o Simpósio Jackson Hole, com os diretores do Federal Reserve discutindo datas e processos do tapering, a retirada de estímulos à economia dos Estados Unidos.

Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 119.225,93 pontos (-0,82%); e na máxima, 120.616,60 pontos (+0,34%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 24,800 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (23): -0,49% (117.471,67 pontos)
  • terça-feira (24): +2,33% (120.210,75 pontos)
  • quarta-feira (25): +0,50% (120.817,71 pontos)
  • semana: +2,34%
  • agosto: -0,81%
  • 2021: +1,51%

Juros

  • D1F22: +0,03 p.p. para 6,72%
  • D1F23: +0,04 p.p. para 8,45%
  • D1F24: -0,09 p.p. para 9,11%
  • D1F25: -0,15 p.p. para 9,41%
  • D1F26: -0,20 p.p. para 9,59%
  • D1F27: -0,21 p.p. para 9,78%
  • D1F28: -0,20 p.p. para 9,95%
  • D1F29: -0,25 p.p. para 10,03%
  • D1F30: -0,01 p.p. para 10,39%
  • D1F31: -0,27 p.p. para 10,20%

Dólar

O dólar continuou recuando nesta quarta. A moeda norte-americana perdeu 0,97% e passou a valer R$ 5,2113.

  • segunda-feira (23): -0,05% a R$ 5,3820
  • terça-feira (24): -2,23% a R$ 5,2622
  • quarta-feira (25): -0,97% a R$ 5,2113
  • semana: -3,25%

Euro

  • segunda-feira (23): +0,46% a R$ 6,3180
  • terça-feira (24): -2,41% a R$ 6,1660
  • quarta-feira (25): -0,50% a R$ 6,1350
  • semana: -3,47%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +3,23% a R$ 254.683,03
  • Ethereum: +2,74% a R$ 16.799,27
  • Tether: +1,87% a R$ 5,21
  • Cardano: -0,16% a R$ 14,34
  • Binance: +6,98% a R$ 2.615.88

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA subiram hoje, ajudadas pelos bancos e pela ações ligadas à reabertura da economia, com o rendimento do Tesouro de 10 anos subindo.

O rendimento da nota de referência do Tesouro de 10 anos subiu para 1,341%, seu nível mais alto desde o início do mês, quando rendeu até 1,364%. Isso elevou as ações do JPMorgan e do Wells Fargo. Bancos regionais como Zions, Regions Financial e Fifth Third também subiram, bem como empresas de viagens, cruzeiros e lazer e transportadoras aéreas.

Os mercados foram impulsionados por sinais de que os casos de variantes delta podem estar chegando ao pico.

Tom Lee, da Fundstrat, disse em uma nota replicada pela CNBC, que o pior pode ter ficado para trás: “percebemos que os mercados de ações têm estado turbulentos, mas a cadência de entrada de dados melhorou nos últimos dias, sendo o mais notável o ápice de casos Covid-19”.

A Johnson & Johnson disse que sua dose de reforço mostrou resultados promissores em testes clínicos em estágio inicial, aumentando significativamente os anticorpos.

Por outro lado, o muito aguardado Simpósio de Jackson Hole, que começa amanhã, pode fornecer atualizações sobre tapering, a retirada de estímulo. O Federal Reserve tem comprado pelo menos US$ 120 bilhões em títulos por mês para conter as taxas de juros de longo prazo e impulsionar o crescimento econômico.

O presidente Jerome Powell deve fazer comentários na sexta-feira.

Na Europa, a expectativa de negócios na Alemanha caiu em agosto. O índice de clima de negócios do Instituto Ifo ficou em 99,4, abaixo de uma previsão do consenso da Reuters de 100,4 e abaixo de uma revisão revisada de 100,7 em julho.

No Reino Unido, os varejistas relataram em agosto o maior aumento nos gastos em quase sete anos.

Os mercados na Europa e da Ásia e Pacífico fecharam sem direção definida.

Nova York

  • S&P 500: +0,22%
  • Nasdaq: +0,15%
  • Dow Jones: +0,11%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,07%
  • DAX (Alemanha): -0,28%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,34%
  • CAC (França): +0,18%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,32%
  • FTSE MIB (Itália): +0,12%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,74%
  • SZSE Component (China): +0,23%
  • China A50 (China): +0,24%
  • DJ Shanghai (China): +0,72%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,13%
  • SET (Tailândia): +0,85%
  • Nikkei (Japão): -0,03%
  • ASX 200 (Austrália): +0,39%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,27%

Brasil: ambiente político e econômico

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA. Ele acelerou de 0,72% em julho para 0,89% em agosto, puxado principalmente pela alta da energia elétrica.

O resultado veio acima da projeção de 0,82% e é o maior para o mês desde 2002.

No ano, o indicador acumula alta de 5,81% e nos últimos 12 meses, de 9,30%.

