Bolsa fecha em queda de 0,54%, com tensão fiscal

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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A bolsa de valores caiu 0,54% nesta sexta-feira (9), pressionada pela determinação pelo STF de abertura de CPI no Senado para investigar gestão do governo na pandemia, impasse em torno do Orçamento de 2021 e aversão ao risco vinda do exterior. O Ibovespa encerrou o pregão com 117.669,90 pontos.

Além disso, o desempenho de hoje foi um ajuste típico de sexta-feira e após dois pregões consecutivos de altas.

Na mínima, o Ibovespa recuou 0,82%, aos 117.336 pontos, e, na máxima, subiu 0,28%, aos 118.643 pontos.

O volume financeiro agregado totalizou R$ 25,81 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (5): +1,97% (117.518,44 pontos)
  • terça-feira (6): -0,02% (117.498,87 pontos)
  • quarta-feira (7): +0,11% (117.623,58 pontos)
  • quinta-feira (8): +0,59% (118.313,23 pontos)
  • sexta-feira (9): -0,54% (117.669,90 pontos)
  • semana: +2,11%
  • abril: +0,90%
  • 2021: -1,12%

Dólar

O dólar despencou nesta quinta. A moeda norte-americana caiu 1,23%, valendo R$ 5,5742.

  • segunda-feira (5): -0,62% a R$ 5,6798
  • terça-feira (6): -1,41% a R$ 5,5998
  • quarta-feira (7): +0,78% a R$ 5,6434
  • quinta-feira (8): -1,23% a R$ 5,5742
  • sexta-feira (9): +1,81% a R$ 5,6749
  • semana : -0,67% a R$ 5,5742

Euro

  • segunda-feira (5): -0,36% a R$ 6,6888
  • terça-feira (6): -0,75% a R$ 6,6386
  • quarta-feira (7): +0,66% a R$ 6,6823
  • quinta-feira (8): +0,66% a R$ 6,6823
  • sexta-feira (9): +1,72% R$ 6,754
  • semana: +1,27% a R$ 6,754

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, discursou em evento do Fundo Monetário Internacional (FMI) e tranquilizou o mercado ao afirmar que não vê uma retomada persistente da inflação no curto prazo a ponto de exigir mudanças na política monetária.

Ele disse ainda que a recuperação do país é desigual e incompleta. E que o desemprego segue como seu “pior pesadelo”. Para Powell, é preciso mais meses para confirmar a recuperação do mercado de trabalho apontada pelo último payroll, que veio bem acima da projeção.

Os novos pedidos de seguro-desemprego revelaram uma inesperada alta nas reivindicações, resultado em linha com o que disse Powell.

Em indicadores, a produção industrial da Alemanha, principal economia europeia, surpreendeu negativamente. Em fevereiro, ela recuou 1,6%, quando o mercado aguardava um aumento de 1,5%.

Nos EUA, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 1% em março, acima da previsão de alta de 0,4%. O núcleo do IPP subiu 0,7%, ante consenso de 0,2%. O resultado pressionada os rendimentos dos papéis do tesouro e as expectativas de inflação.

Nova York

  • S&P: +0,77%
  • Nasdaq: +0,51%
  • Dow Jones: +0,89%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,08%
  • DAX (Alemanha): +0,21%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,38%
  • CAC (França): +0,06%
  • FTSE MIB (Itália): -0,60%

Ásia

  • Shanghai (China): -0,92%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -1,07%
  • Nikkei (Japão): +0,20%
  • ASX 200 (Austrália): -0,05%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,36%

Brasil: ambiente político e econômico

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a leitura no Planalto é de que a CPI da Covid levará Bolsonaro a querer preservar mais emendas na sanção do Orçamento para agradar os parlamentares.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou o ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), por determinar que o Senado Federal abra uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre as ações do governo federal na pandemia sobre o novo coronavírus.

Bolsonaro fez um paralelo entre a postura do Supremo em relação a uma campanha pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Ele disse que “falta coragem moral” e “sobra imprópria militância política” a Barroso. Além disso, reclamou que a decisão não inicia uma investigação sobre as ações de governadores.

O destaque do dia é a inflação, com a divulgação de dois indicadores de peso: IPCA, inflação oficial, e IGP-M, que reajusta os aluguéis.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do país, fechou o mês de março com alta de 0,93%. O resultado representa a maior alta do índice desde 2015. No entanto, ele ficou abaixo da projeção do mercado, que era de alta de 1% no mês. Em fevereiro, o indicador havia variado 0,86%. No ano, o IPCA acumula alta de 2,05% no ano.

Nos últimos 12 meses, o avanço do IPCA é de 6,10%. Ou seja, acima do intervalo de tolerância da meta do Banco Central, que é 5,25%. O resultado do IPCA impacta nas decisões da Selic, taxa básica de juros. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir Selic acontece em maio e é aguardado um novo aumento de 0,75 ponto porcentual para a taxa.

Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da FGV, que reajusta o aluguel, variou 0,50% na primeira prévia de abril. O consenso era 1,91%. No mesmo período de março, o índice havia registrado alta de 1,95%. Com o resultado, o índice chega a 8,8% no ano e 30,70% em 12 meses.

Há expectativa do mercado também quanto a algum avanço em relação ao Orçamento de 2021. Em evento ontem (8), o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que não há disputa política entre Congresso e equipe econômica. E que já há entendimentos a caminho. A expectativa é que haja veto do presidente a emendas parlamentares que comprometam os gastos obrigatórios e, consequentemente, o cumprimento da meta fiscal. O presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 22 de abril para assinar a peça, com vetos ou não.

Segue hoje a Infra Week, com leilão de portos.

Por fim, o Supremo Tribunal Federal impôs ao Senado uma CPI da Covid, para investigar atos do governo que possam ter intensificado a crise sanitária. Alguns congressistas, alinhados ao governo, criticaram a decisão monocrática do ministro Luís Roberto Barroso, afirmando que a CPI é inoportuna e servirá de palanque para 2022.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 26 subiram e as outras 55 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Via Varejo (VVAR3): R$ 12,46 (-3,56%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,73 (+0,13%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 21,69 (-0,73%)
  • Cogna (COGN3): R$ 4,12 (+1,73%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,27 (+0,12%)

Maiores altas

  • CSN (CSNA3): R$ 43,13 (+4,94%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 19,22 (+3,50%)
  • Iguatemi (IGTA3): R$ 37,09 (+3,06%)
  • MRV (MRVE3): R$ 18,63 (+3,04%)
  • Sabesp (SBSP3): R$ 43,01 (+2,77%)

Maiores baixas

  • Via Varejo (VVAR3): R$ 12,46 (-3,56%)
  • GPA (PCAR3): R$ 33,64 (-3,42%)
  • Carrefour (CRFB3): R$ 22,98 (-2,71%)
  • Ultrapar (UGPA3): R$ 20,50 (-2,19%)
  • Lojas Renner (LREN3): R$ 41,52 (-2,14%)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 62,95 (-0,40%)
  • WTI (para maio): US$ 59,32 (-0,47%)
  • Ouro (junho): US$ 1.745,20 (-0,74%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC