Bolsa fecha com menos 0,12%, em dia de muita volatilidade, inflação nos EUA e Bolsonaro

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores fechou com uma ligeira perda de 0,12% nesta quarta-feira (11), ficando com 122.056,34 pontos, após uma queda mais forte durante o dia e uma aliviadora recuperação na segunda metade da sessão, que acompanhou a alta em Nova York. Por lá, mais uma vez, o Dow Jones e o S&P 500 ficaram no positivo e o Nasdaq, no vermelho.

A sessão foi influenciada por comentários do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

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Bolsonaro não quer que o imposto seja cobrado sobre o valor da bandeira vermelha da energia elétrica e criticou os governadores pela cobrança, dizendo que ele, Bolosonaro, é que seria o maior prejudicado, referindo-se ao desgaste político.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, a inflação deu um sossego aos temores dos agentes do mercado, o que ajudou no bom humor no Hemisfério Norte e compensou a fala do presidente brasileiro.

O Brasil ainda viu a possibilidade de cessar, pelo menos até 2022, os embates fora da liturgia entre o Executivo e o Judiciário, por conta da urna eletrônica. Essa era a esperança de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados e aliado do presidente. Ontem, o governo Jair Bolsonaro sofreu uma derrota na questão do voto impresso. A Câmara dos Deputados arquivou a matéria por 218 contra e 229 deputados a favor. Para dar prosseguimento, era preciso o apoio de 308 deputados.

O governo perdeu, mas mostrou que tem uma base sólida, que o apoia até mesmo em questões sem sentido como essa.

Entretanto, logo cedo, Boslonaro foi ao cercadinho e seguiu derramando teorias conspiratórias sem provas contra a urna eletrônica e as eleições do ano que vem. Lira – e o país – seguem preocupados, de ouvidos atentos.

Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 120.826,92 pontos (-1,13%); e na máxima, 122.755,97 pontos (+0,45%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 28,900 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (9): +0,17% (123.019,38 pontos)
  • terça-feira (10): -0,66% (122.202,47 pontos)
  • quarta-feira (11): -0,12% (122.056,34 pontos)
  • semana: -0,61%
  • agosto: +0,21%
  • 2021: +2,55%

Juros

  • D1F22: +0,06 p.p. para 6,55%
  • D1F23: +0,09 p.p. para 8,17%
  • D1F24: +0,11 p.p. para 8,80%
  • D1F25: +0,11 p.p. para 9,12%
  • D1F26: +0,10 p.p. para 9,31%
  • D1F27: +0,12 p.p. para 9,52%
  • D1F28: +0,01 p.p. para 9,57%
  • D1F29: +0,12 p.p. para 9,79%
  • D1F30: -0,04 p.p. para 9,80%
  • D1F31: +0,08 p.p. para 9,98%

Dólar

O dólar voltou a avançar nesta quarta. A moeda norte-americana ganhou 0,47% e passou a valer R$ 5,2212.

  • segunda-feira (9): +0,21% a R$ 5,2473
  • terça-feira (10): -0,96% a R$ 5,1967
  • quarta-feira (11): +0,47% a R$ 5,2212
  • semana: -0,28%

Euro

  • segunda-feira (9): -0,14% a R$ 6,1421
  • terça-feira (10): -0,99% a R$ 6,0811
  • quarta-feira (11): +0,91% a R$ 6,1365
  • semana: -0,22%

Criptomoedas*

  • Bitcoin: +4,27% a R$ 243.721,67
  • Ethereum: +5,50% a R$ 17.022,57
  • Tether: +1,88% a R$ 5,23
  • Cardano: +20,17% a R$ 9,81
  • Binance: +10,82% a R$ 2.109,37

*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)

Bolsa em Nova York e cenário mundial

As ações em Wall Street seguiram a mesma regra dos últimos dias: subiram, com exceção às que forma o Nasdaq.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,5% em julho ante junho, dentro do consenso, o que aliviou os agentes do mercado.

Na comparação com julho de 2020, a alta foi de 5,4%, ante projeção de 5,3%.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e combustíveis, subiu 0,3%, ante projeção de 0,4%. Na comparação anual, a alta é de 4,3%, dentro do esperado e abaixo dos 4,5% da leitura de junho.

