Bolsa ganha 0,42%, em dia de otimismo internacional e minirreforma ministerial no Brasil

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores voltou a subir nesta quarta-feira (21), ganhando 0,42% e recuperando-se ainda mais do tombo de segunda (19), embora não tenha se movimentado muito. O índice fechou com 125.929,25 pontos.

A bolsa brasileira teve grande ajuda do bom humor emanado de Nova York, onde os principais índices fecharam no azul pelo segundo dia consecutivo.

Nos Estados Unidos, os olhos ainda estão no pacote trilionário de infraestrutura, que segue em discussão no Congresso local.

Enquanto isso, no Brasil, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), voltou a mexer com o mercado anunciando uma nova mexida ministerial, dessa vez para se aconchegar ainda mais no colo do Centrão. Já Paulo Guedes, o ministro da Economia, reitera sua intenção de taxar os dividendos, na reforma tributária.

Você sabia que algumas das maiores oportunidades de ganhos da bolsa estão nas Small Caps? Quer saber mais sobre essas ações e como investir? 

Enquanto o Brasil estreava nos Jogos Olímpicos de Tóquio, com vitória de 5 a 0 da seleção feminina de futebol, sobre a China, o governo federal segue firme e forte para ganhar medalha de ouro em confusão.

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Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 125.246,63 pontos (-0,12%); e na máxima, 126.111,75 pontos (+0,57%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 24,700 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (19): -1,24% (124.394,57 pontos)
  • terça-feira (20): +0,81% (125.401,36 pontos)
  • quarta-feira (21): +0,42% (125.929,25 pontos)
  • semana: -0,02%
  • julho: -0,69%
  • 2021: +5,80%

Juros

  • D1F22: +0,02 p.p. para 5,77%
  • D1F23: +0,01 p.p. para 7,13%
  • D1F24: +0,02 p.p. para 7,77%
  • D1F25: +0,04 p.p. para 8,12%
  • D1F26: +0,02 p.p. para 8,35%
  • D1F27: +0,04 p.p. para 8,59%
  • D1F28: +0,04 p.p. para 8,76%
  • D1F29: +0,03 p.p. para 8,89%
  • D1F30: +0,06 p.p. para 9,05%
  • D1F31: +0,05 p.p. para 9,13%

Dólar

O dólar volta a descer nesta quarta. A moeda norte-americana perdeu 0,76% e passou a valer R$ 5,1916.

  • segunda-feira (19): +2,64% a R$ 5,2506
  • terça-feira (20): -0,37% a R$ 5,2311
  • quarta-feira (21): -0,76% a R$ 5,1916
  • semana: +1,51%

Euro

  • segunda-feira (19): +2,62% a R$ 6,1962
  • terça-feira (20): -0,76% a R$ 6,1492
  • quarta-feira (21): -0,49% a R$ 6,1192
  • semana: +1,51% a R$ 6,1192

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +7,86% a R$ 164.336,15
  • Ethereum: +10,07% a R$ 10.065,06
  • Tether: +1,82% a R$ 5,19
  • Cardano: +8,87% a R$ 6,00
  • Binance: +8,10% a R$ 1.487,78

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações dos EUA subiram, continuando sua recuperação após a desastrosa segunda-feira (19).

“A terça-feira foi um salto superestimado após o colapso de segunda-feira”, disse Thomas Essaye, da Sevens Report Research, em um relatório publicado pela CNBC. “Além das oscilações de curto prazo, no entanto, para que o valor se recupere, precisaremos ver os rendimentos mais baixos e o crescimento econômico superar as estimativas, duas coisas que achamos que acontecerão)”.

O mercado de títulos, especificamente o rendimento do Tesouro de 10 anos, está impulsionando os mercados de ações. O rendimento de 10 anos subiu 8 pontos base para 1,29% (1 ponto base é igual a 0,01%). O rendimento caiu para um piso mais baixo em 5 meses antes de ontem. A queda nas taxas irritou os investidores em ações, sinalizando uma possível desaceleração da economia devido à disseminação da variante delta ou um possível erro do Federal Reserve, o que seria, sim, desastroso.

