Bolsa fecha com menos 0,87% e volta a ter uma semana negativa

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
1

Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores encerrou esta sexta-feira (23) com menos 0,87%, fechando a semana como começou e voltando a ter um acumulado negativo em cinco sessões: a semana fechou com menos 0,72%. O Ibovespa acabou com 125.052,78 pontos.

O movimento na bolsa brasileira foi no sentido contrário dos principais índices de Nova York e europeus, que terminara a semana comemorando as sólidas altas conseguidas por lá.

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

Dados prévios da inflação no Brasil vieram piores do que o esperando, projetando uma possível nova alta da Selic em vista de aumentos de preços mais fortes.

Lá fora, enquanto o mercado espera ansiosamente a reunião de política monetária do Federal Reserve (o banco central norte-americano), dados econômicos da zona do euro vieram acima das projeções, soprando um vento de frescor e alívio em uma zona da economia que vem lutando contra a Covid-19 e a nova variante delta, originada na Índia.

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a pira olímpica foi finalmente acesa. O mundo ainda não voltou ao normal, mas Tóquio 2020 (em 2021) mostra que o pior já passou, que ainda é preciso ficar atento ao avanço do vírus e que, enfim, há esperança.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 124.568,28 pontos (-1,25%); e na máxima, 126.203,87 pontos (+0,04%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 20,600 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (19): -1,24% (124.394,57 pontos)
  • terça-feira (20): +0,81% (125.401,36 pontos)
  • quarta-feira (21): +0,42% (125.929,25 pontos)
  • quinta-feira (22): +0,17% (126.146,66 pontos)
  • sexta-feira (23): -0,87% (125.052,78 pontos)
  • semana: -0,72%
  • julho: -1,38%
  • 2021: +5,05%

Juros

  • D1F22: +0,24 p.p. para 6,05%
  • D1F23: +0,29 p.p. para 7,49%
  • D1F24: +0,26 p.p. para 8,04%
  • D1F25: +0,21 p.p. para 8,32%
  • D1F26: +0,16 p.p. para 8,50%
  • D1F27: +0,15 p.p. para 8,70%
  • D1F28: +0,14 p.p. para 8,84%
  • D1F29: +0,12 p.p. para 8,96%
  • D1F30: +0,10 p.p. para 9,07%
  • D1F31: +0,07 p.p. para 9,17%

Dólar

O dólar continua na gangorra e nesta quinta subiu. A moeda norte-americana ganhou 0,41% e passou a valer R$ 5,2130.

  • segunda-feira (19): +2,64% a R$ 5,2506
  • terça-feira (20): -0,37% a R$ 5,2311
  • quarta-feira (21): -0,76% a R$ 5,1916
  • quinta-feira (22): +0,41% a R$ 5,2130
  • sexta-feira (23): -0,05% a R$ 5,2105
  • semana: +1,87%

Euro

  • segunda-feira (19): +2,62% a R$ 6,1962
  • terça-feira (20): -0,76% a R$ 6,1492
  • quarta-feira (21): -0,52% a R$ 6,1170
  • quinta-feira (22): +0,06% a R$ 6,1208
  • sexta-feira (23): +0,17% a R$ 6,1310
  • semana: +1,54%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +2,02% a R$ 168.451,59
  • Ethereum: +2,20% a R$ 10.572,35
  • Tether: +1,90% a R$ 5,21
  • Cardano: -0,47% a R$ 6,05
  • Binance: -1,10% a R$ 1.488,33

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

O S&P 500 conseguiu um novo recorde nesta sexta, como exemplo de que os investidores andam passando por cima das preocupações sobre o avanço da variante delta.

O rendimento do Tesouro de 10 anos subiu para 1,285%, aliviando as preocupações sobre a economia que o mercado de títulos desencadeou na queda expressiva de segunda-feira (19).

“Esperamos que os mercados permaneçam instáveis, mas falta uma justificativa fundamental para vendas mais agressivas”, escreveram os estrategistas do Barclays em uma nota aos clientes, reproduzida pela CNBC. “Na verdade, a forte recuperação desde terça-feira mostra que os espíritos estão intactos”.

O mercado de ações em geral foi impulsionado por uma forte temporada de balanços, com quase um quarto do S&P 500 já relatado – e bem. Dessas empresas, 88% relataram uma surpresa positiva, de acordo com a FactSet. É a maior porcentagem de dados positivos relatada no S&P desde 2008 se esse número se mantiver durante a temporada de balanços.

Já o Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) da zona do euro teve resultados acima das projeções.