Amanhã (12) sai a inflação para o produtor dos EUA. Dados de inflação acima da expectativa podem aumentar as apostas de antecipação do tapering (retirada de estímulos) e da alta dos juros antes do inicialmente previsto pelo Federal Reserve (Fed).

Os investidores estão se concentrando no núcleo da inflação, o que pode sinalizar que a inflação continuará moderada e a economia continuará forte.

“É encorajador ver o ritmo moderando um pouco mês a mês, apoiando a noção de que os aumentos de preços recentes são transitórios e relacionados à reabertura”, disse à CNBC Mike Loewengart, diretor-gerente de estratégia de investimento da E * TRADE Financial. “Assim, embora a inflação continue a subir, é provável que os investidores já tenham custeado seu valor”.

A leitura da inflação apoiou a crença do Federal Reserve de que as altas pressões sobre os preços são “transitórias” à medida que a economia se recupera da recessão desencadeada pela pandemia.

O rendimento do Tesouro de 10 anos caiu em meio ao relatório de inflação, bem como a um forte leilão. O declínio nas taxas acelerou depois que o presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, disse à CNBC que o Fed deveria começar a reduzir seus programas de compra de títulos em outubro.

Na Europa, os principais índices também fecharam no positivo, embora tenham perdido fôlego com o mau humor nos mercados da Ásia-Pacífico.

A inflação alemã ficou em 3,8% no ano e 0,9% no mês de julho. A inflação sazionalizada foi de 3,1% e 0,5%, respectivamente.

Nova York

  • S&P 500: +0,25%
  • Nasdaq: -0,16%
  • Dow Jones: +0,62%

Europa

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,44%
  • DAX (Alemanha): +0,35%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,83%
  • CAC (França): +0,55%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,86%
  • FTSE MIB (Itália): +0,98%

Ásia e Oceania

  • Shanghai (China): +0,08%
  • SZSE Component (China): -0,24%
  • China A50 (China): -0,63%
  • DJ Shanghai (China): +0,01%
  • Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,20%
  • SET (Tailândia): -0,64%
  • Nikkei (Japão): +0,65%
  • ASX 200 (Austrália): +0,29%
  • Kospi (Coreia do Sul): -0,70%

Brasil: ambiente político e econômico

A crise energética no país segue gerando inflação e agindo negativamente no bolso dos brasileiros, do setor produtivo aos mais vulneráveis.

Mas a preocupação de Bolsonaro parece ser outra. Pelo menos é o que dá a entender, diante de suas declarações.

Hoje, em evento da assinatura da Medida Provisória (MP) que permite a venda direta de etanol para os postos de combustível, Bolsonaro afirmou não querer que o ICMS seja cobrado sobre o valor da bandeira vermelha da energia elétrica e criticou os governadores pela cobrança, dizendo que ele, Bolosonaro, é que seria o maior prejudicado.

“O ICMS, os governadores cobram em cima da bandeira, quem paga a conta sou eu. Talvez vamos estudar forma de não ser permitido cobrar ICMS em cima de bandeira da energia elétrica”, disse.

A questão do etanol é também num esforço do presidente da República de mostrar a composição dos preços e se isentar de responsabilidade na escalada dos valores nas bombas de combustíveis.

Bolsonaro voltou a criticar governadores pela cobrança do ICMS sobre gasolina e gás de cozinha em cima do valor final dos produtos: “não compensa buscar maneira de diminuir o preço dos combustíveis na refinaria, quando a gente abaixa e continua o mesmo preço porque interessa aos governadores que não querem perder receita”.

Ele quer mudar a forma de cobrança, a partir de uma lei complementar que vai enviar ao Congresso: “nossa proposta não visa tirar dinheiro dos governadores via ICMS. Fixando valor do ICMS, aí poderemos falar que preço do combustível vai começar a baixar”.

Na questão dos dados, as vendas no varejo, apesar de terem vindo abaixo do esperado em junho, têm boas perspectivas para os próximos meses. Isto graças ao avanço da vacinação contra a Covid-19 e à recuperação da economia e dos empregos.

O volume de vendas no varejo recuou 1,7% em junho ante maio, resultado pior do que a projeção de alta de 0,7%. A queda acontece após dois meses consecutivos de crescimento.