Alguns estrategistas veem o mercado caminhando para um período volátil, no qual pode haver uma retração mais profunda. Os investidores estão lidando com as preocupações com a inflação, bem como com os novos casos da Covid-19, que aceleram bastante nos Estados Unidos, graças à delta e aos que insistem em não se vacinar.

No entanto, ressalta a CNBC, os dados mostram que os picos de casos da Covid-19 normalmente não mantêm o mercado de ações baixo por muito tempo. Nos 14 meses desde o pico de abril de 2020 na média de casos diários, as contagens de casos nos EUA aumentaram quatro vezes durante as quais o S&P 500 permaneceu positivo. Ou seja, o investidor não está nem aí para o avanço da Covid-19 e seu uso tem sido meramente especulativo.

Não é um privilégio ou insensibilidade do investidor norte-americano, porém. Na Europa, os mercados ampliaram os ganhos hoje, com os índices todos no positivo, mostrando que os investidores aproveitaram as pechinchas resultantes da sanguinária sessão de segunda.

Os mercados de ações asiáticos também fecharam em alta, salvo exceções, depois que novos números mostraram que as exportações do Japão aumentaram 48,6% em junho em comparação com o ano anterior, acima de um aumento de 46,2% esperado por economistas em uma pesquisa da Reuters.

Além do mais, há um sentimento mais ameno com o início das Olimpíadas de Tóquio, oficialmente nesta sexta-feira (23), embora jogos já tenham ocorrido. desde hoje, com o softbol e o futebol. Por outro lado, o avanço da Covid-19 em plana Vila Olímpica expõe a fragilidade do momento em todo o mundo.

Nova York

  • S&P: +0,83%
  • Nasdaq: +0,92%
  • Dow Jones: +0,82%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +1,78%
  • DAX (Alemanha): +1,36%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +1,70%
  • CAC (França): +1,85%
  • IBEX 35 (Espanha): +2,50%
  • FTSE MIB (Itália): +2,36%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,73%
  • SZSE Component (China): +1,34%
  • China A50 (China): -0,12%
  • DJ Shanghai (China): +0,68%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,04%
  • SET (Tailândia): +0,13%
  • Nikkei (Japão): +0,58%
  • ASX 200 (Austrália): +0,78%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,52%

Brasil: ambiente político e econômico

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reiterou que vai taxar lucros e dividendos, que não pagam impostos há mais de 25 anos.

A fala do ministro foi durante a coletiva de imprensa para comentar os dados da arrecadação de junho.

Paulo Guedes reforçou sua intenção de elevar de zero para 20% o imposto sobre dividendos. Isso, segundo o ministro, fará com que os assalariados paguem menos impostos. É o que ele diz.

De acordo com Guedes, a não tributação de lucros e dividendos é “jabuticaba brasileira”.

O ministro disse que sua equipe está ouvindo o setor privado sobre sua proposta de reforma tributária e indicou que alguns pontos da versão original encaminhada ao Congresso poderão ser modificados ou excluídos.

Para Guedes, o essencial é tributar juros e dividendos, reduzir a tributação para 31 milhões de brasileiros e isentar os profissionais liberais.

Na arquibancada, os agentes do mercado voltaram se preocupar com esse esquema tático.

No alto do pódios das confusões está o governo federal, que agora anunciou uma minirreforma ministerial. As mudanças devem acontecer já na próxima semana, tudo para acolher ainda mais o Centrão no governo. O Centrão é como é conhecido o grupo de partidos fisiológicos que dão sustentação a todo e qualquer governo desde o mandato presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP).

A prova de revezamento inclui o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que vai para a Casa Civil, no lugar do general Luiz Eduardo Ramos. Ramos, por sua vez, passa à Secretaria-Geral, hoje ocupada por Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Lorenzoni, fiel esgrimista do time Bolsonaro, vai ganhar um ministério para chamar de seu, o do Trabalho, que estava no guarda-chuva do outrora peso-pesado Ministério da Economia, hoje desidratado e sem muitas chances de medalhar.

Com a recriação da pasta do Trabalho, Bolsonaro, que havia prometido um time enxuto de 15 ministérios, durante a campanha de 2018, os convocados ministeriais passam a ser 22, sete a mais – isso porque, com a aprovação da autonomia do Banco Central, o BC perdeu o status de ministério, senão seriam 23.