Com aumento de 5%, a energia elétrica exerceu o maior impacto individual no resultado, sendo responsável por 0,23 ponto percentual no índice do mês.

No contexto da crise hídrica, a bandeira tarifária vermelha patamar 2 vigorou nos meses de julho e agosto. Além disso, a partir de 1º de julho, houve reajuste de 52% no valor adicional da bandeira, que passou a cobrar R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos (frente a R$ 6,243 em junho).

Relatório do BTG Pactual (BPAC11) revela que para os próximos meses, os riscos inflacionários seguem elevados. O grande fator que pesa é a pressão proveniente da possível elevação adicional da bandeira tarifária. Além disso, há o aumento dos preços dos alimentos in natura, ambos reflexos do cenário climático adverso.

O Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe), que mede a inflação em São Paulo, acelerou 1,40% na terceira leitura de agosto, ante alta de 1,35% da semana anterior.

Na comparação entre as duas leituras, houve avanços em Habitação, Alimentação, Transportes, Despesas Pessoais, Saúde e Educação. Vestuário foi o único grupo a registrar recuo.

O governadores do estado de São Paulo, João Dória (PSDB), reagiu ao anúncio do Ministério da Saúde de que vai antecipar a terceira dose a pessoas acima de 60 anos a partir de 15 de setembro. São Paulo, que não pensava em aplicar ainda a terceira dose, anunciou o começo da aplicação para 6 de setembro.

Essa corrida é vista como positiva, já que não há um só setor das economia com restrições sanitárias, por conta da pandemia, e, diante do avanço da variante delta, mais infecciosa, temia-se que em setembro fosse necessário voltar a aplicar restrições.

Resta saber se haverá doses suficientes para aplicar nessas pessoas.

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a afirmar que há o risco de furar o teto de gastos no próximo ano. Mas o vilão da vez são os precatórios, que Guedes quer parcelar, numa atitude que muitos analistas traduzem pura e simplesmente como “calote”.

O governo quer parcelar as dívidas judiciais do governo para conseguir respiro no orçamento para criar o programa social Auxílio Brasil, em substituição ao Bolsa Família. O novo programa é a cartada final de Jair Bolsonaro (sem partido) para buscar a reeleição em 2022.

O alívio fiscal veio mesmo com a arrecadação da Receita Federal, que cresceu 35,47% em julho em termos reais sobre o mesmo mês do ano passado. No total, soma-se R$ 171,270 bilhões, valor recorde para o mês, informou a Receita Federal. O valor arrecadado no mês passado foi o maior para meses de julho da série histórica, iniciada em 1995.

Conforme o que foi divulgado pela Receita, houve também aumento de 23,67% na margem, ante junho.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 58 subiram, 3 ficaram estáveis (COGN3, HAPV3 e USIM5) e 23 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 99,50 (-0,21%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 27,73 (+0,54%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 62,26 (+5,44%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,99 (+0,13%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 19,55 (+1,61%)

Maiores altas

  • Suzano (SUZB3): R$ 62,26 (+5,44%)
  • Totvs (TOTS3): R$ 39,08 (+4,16%)
  • CVC (CVCB3): R$ 22,90 (+4,00%)
  • Brakem (BRKM5): R$ 62,86 (+3,92%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 26,67 (+3,90%)

Maiores baixas

  • Banco Inter (BIDI11): R$ 64,19 (-4,42%)
  • CSN (CSNA3): R$ 37,70 (-2,31%)
  • Americanas (AMER3): R$ 42,42 (-1,35%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 5,81 (-1,02%)
  • Sul América (SULA11): R$ 30,00 (-0,86%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,37% (51.726,62 pontos)
  • IBrX 50: +0,45% (20.138,03 pontos)
  • IBrA: +0,39% (4.893,31 pontos)
  • SMLL: +0,78% (2.933,64 pontos)
  • IFIX: +0,01% (2.720,95 pontos)
  • BDRX: -0,89% (13.696,35 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (23): +5,48% (US$ 68,75)
  • terça-feira (24): +3,35% (US$ 71,05)
  • quarta-feira (25): +1,69% (US$ 72,25)
  • semana: +10,52%

Petróleo WTI (outubro)/barril

  • segunda-feira (23): +5,63% (US$ 65,64)
  • terça-feira (24): +2,89% (US$ 67,54)
  • quarta-feira (25): +1,21% (US$ 68,36)
  • semana: +9,73%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (23): +1,30% (US$ 1.807,15)
  • terça-feira (24): +0,09% (US$ 1.807,95)
  • quarta-feira (25): -0,79% (US$ 1.794,25)
  • semana: +0,60%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (23): +2,23% (US$ 23,63)
  • terça-feira (24): +1,21% (US$ 23,94)
  • quarta-feira (25): +0,02% (US$ 23,90)
  • semana: +3,46%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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