Bolsa fecha em baixa 1,13% em linha com NY; dólar sobe a R$ 5,38

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução/Facebook/B3

A bolsa brasileira fechou nesta quinta-feira (28) com baixa de 1,13%, chegando a 86.949,09 (ontem eram 87.946,25 pontos), seguindo a baixa leve dos índices em Wall Street. O volume financeiro negociado foi de R$ 23,877 bilhões.

Na mínima, o índice ficou em 86.766,92 pontos (-1,34%), e na máxima, chegou a passar dos 88 mil, com 88.090,67 pontos (+0,16%).

Na semana, o Ibovespa ainda acumula alta, mas agora de 5,81%. No mês de maio, a alta é de 8,00%. No ano, as perdas estão acumuladas em 24,81%.

O dólar reverteu a trajetória de queda desta semana e subiu 1,97%, fechando a R$ 5,3832, principalmente pelas expectativas do presidente norte-americano Dolnald Trump anunciar medidas contra a China nesta sexta-feira (29).

Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), concedeu entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (28) e falou sobre as declarações desta manhã do presidente Jair Bolsonaro sobre as ações da Polícia Federal (PF), a mando do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ontem, a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em endereços de blogueiros e empresários aliados do presidente acusados de alimentar e financiar uma rede de notícias falsas que atacam os poderes Legislativo e Judiciário.

Na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro declarou que “ordens absurdas não se cumprem”.

“Não dá para admitir mais atitudes de certas pessoas individuais, tomadas de forma quase que pessoais certas ações”, disse ele.

Maia então comentou: “Uma coisa é o que o presidente fala e outra o que faz”. Para ele, declarações como a de Bolsonaro “afastam o investidor estrangeiro do Brasil”.

Crise política mais acentuada

Bolsonaro praticamente declarou “guerra” ao Judiciário.

O ministro da Justiça, André Mendonça, entrou com habeas corpus no STF na tentativa de impedir o depoimento do ministro da Educação, Abraham Weintraub, no mesmo inquérito – vale lembrar que, na reunião ministerial de 22 de abril, Weintraub chamou os ministros do STF de “vagabundos que deveriam estar presos”.

O ministro da Justiça pediu também a extensão do habeas corpus para os demais alvos da investigação. Críticos apontam que a defesa de Weintraub caberia à Advocacia-geral da União (AGU), antigo cargo de Mendonça, e a defesa dos demais citados no inquérito não caberia nem à AGU, nem ao Ministério da Justiça.

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Já o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao ministro Edson Fachin, do STF, a suspensão do inquérito das fake news, não visualizando crimes nas acusações.

Indicadores econômicos pioram

Na questão econômica, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) apontou taxa de desemprego de 12,6% no trimestre até abril. A projeção indicava uma leitura maior, de 13,2%.

O Tesouro Nacional divulgou também um rombo histórico nas contas do governo. Só em abril, foram R$ 92,9 bilhões.

Exterior

O mundo volta a olhar para as movimentações de Estados Unidos e China.

O principal assessor econômico do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse hoje que poderá ser necessário tratar Hong Kong como a China, no que diz respeito ao comércio e a outras questões financeiras.

O gigante asiático aprovou uma lei que acabaria com a autonomia da cidade.

Nesta sexta-feira (29), Trump marcou coletiva de imprensa para tratar do assunto.

“Se a resposta de HK envolver amplas sanções contra indivíduos ou entidades, isso seria um problema maior e não algo facilmente descartável”, disse Adam Crisafulli, da Vital Knowledge, em nota, publicada pela CNBC. As avaliações de ações são “muito altas em geral e não deixam margem para erros, enquanto os investidores não estão prestando atenção suficiente ao aumento das tensões EUA-China”.

Nova York

As ações começaram subindo nesta quinta-feira, mas perderam a gordura no decorrer do dia e fecharam em queda, com Dow Jones a menos 0,58%, Nasdaq a menos 0,46% e S&P 500 a menos 0,21%.

O mercado até reagiu bem ao anúncio do Departamento do Trabalho norte-americano de que outros 2,1 milhões de americanos entraram com pedido de seguro-desemprego na semana passada.

Isso é mais do que uma estimativa da Dow Jones, de 2,05 milhões, mas é menos do vinha ocorrendo nas últimas semanas. O ritmo de novos registros caiu e isso empolgou o mercado, mostrando que talvez a pandemia já possa ter passado pelo seu pior estágio. Os pedidos caíram quase 4 milhões, em seu primeiro declínio desde o surto de coronavírus.

O problema veio depois, com o problema entre China e Hong Kong, que pode acirrar um embate entre as duas maiores potências econômicas do mundo.

As maiores baixas vieram de empresas de software, varejistas, bancos e energia. O Citigroup, por exemplo, caiu 5,9%; enquanto o Bank Of America, despecnou 4,3%. Facebook e Netflix, gigantes da comunicação, tecnologia e entretenimento, perderam mais de 1%.

  • S&P 500: -0,23%
  • Nasdaq: -0,46%
  • Dow Jones: -0,58%

Bolsa: ações

Das 75 ações negociadas na bolsa, apenas 21 tiveram alta, 53 recuaram e 1 manteve-se estável.

As maiores quedas vieram de setores de shoppings centers e educação, que esperavam uma reabertura mais robusta da economia em São Paulo, algo que o prefeito Bruno Covas (PSDB) não comprovou. Apesar das medidas anunciadas por João Doria (PSDB), governador do estado, no dia anterior, a abertura será mais burocrática do que o esperado.

Mais negociadas

  • ViaVarejo (VIAR3): R$ 12,58 (+3,28%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 19,77 (-0,80%)
  • Vale (VALE3): R$ 50,09 (-1,09%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 65,25 (-3,31%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 19,10 (-2,25%)

Maiores altas

  • IRB (IRBR3): R$ 8,13 (+5,58%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 6,00 (+5,26%)
  • Braskem (BRKM5): R$ 29,00 (+5,07%)
  • ViaVarejo (VVAR3): R$ 12,58 (+3,28%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 13,53 (+2,04%)

Maiores baixas

  • Iguatemi (IGTA3): R$ 32,93 (-6,40%)
  • Multiplan (MULT3): R$ 21,30 (-5,50%)
  • YUDQS (YDUQ3): R$ 28,51 (-5,28%)
  • MRV (MRVE3): R$ 15,75 (-5,23%)
  • BR Malls (BRML3): R$ 9,95 (-4,88%)

Commodities

O petróleo fechou a quinta com alta nas duas referências, refletindo a expectativa de retomada da demanda, especialmente da gasolina, enquanto os países reabrem.

No final do dia, surgiu a informação de que a Rosneft, do governo russo, não tem petróleo suficiente para enviar aos compradores com os quais mantém acordos de fornecimento de longo prazo, dificultando a continuidade dos cortes de petróleo recordes além de junho.

  • WTI: US$ 33,71 (+2,74%)
  • Brent: US$ 36,03 (+1,63%)

O ouro encerrou o dia em pequena alta de 0,15%, no embalo da volatilidade do mercado e da aprovação da lei chinesa sobre a autonomia de Hong Kong, que deve trazer mais conflitos entre EUA e China.

  • Ouro: US$ 1.713,30 (+0,15%)

Com Wisir Research