Bolsa sobe 2,22% com Fed esvaziando apostas em alta mais agressiva da Selic

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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A bolsa de valores subiu 2,22%, para 116.549,44 pontos pontos, nesta quarta-feira (17). O índice brasileiro repercutiu a decisão do Fed de continuar com juros baixos por um longo tempos.

Isso fez com que se esvaziassem as apostas mais agressivas no Copom. O Banco Central divulga o resultado da reunião depois das 18h e a aposta é de que elevará o juro para 2,50%.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 113.428,1 pontos; e na máxima, 116.736,36 pontos.

O volume financeiro negociado foi de R$ 47,8 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (15): +0,60% (114.850,74 pontos)
  • terça-feira (16): -0,72% (114.018,78 pontos)
  • quarta-feira (17): +2,22% (116.549,44 pontos)
  • semana: +2,10%
  • março: +5,76%
  • 2021: -2,01%

Dólar

O dólar caiu 0,59% nesta quarta-feira (17), cotado a R$ 5,5861. A moeda americana reverteu a tendência de alta após o Fed confirmar que os juros nos EUA continuarão baixos por “mais dois ou três anos”, como disse Powell, o dólar se ajustou em baixa e o mercado cravou a aposta em um aumento de 50 pontos-base da Selic hoje, para 2,50%

O dólar também caiu forte ante moedas rivais e a maioria dos emergentes, favorecendo a queda ante o real. A poucas horas do Copom, foi um alívio, já que o câmbio tem ajudado a piorar as pressões inflacionárias. É verdade que o Fed não mudou as expectativas de alta da Selic, mas enfraqueceu apostas mais agressivas. O BC divulga o resultado da reunião depois das 18h e a aposta é de que elevará o juro para 2,50%.

  • segunda-feira (15): +1,44% a R$ 5,6395
  • terça-feira (16): -0,36% a R$ 5,6191
  • quarta-feira (17): -0,59% a R$ 5,5861
  • semana : +0,49% a R$ 5,5861

Brasil: ambiente político e econômico

Após sete meses de taxa básica de juros em seu piso histórico: 2%. E após seis anos de Selic em queda.

A grande a aposta é no aumento de 2% para 2,50% e até 2,75%. Mas há quem acredite em leve ajuste de 0,25 ponto porcentual, na crença de que o Banco Central está mais preocupado com a atividade fraca do país do que com a inflação. Entretanto, até mesmo estes esperam um comunicado mais forte do BC, sugerindo que vai acelerar o passo nas próximas reuniões, diante da aceleração da inflação e do aumento dos riscos internos e externos.

O que mais rolou no país:

  • O novo Marco do Gás pode ser votado nesta quarta-feira na Câmara dos Deputados. Também é aguardado para hoje ou amanhã (18) a votação sobre o veto presidencial ao novo Marco do Saneamento – que trata da renovação de contratos por até 30 anos com os prestadores de serviços atuais; para o governo, o veto a este ponto do marco acelera a entrada da iniciativa privada no setor.
  • Ontem, o país foi apresentado ao novo ministro da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, que chegou com discurso de manutenção da política de enfrentamento à pandemia do antecessor, Eduardo Pazuello. O que fez as ações ligadas ao turismo caírem ontem na bolsa. Com o país próximo a três mil mortes por dia, a Fiocruz afirmou que o Brasil vive seu maior colapso sanitário e hospitalar da história.
  • Em indicadores, o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, variou de 0,20% para 0,40% da primeira para a segunda leitura de março.

Destaques no Exterior

Nos EUA, não é aguardada mudança de juros, mas o mercado acompanhará bem de perto o que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, tem a dizer sobre a alta da inflação e dos rendimentos dos papéis do tesouro.

Ontem (16), o rendimento dos treasuries de 10 anos voltou a 1,62% no fim do dia, depois de arrefecer com dados mais fracos de vendas no varejo e na produção industrial americana.

A alta nos rendimentos destes papéis vem ligando o alerta quanto à inflação e um aumento mais rápido do que o esperado dos juros básicos, o que atrapalharia a recuperação da economia pós-Covid. Até aqui, os juros seriam mantidos os mesmos até 2023.

Some-se a este cenário a recuperação econômica mais rápida, o pacote de auxílio de US$ 1,9 trilhão de Joe Biden e o bom andamento da vacinação no país.

Joe Biden foi entrevistado hoje pela ABC e afirmou que haverá reajuste de impostos para os que recebem acima de US$ 400 mil no ano. Na reforma tributária planejada pelo presidente dos EUA, ele diz que vai cumprir a promessa que fez durante a campanha sobre lidar com a desigualdade no país. Além disso, os ganhos acima de US$ 1 milhão anuais também estão na mira da Casa Branca, diz o BDM Online.

No mercado de ações, especificamente, tal realidade vem ocasionando uma migração dos ativos de empresas de tecnologia para aqueles das empresas que mais sofreram durante a pandemia e as dos setores cíclicos. No longo prazo, com o aumento dos juros, isso pode significar uma migração mais acentuada para a renda fixa, em detrimento da renda variável.

Os EUA também acompanham as discussões ainda iniciais sobre um novo pacote trilionário, agora para a infraestrutura. Ele viria acompanhado de aumento de impostos para empresas e pessoas de alta renda.

Ontem à noite, o governo de Joe Biden aplicou novas sanções contra 24 autoridades chinesas acusadas pelos EUA de terem minado a autonomia de Hong Kong, o que amplia o conflito pela governança da região, onde os Estados Unidos têm grande interesse comercial.

Vacinas na Europa

Na Europa, seguem as análises quanto à segurança ou não do uso da vacina AstraZeneca/Oxford, depois de relatos de casos de coágulo sanguíneo. Diversos países suspenderam o uso do imunizante, atrasando ainda mais o calendário de vacinação, que já sofria com demora na produção.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Europeia de Medicamentos alertam que a vacina traz mais benefícios do que riscos e que o melhor a fazer é dar continuidade à imunização. No Brasil, a Anvisa afirmou que não houve qualquer relato do gênero – vale lembrar que esta vacina e a Coronavac são as duas únicas em uso no país.

O Índice de Preços ao Consumidor da zona do euro subiu 0,9 em fevereiro na comparação anual, dentro da projeção do mercado. Na comparação mensal, a alta é de 0,2%.

Mercados Nova York

  • S&P: +0,29%
  • Nasdaq: +0,40%
  • Dow Jones: +0,58%

Mercados Europa

  • DAX, Alemanha: +0,27%
  • FTSE, Reino Unido: -0,60%
  • CAC, França: -0,01%
  • FTSE MIB, Itália: +0,08%
  • Stoxx 600: -0,45%

Mercados Ásia

  • Nikkei, Japão: -0,02%
  • Xangai, China: -0,03%
  • HSI, Hong Kong: +0,02%
  • ASX 200, Australia: -0,47%
  • Kospi, Coreia: -0,64%

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, apenas 9 não subiram em relação à sessão anterior.

As maiores perdas foram Hapvida (HAPV3, -2,39%) e Notre Dame (GNDI3, -1,43%), que anunciaram fusão recentemente.

Por outro lado, a maior alta foi da Sulamérica (SULA11), que disparou 9,87%.

Mais negociadas

  • Cielo (CIEL3): R$ 3,66 (+5,78%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 24,08 (+3,44%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,99 (+4,17%)
  • Cogna (COGN3): R$ 4,12 (+3,78%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 23,94 (-0,87%)

Maiores altas

  • Sulamérica: R$ 35,83 (+9,87%)
  • JHSF (JHSF3): R$ 7,20 (+7,62%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 95,29 (+7,37%)
  • Rumo (RAIL3): R$ 20,57 (+7,14%)
  • Cyrela (CYRE3): R$ 25,35 (+6,07%)

Maiores baixas

  • Hapvida (HAPV3): R$ 15,54 (-2,39%)
  • NotreDame (GNDI3): R$ 85,04 (-1,43%)
  • Eneva (ENEV3): R$ 16,72 (-0,95%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 18,37 (-0,92%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 23,94 (-0,87%)

Petróleo

  • Brent (maio 2021): US$ 68,00 (-0,57%)
  • WTI (abril 2021): US$ 64,60 (-0,36%)