Bolsa fecha a curta semana santa com ganhos acumulados de 0,41%

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Arte / EQI

A bolsa de valores começou abril com queda de 1,18%. Nesta quinta-feira (1º), fechou em 115.253,31 pontos, na contramão da alta vista em Nova York e na maioria dos mercados europeus. A semana mais curta de Páscoa terminou positiva em apenas 0,41%.

Os investidores brasileiros realizaram lucros do bom mês de março, com alta de 5,99%, e aguardam.

O que se viu neste começo de mês prensado pelo feriado de Páscoa – os mercados não abrem na sexta-feira (2) nem em São Paulo, nem nos Estados Unidos e nem na Europa – foi cautela e espera. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou para depois do domingo de Páscoa (4) a decisão sobre o Orçamento 2021. O Executivo precisa sancionar a peça aprovada pelo Parlamento.

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Ou vetar, em partes, como pedido (quase implorando) pelo seu ministro da Economia, Paulo Guedes, que se viu atritando com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Olhos também para os Índices Gerentes de Compras Industrial (PMI): na Europa, houve avanço, na China, recuo. Nos Estados Unidos, ele veio acima da projeção.

Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 114.990,54 pontos (-1,41%); e na máxima, 117.087,69 pontos (+0,39%).

O volume financeiro negociado foi de R$ 27,504 bilhões.

Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:

  • segunda-feira (29): +0,56% (115.418,72 pontos)
  • terça-feira (30): +1,24% (116.849,69 pontos)
  • quarta-feira (31): -0,18% (116.633,72 pontos)
  • quinta-feira (1º): -1,18% (115.253,31 pontos)
  • semana: +0,41%
  • abril: -1,18%
  • 2021: -3,16%

Dólar

O dólar avançou nesta quinta, encerrando a semana mais curta. A moeda norte-americana subiu 1,54%, valendo R$ 5,7153.

  • segunda-feira (29): +0,44% a R$ 5,7663
  • terça-feira (30): -0,08% a R$ 5,7619
  • quarta-feira (31): -2,31% a R$ 5,6286
  • quinta-feira (1º): +1,54% a R$ 5,7153
  • semana : -0,41% a R$ 5,7153

Euro

  • segunda-feira (29): +0,15% a R$ 6,7983
  • terça-feira (30): -0,50% a R$ 6,7642
  • quarta-feira (31): -2,36% a R$ 6,6046
  • quinta-feira (1º): +2,06% a R$ 6,7404
  • semana: -0,72% a R$ 6,7404

Bolsa em Nova York e cenário mundial

Recorde! As manchetes dos principais informes sobre o mercado financeiro nos Estados Unidos apontaram que o índice S&P 500 ultrapassou pela primeira vez na história a marca dos 4 mil pontos. Só em março, o S&P 500 ganhou 4,25%, enquanto o Dow Jones subiu 6,62%.

Há quem relacione a alta com a implementação do plano de infraestrutura do presidente Joe Biden, detalhado ontem (31). Mas não é o único fator.

O certo é que o ritmo acelerado de vacinação tem dado boas perspectivas de que a economia vai logo voltar funcionar sem restrições. O risco inflacionário ainda é um ponto de atenção, mas o Federal Reserve segue monitorando. Outro ponto é o aumento de impostos para empresas, de modo a financiar o pacote.

O plano de Biden inclui gastos com estradas, pontes, energia verde e melhorias no sistema de água, ao longo de oito anos. Isso marca o segundo maior impulso de gastos da presidência de Biden depois que ele assinou um projeto de lei de alívio e estímulo de US$ 1,9 trilhão em 11 de março.

Esta força que o governo federal dá à economia significará mais dinheiro rodando na economia e, principalmente, mais empregos.

Enquanto isso, os investidores digeriram uma leitura pior do que o esperado sobre os pedidos semanais de seguro-desemprego. Os primeiros pedidos de seguro-desemprego para a semana encerrada em 27 de março totalizaram 719.000, mais do que 675.000 esperados por economistas consultados pela Dow Jones.

O principal relatório de empregos de março será divulgado na sexta-feira, embora o mercado de ações esteja fechado para o feriado da Sexta-feira Santa. Economistas esperam que 630 mil empregos tenham sido criados em março, e a taxa de desemprego caiu de 6,2% para 6%, de acordo com a Dow Jones.

O Índice dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) dos Estados Unidos ficou em 59,1 pontos em março, ante 58,6 de fevereiro, e projeção de 59. Este é o segundo maior nível da série histórica, iniciada há 14 anos. O primeiro foi em junho de 2014.

O resultado, positivo, reflete a forte retomada após a pandemia. Mas o setor enfrenta atrasos na cadeia de produção, com falta de insumos e aumento de custos, como aponta Chris Williamson, economista-chefe de negócios da IHS Markit.