Esta foi a maior retração do setor no ano e a segunda maior para um mês de junho da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2000.

Para o BTG Pactual (BPAC11), os dados abaixo das expectativas são advindos de fortes revisões nos resultados do mês de maio e abril. Este fator fez com que este bimestre fique, frente ao apresentado anteriormente, 1% abaixo em varejo restrito e 1,9% abaixo no varejo ampliado.

Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aumentou 1,2 ponto em agosto de 2021 em relação a julho. O índice, portanto, alcançou 63,2 pontos. Este é o quarto mês consecutivo de avanço do indicador, período no qual acumula alta de 9,5 pontos. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11).

O índice varia de 0 a 100, sendo 50 pontos a linha divisória entre falta de confiança e confiança. Foram entrevistados 1.477 empresários. Entre eles, 580 de empresas de pequeno porte, 558 de médio porte e 339 de grande porte, entre 2 e 6 de agosto.

Uma boa notícia é que empresas que reduzirem emissões de gases poluentes ou aumentarem iniciativas sociais, mostrando expansão de seu desempenho ambiental, social e de governança (ASG, e em inglês, ESG), terão juros reduzidos nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

De acordo com o banco, esse programa vai conceder financiamentos com destinação livre, sem relação com projetos de investimento. Ou seja, somente as empresas que se comprometerem a melhorar os indicadores de sustentabilidade terão esse tipo de incentivo.

“Aquelas que cumprirem as contrapartidas mínimas e atingirem as metas estipuladas pelo programa terão redução na taxa de juros”, informou a instituição.

Bolsa: ações

Das 84 ações negociadas na bolsa, 36 subiram e as outras 48 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 109,27 (-0,72%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 28,67 (+1,38%)
  • Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,95 (+1,11%)
  • BR Distribuidora (BRDT3): R$ 27,62 (-3,36%)
  • B3 (B3SA3): R$ 15,05 (-2,97%)

Maiores altas

  • Hering (HGTX3): R$ 37,81 (+3,53%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 20,91 (+2,50%)
  • Copel (CPLE6): R$ 6,69 (+1,98%)
  • Via (VVAR3): R$ 13,02 (+1,72%)
  • Embraer (EMBR3): R$ 19,93 (+1,68%)

Maiores baixas

  • Qualicorp (QUAL3): R$ 20,50 (-15,57%)
  • Yduqs (YDUQ3): R$ 25,30 (-4,89%)
  • Raia Drogasil (RADL3): R$ 25,12 (-3,98%)
  • Banco Inter (BIDI11): R$ 71,80 (-3,71%)
  • BR Distribuidora (BRDT3): R$ 27,62 (-3,36%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -0,21% (52.780,16 pontos)
  • IBrX 50: -0,12% (20.637,25 pontos)
  • IBrA: -0,20% (4.974,11 pontos)
  • SMLL: -0,53% (2.919,49 pontos)
  • IFIX: -0,57% (2.739,91 pontos)
  • BDRX: +0,63% (13.595,35 pontos)

Commodities

Petróleo Brent (outubro)/barril

  • segunda-feira (9): -2,35% (US$ 69,04)
  • terça-feira (10): +2,30% (US$ 70,63)
  • quarta-feira (11): +1,15% (US$ 71,44)
  • semana: +1,10%

Petróleo WTI (setembro)/barril

  • segunda-feira (9): -2,64% (US$ 66,48)
  • terça-feiras (10): +2,72% (US$ 68,29)
  • quarta-feira (11): +1,40% (US$ 69,25)
  • semana: +1,48%

Ouro (dezembro)/onça-troy

  • segunda-feira (9): -1,85% (US$ 1.730,55)
  • terça-feira (10): +0,26% (US$ 1.730,95)
  • quarta-feira (11): +1,35% (US$ 1.755,15)
  • semana: -0,24%

Prata (setembro)/onça-troy

  • segunda-feira (9): -3,73% (US$ 23,42)
  • terça-feira (10): -0,32% (US$ 23,34)
  • quarta-feira (11): +0,71% (US$ 23,56)
  • semana: -3,34%

Com Wisir Research, BDM e CNBC

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