O PMI Industrial de julho ficou em 62,6, quando o mercado aguardava 62,5 pontos. O PMI de serviços ficou em 60,4, quando a expectativa era por 59,5. E o composto (que une indústria e serviços) ficou em 60,6, acima da projeção de 60 pontos.

Pontuações acima de 50 indicam aceleração da atividade, ao passo que leituras menores indicam retração.

Comentando sobre os resultados, Chris Williamson, Economista-Chefe da IHS Markit afirmou que a zona do euro está passando por um surto de crescimento no verão, com o afrouxamento das restrições de combate à Covid-19, graças à vacinação, impulsionando o crescimento mais rápido de 21 anos. O setor de serviços, em particular, está aproveitando o momento.

“Atrasos na cadeia de abastecimento continuam sendo uma grande preocupação para a indústria, elevando os custos das empresas, o que leva a um aumento quase recorde na média de preços de venda de bens e serviços as consumidores ainda nos próximos meses”, disse.

A Europa tenta se equilibrar entre a necessidade e possibilidade de abertura econômica e a previsão de novas restrições para tentar conter a variante delta, que vem contabilizando novos doentes, especialmente na Inglaterra e na Alemanha.

Nova York (sexta-feira)

  • S&P: +1,01%
  • Nasdaq: +1,04%
  • Dow Jones: +0,68%

Nova York (semana)

  • S&P: +1,95%
  • Nasdaq: +2,83%
  • Dow Jones: +1,08%

Europa (sexta-feira)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +1,23%
  • DAX (Alemanha): +1,00%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,85%
  • CAC (França): +1,35%
  • IBEX 35 (Espanha): +1,11%
  • FTSE MIB (Itália): +1,29%

Europa (semana)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +1,82%
  • DAX (Alemanha): +0,83%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,28%
  • CAC (França): +1,68%
  • IBEX 35 (Espanha): +2,48%
  • FTSE MIB (Itália): +1,34%

Ásia e Oceania (sexta-feira)

  • Shanghai (China): -0,68%
  • SZSE Component (China): -1,53%
  • China A50 (China): -1,30%
  • DJ Shanghai (China): -0,73%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -1,50%
  • SET (Tailândia): -0,47%
  • Nikkei (Japão): feriado
  • ASX 200 (Austrália): +0,11%
  • Kospi (Coreia do Sul): +0,13%

Ásia e Oceania (semana)

  • Shanghai (China): +0,31%
  • SZSE Component (China): +0,38%
  • China A50 (China): -1,28%
  • DJ Shanghai (China): +0,19%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): -2,44%
  • SET (Tailândia): -1,86%
  • Nikkei (Japão): feriado
  • ASX 200 (Austrália): +0,63%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,69%

Brasil: ambiente político e econômico

Puxado pela alta de 4,79% da energia elétrica, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, ficou em 0,72% em julho.

O mercado projetava resultado inferior, de 0,64%. Ainda assim, houve recuo na comparação com junho, quando a leitura foi de 0,83%. Mas esta é a maior alta para o mês desde 2004, quando atingiu 0,93%.

No ano, o índice acumula alta de 4,88% e, em 12 meses, de 8,59%.

A aceleração em julho se deve ao reajuste de 52% no valor adicional da bandeira tarifária da energia elétrica, basicamente causada pela estiagem e reservatórios abaixo do crítico, o que fez o governo federal contratar termoelétricas, de custo mais caro. Quem paga a conta é o consumidor final.

Já o ambiente político no Brasil segue à flor da pele, ao arrepio da língua do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Mas nesta sexta, houve certa tranquilidade, sem atritos.

O Congresso Nacional segue em recesso, a miniorreforma ministerial já foi digerida pelos agentes de mercado e as ameaças do governo federal à estabilidade democrática carecem de novos capítulos para se entender a dimensão e as possibilidades de realizar as intenções sombrias.

Nesse intervalo, os investidores podem olhar para os negócios sem sobressaltos.

Na última terça-feira (20), foi aberta a temporada de balanços do segundo trimestre de 2020. Neoenergia (NEOE3) e Romi (ROMI3) divulgaram seus números e as duas companhias viram seus lucros crescerem consideravelmente. Respectivamente, as altas foram de 137% e 277,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Na próxima semana, porém, é que a divulgação de balanços se intensificará. Grandes nomes como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e Ambev (ABEV3) têm suas publicações agendadas.

E o provável é que os números continuem apresentando grandes diferenças na comparação com a base anual. O consenso do mercado é que a receita líquida do Ibovespa avance 31%, o EBITDA, 70% e lucro líquido, 254%.

“Os balanços do segundo trimestre deverão ser extremamente bons para a maior parte das companhias por causa da base muito fraca de comparação”, explica Aline Cardoso, gestora da EQI Asset.