No PMI, resultados acima de 50 pontos indicam crescimento da atividade, ao passo que leituras inferiores apontam retração.

Hoje também foram divulgados os resultados dos Índices dos Gerentes de Compras de diversos países, calculados pela IHS Markit.

Na zona do euro, o índice avançou consideravelmente, indo de 57,9 para 62,5 pontos.

Segundo Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit, a indústria está crescendo a taxas sem precedentes na zona do euro, em 24 anos de pesquisa IHS Markit. A Alemanha, particularmente, se destaca entre os países da região. Mas a tendência é de melhoria ampla na região, com aumento da demanda interna e também das exportações.

Na China, houve recuo do PMI industrial, que foi de 50,9 para 50,6 pontos em março. No Japão, o PMI foi de 52 para 52,7. E no Reino Unido, foi de 55,1 para 58,9 pontos.

Nova York (quinta-feira)

  • S&P: +1,18%
  • Nasdaq: +1,76%
  • Dow Jones: +0,52%

Nova York (semana)

  • S&P: +1,14%
  • Nasdaq: +2,60%
  • Dow Jones: +0,25%

Europa (quinta-feira)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +0,68%
  • DAX (Alemanha): +0,66%
  • FTSE 100 (Reino Unido): +0,35%
  • CAC (França): +0,59%
  • IBEX 35 (Espanha): -0,03%
  • FTSE MIB (Itália): +0,25%

Europa (semana)

  • Euro Stoxx 600 (Europa): +2,05%
  • DAX (Alemanha): +2,43%
  • FTSE 100 (Reino Unido): -0,05%
  • CAC (França): +1,91%
  • IBEX 35 (Espanha): +0,93%
  • FTSE MIB (Itália): +1,30%

Ásia e Oceania*

    • Shanghai (China): +0,71%
    • SZSE Component (China): +1,46%
    • China A50 (China): +1,30%
    • DJ Shanghai (China): +0,85%
    • Hang Seng HSI (Hong Kong): +1,98%
    • SET (Tailândia): +0,50%
    • Nikkei (Japão): +0,72%
    • ASX 200 (Austrália): +0,56%
    • Kospi (Coreia do Sul): +0,85%

*alguns mercados abrem nesta sexta-feira (2)

Brasil: ambiente político e econômico

Bolsonaro decidiu esperar. Apesar da pressão por parte do Congresso Nacional para que ele sancione logo o texto do Orçamento 2021 aprovado em março pelo Legislativo, ele vai tomar sua decisão depois do domingo de Páscoa, dia 4 de abril.

Os investidores e empresários, assim, ficaram em compasso de espera.

Tudo porque a peça aprovada pelo Parlamento tem perto de R$ 35 bilhões acima do que permite o tão adorado Teto de Gastos, ferramenta que só permite ao governo gastar o que foi gasto no ano anterior acrescido da inflação no período. Esse dinheirão todo que estourou o teto veio de emendas parlamentares para obras em redutos eleitorais.

O relator do Orçamento, senador Marcio Bittar (MDB-AC), prometeu em reunião com Lira e Guedes que cortaria R$ 10 bilhões. Mas é um valor insuficiente para recompor o Teto.

Um dos maiores problemas durante a presidência da Câmara dos Deputados de Rodrigo Maia (DEM-RJ) se resumia nos atritos com Guedes. Eles não se bicavam.

Mudou-se o parlamentar na cadeira da presidência da Casa e os atritos continuam. Guedes pede que Bolsonaro vete o Orçamento, justamente por conta desse estouro no Teto, alegando que poderia ser passível de impeachment, por ferir a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Mas Lira diz que Guedes está fazendo “terrorismo” e que se alguém pedisse impeachment do presidente por isso, seria “apenas mais um na gaveta”. O presidente da Câmara tem a prerrogativa unilateral de aceitar ou não os andamentos de impeachment na Casa.

“Guedes não tem interlocução com o Congresso. Ele vai brigar com quem o apoia? Aí fica difícil”, disse Lira a interlocutores.

Guedes e Lira atuam única e simplesmente para agradar os agentes de mercado. A sociedade está em terceiro ou quarto plano. Guedes especialmente. Mas Lira tem dívidas também com parlamentares, principalmente com aqueles que o colocaram no posto que ocupa hoje.

Esses atritos travam as pautas tidas como prioritárias pelo mercado.

O Orçamento é um nó que deve ser destravado em breve – até porque Bolsonaro tem um prazo limitado para dar seu parecer (até 22 de abril). Mas há um problema maior rondando a sociedade e, claro, a economia: a pandemia.

Março fechou com 2.197.488 novos casos de Covid-19 no Brasil. O recorde anterior era de janeiro, com 1.531.912 novos infectados. O aumento é de 43,45%.

Março também contou 66.573 mortos. Julho de 2020 era o pior mês, com 32.881 mortos. O aumento foi de 102,47%.