A movimentação tem um só motivo: a torcida não está jogando com o time. Com a mais baixa popularidade de sua administração, Bolsonaro precisa cada vez mais jogar ao lado do Centrão, com o fantasma da eliminação, ou o impeachment, a assombrá-lo a cada dia.

Apesar de tudo, o otimismo está em alta junto a investidores consultados pelo banco UBS com relação à economia nacional. A sondagem foi realizada pelo banco suíço no segundo trimestre do ano.

Na pesquisa anterior, 64% dos entrevistados disseram que estavam otimistas quanto à recuperação da economia nacional. Essa melhora na avaliação se dá por conta do avanço da vacinação contra a Covid-19.

A própria avaliação da vacinação também melhorou neste último trimestre na relação com o primeiro, segundo o relatório do banco suíço.

De acordo com a sondagem, no segundo trimestre do ano, 49% disseram que a vacinação está ocorrendo de forma bem sucedida. Enquanto isso, 22% aponta que há um sucesso moderado. Já 29% dizem que não estão satisfeitos com a vacinação.

Na pesquisa do trimestre anterior, a porcentagem daqueles que diziam que a vacina estava bem sucedida, chegava a 37%. Enquanto isso, 29% apontaram que o sucesso era moderado. Já outra fatia de 34% apontava que não estava indo bem.

Ainda em dados, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) subiu 2% em julho, alcançando a segunda alta consecutiva. O indicador chegou a 68,4 pontos e atingiu o maior nível desde abril. O resultado ficou 3,5% acima do registrado no mesmo período de 2020.

O índice, entretanto, segue abaixo do nível de satisfação (100 pontos). Os resultados da pesquisa, feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), foram divulgados nesta quarta-feira (21).

“A maior confiança das famílias na estabilidade da tendência positiva do mercado de trabalho, a disponibilização do auxílio emergencial e uma maior parcela da população já vacinada favoreceram as condições de consumo”, afirmou, em nota, o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 42 subiram e 42 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 114,40 (+1,15%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 26,96 (+1,39%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 24,39 (+0,04%)
  • Americanas (AMER3): R$ 57,85 (-5,67%)
  • Oi (OIBR3): R$ 1,29 (-5,15%)

Maiores altas

  • IRB Brasil (IRBR3): R$ 6,00 (+8,50%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 62,87 (+4,59%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 18,87 (+3,00%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 19,68 (+2,50%)
  • Banco Inter (BIDI11): R$ 84,90 (+2,50%)

Maiores baixas

  • Americanas (AMER3): R$ 57,85 (-5,67%)
  • Lojas Americanas (LAME4): R$ 7,90 (-5,16%)
  • Fleury (FLRY3): R$ 24,33 (-2,87%)
  • Cogna (COGN3): R$ 3,97 (-2,46%)
  • JHSF (JHSF3): R$ 7,56 (-2,20%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: +0,50% (54.595,11 pontos)
  • IBrX 50: +0,55% (21.220,54 pontos)
  • IBrA: +0,44% (5.136,58 pontos)
  • SMLL: +0,03% (3.107,61 pontos)
  • IFIX: -0,07% (2.837,73 pontos)
  • BDRX: -0,13% (13.351,84 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (setembro)/barril

  • segunda-feira (19): -6,75% (US$ 68,62)
  • terça-feira (20): +1,06% (US$ 69,35)
  • quarta-feira (21): +4,15% (US$ 72,23)
  • semana: -1,54% (US$ 72,23)

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (19): -7,28% (US$ 66,35)
  • terça-feira (20): +1,28% (US$ 67,20)
  • quarta-feira (21): +4,61% (US$ 70,30)
  • semana: -1,39% (US$ 70,30)

Ouro (agosto)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -0,37% (US$ 1.809,20)
  • terça-feira (20): -0,02% (US$ 1.808,65)
  • quarta-feira (21): -0,47% (US$ 1.802,95)
  • semana: -0,86% (US$ 1.802,95)

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -2,64% (US$ 25,12)
  • terça-feira (20): -0,74% (US$ 24,96)
  • quarta-feira (21): +1,11% (US$ 25,27)
  • semana: -2,27% (US$ 25,27)

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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