No ano passado, o período que vai de abril a junho foi marcado pelas medidas de restrição impostas por vários estados brasileiros para conter a propagação da Covid-19. Boa parte do estado de São Paulo, por exemplo, ficou na chamada “fase vermelha”, a mais restritiva, de meados de março até o fim de agosto. “O pico de restrições à mobilidade foi no segundo trimestre de 2020 e, por isso, a maior parte das empresas deve ter mais de 100% de crescimento de lucro”, explica Cardoso.

Mas a pandemia ainda vai ser sentida por um tempo.

O principal problema das indústrias no segundo trimestre de 2021 ainda foi a falta e o alto custo das matérias-primas. De acordo com a pesquisa Sondagem Industrial, divulgada nesta sexta-feira (23) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), os efeitos da pandemia têm impactado a oferta de insumos para o setor. O problema é mencionado por 68,3% das indústrias pesquisadas.

A elevada carga tributária (34,9%) e a taxa de câmbio (23,2%) estão entre os principais entraves enfrentados pelo setor no país.

Conforme a CNI, também houve aumento nos preços das matérias-primas, mesmo que em um ritmo mais lento. O índice caiu no trimestre, mas permanece acima da linha de 50 pontos e está entre os maiores da série com 74,1 pontos. Indicadores abaixo de 50 pontos mostram preços abaixo do planejado. Acima desse valor, estão acima do previsto.

Em junho, o indicador de estoque efetivo em relação ao planejado pelas empresas registrou 48,7 pontos. O número fica abaixo da linha de 50 pontos, que indica que os estoques estão alinhados ao planejado pelas empresas. A distância para o planejado foi maior em junho se comparado aos meses de abril e maio. No período, os índices foram de 49,6 e 49,2 pontos, respectivamente.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 14 subiram e 70 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 114,12 (-0,51%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 26,74 (-0,59%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 23,95 (-1,03%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 22,60 (-2,80%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 29,02 (-0,27%)

Maiores altas

  • Hypera (HYPE3): R$ 36,27 (+3,65%)
  • Usiminas (USIM5): R$ 20,20 (+1,41%)
  • Locamerica (LCAM3): R$ 29,67 (+1,06%)
  • Minerva (BEEF3): R$ 9,44 (+0,85%)
  • BB Seguridade (BBSE3): R$ 22,00 (+0,64%)

Maiores baixas

  • Braskem (BRKM5): R$ 58,93 (-5,56%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 33,91 (-3,56%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 22,60 (-2,80%)
  • Americanas (AMER3): R$ 55,98 (-2,64%)
  • CVC (CVCB3): R$ 24,24 (-2,61%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,83% (sexta-feira) | -0,58% (semana) (54.231,01 pontos)
  • IBrX 50: -0,77% (sexta-feira) | -0,46% (semana) (21.095,86 pontos)
  • IBrA: -0,84% (sexta-feira) | -0,57% (semana) (5.109,91 pontos)
  • SMLL: -0,99% (sexta-feira) | -0,76% (semana) (3.083,62 pontos)
  • IFIX: -0,21% (sexta-feira) | -0,46% (semana) (2.828,23 pontos)
  • BDRX: +0,90% (sexta-feira) | +3,85% (semana) (13.579,04 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (setembro)/barril

  • segunda-feira (19): -6,75% (US$ 68,62)
  • terça-feira (20): +1,06% (US$ 69,35)
  • quarta-feira (21): +4,15% (US$ 72,23)
  • quinta-feira (22): +2,16% (US$ 73,79)
  • sexta-feira (23): +0,42% (US$ 74,10)
  • semana: +1,04%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (19): -7,28% (US$ 66,35)
  • terça-feira (20): +1,28% (US$ 67,20)
  • quarta-feira (21): +4,61% (US$ 70,30)
  • quinta-feira (22): +2,29% (US$ 71,91)
  • sexta-feira (23): +0,22% (US$ 72,07)
  • semana: +1,12%

Ouro (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -0,37% (US$ 1.809,20)
  • terça-feira (20): -0,02% (US$ 1.808,65)
  • quarta-feira (21): -0,47% (US$ 1.802,95)
  • quinta-feira (22): +0,12% (US$ 1.804,40)
  • sexta-feira (23): -0,20% (US$ 1.804,40)
  • semana: -0,74%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (19): -2,64% (US$ 25,12)
  • terça-feira (20): -0,74% (US$ 24,96)
  • quarta-feira (21): +1,11% (US$ 25,27)
  • quinta-feira (22): +0,79% (US$ 25,45)
  • sexta-feira (23): -0,58% (US$ 25,23)
  • semana: -2,06%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3