Epidemiologistas alertam que abril pode ser tão ruim quanto. Ou pior. E só há duas coisas que o governo pode fazer agora, dia primeiro, para evitar isso: lockdown e unificar a comunicação. Mas lockdown não é algo que Bolsonaro sequer pense. Ao contrário, luta contra. Com esse pensamento, unificar o discurso também não vai acontecer.

Na questão dos dados, a indústria brasileira teve uma queda de 0,7% na produção em fevereiro, na comparação com janeiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou hoje (1º), no Rio de Janeiro, a Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

A retração interrompeu um período de nove altas consecutivas, em que o setor teve um crescimento de 41,9%. Mesmo assim, no acumulado em 12 meses, de março de 2020 a fevereiro de 2021, a produção apresenta recuo de 4,2%.

Quando comparado com o mesmo mês de 2020, fevereiro de 2021 teve alta de 0,4% na produção industrial. A variação positiva interanual foi a sexta seguida.

Já os investimentos apresentaram uma queda de 15,9% em janeiro, na comparação com dezembro de 2020, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou hoje (1º) o indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).

São contabilizados nesse indicador os investimentos em aumento da capacidade produtiva da economia e na reposição da depreciação do estoque de capital fixo.

Apesar da queda em janeiro, o trimestre móvel, que considera também os meses de dezembro e novembro, apresenta uma alta de 23,5% em relação ao período imediatamente anterior (agosto, setembro e outubro).

As produções nacionais de petróleo e gás natural recuaram em fevereiro, na comparação com janeiro, segundo o boletim mensal divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De acordo com a agência, os 2,819 milhões de barris de petróleo por dia representam uma redução de 1,9% em relação a janeiro, e de 5,1% frente a fevereiro de 2020.

No caso do gás natural, a média mensal de 131 milhões de metros cúbicos por dia foi 3,9% menor que a de janeiro, mas aumentou 1,7% em relação a fevereiro do ano passado.

Bolsa: ações

Das 81 ações negociadas na bolsa, 20 subiram, 1 ficou estável (BEEF3) e as outras 60 caíram em relação à sessão anterior.

Mais negociadas

  • Vale (VALE3): R$ 97,39 (-0,59%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,79 (-3,66%)
  • Petrobras (PETR4): R$ 23,89 (-0,87%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 29,38 (-2,78%)
  • Magazine Luiza (MGLU3): R$ 20,44 (+0,99%)

Maiores altas

  • Braskem (BRKM5): R$ 40,56 (+2,19%)
  • Assaí (ASAI3): R$ 75,06 (+1,65%)
  • Cosan (CSAN3): R$ 92,85 (+1,56%)
  • Klabin (KLBN11): R$ 28,05 (+1,52%)
  • Via Varejo (VVAR3): R$ 12,25 (+1,49%)

Maiores baixas

  • Qualicorp (QUAL3): R$ 29,01 (-4,42%)
  • Bradesco (BBDC4): R$ 25,79 (-3,66%)
  • Cogna (COGN3): R$ 3,84 (-3,52%)
  • Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 12,94 (-3,50%)
  • Bradesco (BBDC3): R$ 22,70 (-3,45%)

Maiores altas da semana

  • Equatorial (EQTL3): R$ 24,99 (+11,17%)
  • CSN (CSNA3): R$ 36,80 (+9,95%)
  • Pão de Açúcar (PCAR3): R$ 32,30 (+8,90%)
  • JBS (JBSS3): R$ 30,45 (+8,87%)
  • Gerdau (GGBR4): R$ 29,38 (+8,31%)

Maiores baixas da semana

  • Qualicorp (QUAL3): R$ 29,01 (-9,93%)
  • SulAmérica (SULA11): R$ 33,39 (-9,54%)
  • Notre Dame Intermédica (GNDI3): R$ 81,90 (-5,97%)
  • Suzano (SUZB3): R$ 69,25 (-5,40%)
  • Natura (NTCO3): R$ 47,30 (-4,19%)

Outros índices brasileiros

  • IBrX 100: -1,08% (quinta-feira) | +0,58% (semana) (49.472,33 pontos)
  • IBrX 50: -1,10% (quinta-feira) | +0,63% (semana) (19.196,17 pontos)
  • IBrA: -1,01% (quinta-feira) | +0,66% (semana) (4.640,46 pontos)
  • SMLL: -0,81% (quinta-feira) | +1,30% (semana) (2.774,92 pontos)
  • IFIX: +0,11% (quinta-feira) | +1,15% (semana) (2.850,01 pontos)
  • BDRX: +2,29% (quinta-feira) | +1,67% (semana) (13.382,34 pontos)

Commodities

  • Brent (para junho): US$ 64,86 (+3,38%)
  • WTI (para maio): US$ 61,45 (+3,87%)
  • Ouro (junho): US$ 1.728,40 (+0,74%)

Com Wisir Research, BDM e CNBC